Atriz de ‘The Fox Sisters’ sobre as irmãs espíritas: ‘As Kardashians dos anos 1850’
Diretor de 'Nosso Lar', Wagner de Assis expande seu cinema religioso com o filme
Em 1848, estrondos ecoaram pelas paredes da casa da família Fox, em Nova York. As garotas do clã tinham a certeza de que aqueles não eram rangidos comuns, mas sinais do além que se revelaram mensagens de um caixeiro-viajante que havia sido assassinado naquele terreno no passado. Através das batidas, Kate e Maggie, de 10 e 14 anos, desenvolveram códigos — um baque para sim, dois para não — e passaram a questioná-lo sobre curiosidades diversas. Não demorou para que chamassem atenção: no ano seguinte, a irmã mais velha, Leah, 35, passou a agenciar a dupla e a organizar demonstrações públicas de seus dons mediúnicos. Assim, o trio instigou um pequeno fenômeno nos Estados Unidos que seria essencial para o desenvolvimento do espiritismo kardecista. Agora, o clã misterioso é tema da nova aposta de Wagner de Assis no filão de filmes espíritas – diretor da série Nosso Lar, ele lança The Fox Sisters (Brasil, 2026) nos cinemas na quinta-feira 24.
Rodado no Rio de Janeiro, mas falado em inglês e ambientado nos Estados Unidos, o longa coloca as americanas Sionne Elise, Marie McHugh e Jamie Hughes nos papéis centrais. Fora do set, nenhuma delas segue a doutrina, mas todas levam a sério a história das irmãs, a quem Jamie se refere espirituosamente como “as Kardashians dos anos 1850”, devido à fama e fortuna atingidas por elas. “Leah com certeza agenciou as irmãs para espalhar a verdade espiritual, mas também para tirar sua família da pobreza”, ponderou a atriz em entrevista a VEJA. O sucesso, porém, não durou. Maggie e Kate sucumbiram ao alcoolismo, e apenas Leah permaneceu dedicada à causa, tendo publicado o livro O Elo Perdido no Espiritualismo Moderno, em 1885.
Maggie, em especial, manchou a reputação das irmãs ao confessar que tudo não passava de um golpe. As Fox teriam começado com uma maçã amarrada a um barbante e depois passado a estalar as juntas dos pés e joelhos para produzir estrondos convincentes. Mas voltou atrás e alegou ter sido coagida. Já para Assis, a credibilidade da médium segue intocada e ele defende que o público não julgue o passado com uma mentalidade de hoje. “Quero que as pessoas parem de mergulhar na internet e venham até o filme para conhecer essa história.”
Reais ou falsos, os feitos das irmãs parecem mesmo coisa de filme — e o universo cinematográfico espírita continua a fazer barulho.
Publicado em VEJA de 18 de setembro de 2026, edição nº 3013





