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Atração do Lollapalooza, Of Monsters and Men traduz isolamento da Islândia

Grupo de indie folk se apresenta pela primeira vez no Brasil dentro do festival

Por Carol Nogueira 26 mar 2013, 07h45

“Da Islândia, tenho de pegar três aviões para chegar até o Brasil. É meio estranho. Não conheço ninguém que já tenha ido praí”, admite Kristján Páll Kristjánsson, baixista do grupo de indie folk islandês Of Monsters and Men. Não confunda com a mais urbanizada Irlanda. A Islândia é aquele país ilhado entre a Groenlândia e a parte continental da Escandinávia – em algumas acepções, o país é aceito como parte dessa região, embora não faça parte oficialmente. E, segundo Kristjánsson, ela é tão isolada quanto se pode imaginar. Mas não de um jeito ruim. Para o músico, é justamente esse isolamento que faz com que o país dê origem a grupos tão criativos e originais – é de lá que vem, por exemplo, a cantora Björk, uma das grandes inovadoras da música pop. E é assim, tentando inovar, que o Of Monsters and Men trata a música.

O grupo, que se formou em 2010 em Keflavík, cidade de 14.000 habitantes próxima à capital Reykjavik, estourou em 2011 com o seu primeiro disco, My Head Is an Animal. O álbum tinha a música Little Talks, que acabou nas paradas de sucesso americana, britânica e várias outras na Europa, e o trabalho do grupo, um indie folk fofo, logo começou a ser comparado ao de bandas como a canadense Arcade Fire, que se tornou uma das mais populares bandas indies no fim dos anos 2000. Mas, embora a banda triunfe por seguir o mesmo folk “moderno” de grupos que andam populares, como The Lumineers e Mumford and Sons, há algo no som que o aproxima do “folk” tradicional, como se as tradições do país fossem transmitidas pela música.

Segundo Kristjánsson, como a população do país é pequena (há, hoje, cerca de 321.000 pessoas morando na Islândia), não é possível desovar tantos grupos no mercado, e isso inspira criatividade. “Não podemos ter bandas iguais às outras, pois elas não fariam sucesso. Na Islândia, só existe um grupo de reggae, um grupo de soul”, conta. Por isso, de acordo com o músico, a única possibilidade que há de realmente se tornar uma banda relevante na cena islandesa é fazendo algo muito diferente. “Ninguém pode copiar ninguém, pois todo mundo se conhece”, afirma.

Kristjánsson afirma que as músicas foram incentivadas pelo isolamento provocado pelo frio do país, cuja temperatura média fica entre 2 e 7ºC na maior parte do ano. “Na Islândia, temos longos períodos de nevascas, chuva e frio intenso, então, acabamos ficando presos em casa e sem nada para fazer. Por isso, muitas pessoas criam bandas. Quando eu era adolescente, praticamente todos os meus amigos tinham uma banda. Essa sensação de morar aqui é uma grande influência para nós. Quando saímos para fazer shows em outros países, é sempre muito estranho para nós. Achamos tudo louco, barulhento e com muita gente”, afirma. “Pessoas que procuram tranquilidade deveriam vir para a Islândia”, brinca o músico.

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