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Atores globais denunciam racismo em campanha nas redes

Criada pelo ator Ernesto Xavier, a campanha 'Senti na Pele' ganhou a adesão da atriz Solange Couto, que reclama de ter recebido muitos papéis caricatos na carreira

Por Da Redação 26 nov 2015, 09h52

Nova campanha de tipo testemunhal a se alastrar pelas redes sociais, o projeto “Senti na Pele” foi criado pelo ator e jornalista Ernesto Xavier para que negros denunciem casos de racismo que sofreram e já recebeu a adesão da atriz Solange Couto, a Dona Jura de O Clone (2002). Na página do Facebook da campanha, ela postou uma fotografia em que segura uma lousa com os seguintes “dados” sobre a sua carreira: “37 personagens, 25 empregadas ou escravas, 5 dançarinas e 7 não-estereotipados”. Também na página da campanha, a atriz, que está no ar como a Vanda de Malhação, da Globo, diz o que imagina que seus colegas dirão sobre a sua manifestação. “Os diretores e as pessoas que me convidaram para esses trabalhos vão dizer ‘Sol, não foi isso. Nós te machucamos?’ Eles não se dão conta”, escreveu.

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O perfil do projeto no Facebook tem diversos relatos de pessoas que se dizem vítimas de racismo. Ernesto Xavier, que interpretou Tamuz na novela global Negócio da China, aparece com a frase: “Três pretos juntos só podem ser bandidos. E além de tudo é macumbeiro!”. Solange, 59, que ficou famosa como a Dona Jura e o bordão “Não é brinquedo, não”, ainda relata um caso de racismo que sofreu aos 19, quando a gerente de uma loja a mandou se retirar do local. “Você não tem dinheiro para comprar aqui. Retire-se!”, teria dito a mulher.

“Cheguei e perguntei para a vendedora: ‘Quanto custa aquele vestido amarelo da vitrine?’. Ela não me respondeu. Por quatro vezes, eu perguntei e ela não me respondeu. Até que me dirigi a uma senhora do caixa. Era uma loja bem bonita. Eu perguntei à senhora se ela era dona ou gerente. Ela disse que era gerente. E eu falei: ‘É porque estou querendo comprar aquele vestido da vitrine e a menina insiste em não me dizer o preço. Ela parece que não está me vendo.’ Aí, a senhora disse: ‘Você com certeza não tem dinheiro para comprar esse vestido. Se retire da nossa loja, por favor.'”

O texto continua. “Eu não tinha essa consciência, na verdade. Essa maldade. Eu senti que ela estava achando que eu era uma empregada doméstica, o que era considerado ‘feio’ na época. Na hora, eu não tive a consciência de que era uma coisa absurdamente racista, que era por causa da minha pele. Eu saí da loja irritada, chateada, porque não comprei o meu vestido amarelo do réveillon. Só anos depois, me dei conta do que eu realmente havia passado. Eu tinha 19 anos. Portanto, isso foi há 40 anos.”

Campanhas testemunhais têm ganhado força nas redes sociais nas últimas semanas. Além do “Senti na Pele”, mulheres estão relatando casos de machismo com a hashtag #meuamigosecreto. Antes, a hastag #meuprimeiroassédio denunciava as experiências de mulheres que sofreram assédio sexual.

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