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Atores do musical ‘Feliz Ano Velho’ são alvo de protesto de cadeirantes

Espetáculo é inspirado no livro de Marcelo Rubens Paiva

Por Nara Boechat Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 ago 2026, 09h29 | Atualizado em 26 ago 2026, 10h31
Atores do musical ‘Feliz Ano Velho’ são alvo de protesto de cadeirantes Priorizar nos meus resultados Google

O musical Feliz Ano Velho, inspirado no livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, ainda nem estreou, mas já se tornou polêmico. A produção, que chega aos palcos em 19 de setembro, no Teatro Frei Caneca, em São Paulo, escalou Hugo Bonèmer e Bruno Garcia, dois atores não cadeirantes, para interpretar o escritor em diferentes fases da vida.

A escolha provocou críticas de atores PCDs, como Tato Amorim, que desabafou nas redes sociais sobre a falta de oportunidades para artistas com deficiência. “Eu estou muito cansado. Já não aguento mais me deparar com retrocesso que a cada dia que passa parece que é a mesma coisa”, afirmou.

Em seguida, questionou os argumentos que poderiam justificar a escalação: “Falta de verba? Falta de artistas com deficiência no mercado? O que acontece é que a gente não tem oportunidade, os testes não chegam, os convites não aparecem”.

Em resposta ao desabafo, Bonèmer deixou um comentário na publicação. “Querido Tato, a crítica é série e eu não vou tratar como bobagem. O Marcelo, no espetáculo, é vivido antes e depois do acidente que o deixou tetraplégico, e essa construção também é parte do que estamos discutindo internamente”, escreveu, dizendo que enviou uma mensagem para uma conversa privada com o colega.

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Outro que se manifestou foi o diretor do espetáculo, Gustavo Bachilon. “Para quem conhece o livro, a história parte da vida do Marcelo até o acidente e vai sendo construída por meio de flashbacks, nos quais ele volta no tempo e revive suas próprias histórias. Foi assim também na montagem teatral dos anos 80, protagonizada pelo Marcos Frota. Por isso, pela própria estrutura da dramaturgia, não seria possível ter o papel interpretado por uma pessoa cadeirante, já que acompanhamos o Marcelo em diferentes momentos da vida, inclusive antes do acidente”, argumentou.

Marcelo Rubens Paiva ficou paraplégico aos 20 anos, após um acidente durante um mergulho, experiência que deu origem ao livro lançado em 1982 e agora adaptado para os palcos.

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