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Artesão e estudante são os primeiros da fila do Rock in Rio

Fãs do System of a Down só têm ingressos para o dia 2 de outubro e vão cumprir maratona de 13 dias para garantir lugar na fila do gargarejo

Por Leo Pinheiro, do Rio de Janeiro 21 set 2011, 11h46

Mesmo com todo o esforço, os amigos Daniel e Adriano ainda correm o risco de fracassar. A organização do Rock in Rio avisa que, 24 horas antes do festival, a área em frente aos portões será evacuada para a montagem das três barreiras de revista e para a organização da fila

Surpresas e proezas manjadas de astros do rock são fartas durante um festival. Com frequência, alguns fãs de bandas e artistas do primeiro time da música também gravam seu nome na lista de exageros que entram para a história. No quarto Rock in Rio, por enquanto, ninguém barra o artesão Adriano Camilo Vieira, de 25 anos, e o estudante Daniel Ferreira Alves, 17. Os dois são os primeiros da fila em frente ao portão da Cidade do Rock – aonde chegaram no início da tarde de terça-feira. O absurdo não para por aí: os ingressos que têm em mãos são para o dia 2 de outubro, e o System of a Down, banda que querem ver, será a penúltima do Rock in Rio.

A idéia, segundo o artesão, surgiu quando eles se conheceram no dia 7 de maio na fila da venda de ingressos, no quiosque oficial do evento, no Barrashopping, na Barra da Tijuca. “O Daniel foi o quinto da fila e eu o sétimo. Conversando com ele descobri que morávamos no mesmo bairro e na volta para casa combinamos de sermos os primeiros a chegar ao festival. De lá para cá ficamos amigos. É muito bom ter alguém em quem eu possa confiar em tomar conta do meu lugar”, comemora Adriano.

A maratona dos dois, moradores de Campo Grande, na zona oeste do Rio, começou por volta das 10h de terça-feira. Desde então, os dois amigos se revezam para garantir a liderança. E se preparam para acumular 13 dias de resignação roqueira. Afinal, não serão eles os primeiros a cruzar as roletas. Antes deles, em números arredondados, terão pisado na Cidade do Rock nada menos que 600 mil fãs dos 150 artistas brasileiros e estrangeiros dos palcos do festival.

Não importa. O esforço é para que, no dia 2 de outubro, ninguém fique entre eles e os ídolos armeno-americanos. “Queremos vê-los o mais perto possível. Não quero ninguém na minha frente. Não vamos arredar o pé daqui. Até o penúltimo dia, temos que ceder lugar para quem tem ingresso. Daí em diante nem dormiremos mais para não deixar ninguém passar”, diz Adriano, que pediu férias da fábrica de colares em que trabalha para fazer a vigília. “Eu falei para a minha patroa que se ela não me desse férias eu faltaria 15 dias direto”, conta o artesão, detalhando seu plano para o Rock in Rio.

Daniel, que ainda está envolvido com compromissos de estudante, vai à escola – apenas para as provas – enquanto o amigo monta guarda na fila. “Ele fica aqui enquanto vou ao colégio de manhã. Na volta eu fico no lugar dele, para que ele possa sair para lanchar e ir ao banheiro. Mas à noite dormirei com esse marmanjo”, brinca Daniel. Um alívio: durante as tardes da vigília, ele terá a companhia da namorada, Isabele Soares, também de 17 anos. A menina não conseguiu comprar ingresso para o festival, mas diz que acompanhará o namorado durante todos os dias da “maratona” para lhe dar apoio moral – e, claro, não descarta um ingresso cedido em nome de sua paixão pelo rock e pelo namorado.

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Mesmo com todo o esforço, os amigos Daniel e Adriano ainda correm o risco de fracassar. A organização do Rock in Rio avisa que, 24 horas antes do festival, a área em frente aos portões será evacuada para a montagem das três barreiras de revista e para a organização da fila.

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