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Arlequina e Coringa seguram as pontas de ‘Esquadrão Suicida’

Filme protagonizado por vilões adiciona um novo tom de acidez ao universo expandido da DC Comics no cinema, mas pena com ritmo confuso

Por Raquel Carneiro - Atualizado em 3 ago 2016, 08h46 - Publicado em 3 ago 2016, 08h37

Dizem as más línguas que a Marvel é uma grande e colorida cópia da DC Comics. E dizem mais, que ela nunca conseguiu acertar o tom na loucura e maldade de seus vilões, que não passam de gatinhos amedrontados perto de nomes como o lunático Coringa. Logo, o burburinho em torno do primeiro filme focado apenas nesse grupo de bad boys (e algumas bad girls) se tornou gigantesco. Maior até do que a própria produção, que chega aos cinemas nesta quarta-feira.

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Esquadrão Suicida gerou muita expectativa, o que vai criar um filtro de emoção nos olhos dos fãs mais ansiosos – para eles, o longa será uma dádiva do fraco ano de 2016. Porém, o terceiro filme do universo expandido da DC Comics, sucessor de O Homem de Aço (2013) e Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016), tem um roteiro confuso e irregular, um didatismo desnecessário e um insosso Will Smith que não consegue ser vilão – mas pelo menos sabe ser engraçado. As falhas são balanceadas pela estética hiper-estilizada, tirada dos quadrinhos, uma trilha sonora arrebatadora e dois personagens que salvam o dia: Arlequina, interpretada pela bela Margot Robbie, e Coringa, um coadjuvante que sempre gostou de roubar a cena, agora interpretado pelo ótimo Jared Leto.

A produção começa em ritmo alucinante. Amanda Waller (Viola Davis) é uma feroz agente do governo que tem a “brilhante” e secreta ideia de reunir bandidos psicóticos para lutar contra males com que seres humanos normais (ou com escrúpulos) não poderiam lidar. A ideia é endossada pelo fim de Batman vs Superman, quando o herói alado morre e deixa a população da Terra em luto. “E se o próximo Superman não for tão bonzinho quanto o último?” é o mantra repetido por Amanda para obter a aprovação de sua Força Tarefa X, nome oficial do esquadrão.

Ela narra o perfil de cada um de seus selecionados. Pistoleiro (Smith), um assassino de aluguel que nunca erra um tiro; El Diablo (Jay Hernandez), que possui a habilidade de manipular e criar fogo; Capitão Bumerangue (Jai Courtney), um assaltante falastrão; Crocodilo (Adewale ­Akinnuoye-Agbaje), que possui características de répteis; Amarra (Adam Beach), outro bandido fortão, e Arlequina (Margot), uma ex-médica seduzida pelo Coringa que se torna mais maluca que o mestre. Cada um deles recebe um localizador explosivo no pescoço, caso se rebelem no caminho.

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Completam o time, mas domados por Amanda, o coronel Rick Flag (Joel Kinnaman), responsável por conduzir o grupo; Katana (Karen Fukuhara), samurai que ajuda a manter a ordem com sua espada que guarda a alma dos assassinados; e Magia (Cara Delevingne), uma arqueóloga que é tomada por um espírito de uma bruxa nada bacana.

É Magia quem provoca a crise que levará o grupo à ação. A feiticeira consegue escapar do domínio de Amanda, que possui seu coração em uma caixa, para ajudar seu irmão, outro espírito sem boas intenções, a tomar um corpo nas ruas. Eles se aliam para, adivinha, dominar o mundo.

O diretor David Ayer (de Corações de Ferro) conduz a primeira metade do filme com firmeza, bom humor e muita acidez, mas começa a perder o controle com o desenrolar da história. Os vilões trocam a aura sedutora de Hannibal por contornos de mocinhos da Marvel.

Pistoleiro, por exemplo, é um pai amoroso, que só está preso e cumprindo a tal missão para dar à filha um motivo do qual se orgulhar. A personagem de Amanda, aliás, se mostra muito mais implacável e temível que os prisioneiros. Outro problema é Magia. A moça, no auge do poder, chega a ser risível com sua voz computadorizada e movimentos corporais de uma modelo em um desconfortável salto alto.

Paralelo à trama central está Coringa, talvez o verdadeiro vilão da história. Ele maltrata sua amada ao mesmo tempo em que a deseja. Insano, a deixa à beira da morte diversas vezes, para, de repente, mudar de ideia e partir em seu encalço. Sua missão ao longo do filme é justamente descobrir em qual prisão ela está e resgatá-la, claro, de maneira brutal e com aliados disfarçados de animais, como um urso panda e um bode selvagem. É ele quem estrela os momentos mais instigantes e surreais do filme, do tipo que valem o preço do ingresso no cinema. Se o esquadrão voltará à ativa, não se sabe. Mas espera-se ansiosamente que Leto e seu Coringa retornem mais vezes.

https://www.youtube.com/watch?v=30tU57q842Y

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