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‘Aprendi a falar mandarim’, ironiza Alceu Valença após tomar a Coronavac

Imunizado com as duas doses da vacina, o cantor pernambucano retorna aos palcos e faz live junina nesta sexta-feira, 25, interpretando grandes sucessos

Por Felipe Branco Cruz 25 jun 2021, 10h19

Aos 74 anos e já vacinado com as duas doses da Coronavac, o cantor pernambucano Alceu Valença disse, ironicamente, que o único efeito colateral causado pela “vacina chinesa” foi ter aprendido a falar mandarim fluentemente. “Já a minha esposa, que tomou a Astrazeneca, está falando inglês com sotaque britânico”, diz ele com bom humor, em conversa com VEJA por telefone. Mesmo imunizado, ele não descuida da saúde e continua usando a máscara e mantendo o distanciamento social. Mas já está se permitindo alguns pequenos prazeres diários, como caminhar às margens de um lago em seu condomínio, no Rio de Janeiro. Outro prazer, o de cantar ao vivo, há muito suspenso por causa da pandemia, também está retornando gradualmente. Nesta sexta-feira, 25, a partir das 20h, ele fará uma live junina gratuita no YouTube, transmitido do palco do Teatro Bradesco, em São Paulo. No repertório da live, Alceu vai tocar sucessos como Coração Bobo, Táxi Lunar, Anunciação, Tropicana, entre outros. Do repertório de Luiz Gonzaga, ele promete apresentar Vem Morena, Baião, Sabiá, Pagode Russo e Juazeiro.

A música La Belle de Jour, que se tornou um fenômeno nas redes sociais, com quase 170 milhões de visualizações no YouTube, obviamente, também estará no repertório. Sobre a canção, Alceu diz que até hoje não entende como ela ficou tão popular na internet. Ele lembra do vídeo que sua mulher fez dele cantando com um grupo de músicos de rua, em Copacabana. “Eu escutei a música e fui lá ver. Exceto pelo violonista, que era brasileiro, todos os outros eram estrangeiros. Daí eu resolvi cantar com eles. Foi uma coisa doida”. Outro fenômeno que ele percebeu com a internet, foi a renovação de seu público. “Eu não sei mexer na internet. Só uso WhatsApp. Mas eu vejo crianças de três, cinco anos cantando minhas músicas”, diz ele lembrando de um vídeo de uma garotinha no Carnaval de 2020 entoando Anunciação, sentada no ombro do pai.

O período forçado de reclusão o reaproximou do violão, que ele nunca tocava em casa por falta de tempo. “Costumo dizer que eu não moro, eu namoro cidades. Antes da pandemia, eu ficava entre Lisboa, Rio de Janeiro, Olinda e São Bento do Una, minha cidade natal em Pernambuco. Daí, eu não tinha tempo para tocar. Na pandemia, o violão ficava lá triste, olhando para mim. Um dia, ele disse: me toca”.

Desse reencontro com o instrumento, surgiram três novos álbuns (e que servirão de base para a live) em que ele reinterpreta seus principais clássicos no violão. O primeiro álbum, Sem Pensar no Amanhã, já foi lançado e conta com uma faixa inédita homônima. O segundo está previsto para 23 de julho. A escolha das faixas dos novos álbuns, ele explica, vieram naturalmente. “Fui tocando e uma música foi levando a outra. La Belle de Jour me lembrou da Mensageira dos Anjos que me lembro de Taxi Lunar e assim por diante.”

Para Alceu, o próximo passo é retornar aos shows com público, o que só será possível quando a maioria da população estiver vacinada com as duas doses. “Fazer uma live é como fazer um programa de TV. Eu canto olhando para a câmera e imaginando o público do outro lado. Mas a saudade é grande.”

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