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Após sucesso no Rio, musical ‘Hair’ chega a SP

Por Da Redação 10 jan 2012, 09h25

Por AE

São Paulo – A era de Aquário começa na sexta-feira 13 no Teatro Frei Caneca – é neste dia que um bando de cabeludos bem-intencionados vai tomar o palco e marcar o início da temporada paulistana do musical “Hair”, depois de sucesso no Rio. “Esperamos durante seis meses até estrear aqui o que, se não foi favorável para a produção, ao menos serviu para que o elenco voltasse vitalizado”, acredita Charles Möeller, responsável pela direção e produção geral, ao lado de Claudio Botelho. “Percebemos que agora há uma força renovada tanto no vocal como na dança.”

O período de descanso fez também com que alguns atores se aventurassem por outras produções. A começar por um dos protagonistas, Igor Rickli, que deixou o papel do hippie John Berger para integrar outro sucesso da dupla Möeller/Botelho, “Judy – O Fim do Arco-Íris”, ainda em cartaz no Rio. Ao todo, o elenco de 30 atores de “Hair” chega a São Paulo com 16 caras novas. Entre elas, a do sucessor de Rickli, o talentoso Fernando Rocha – ele já chamara atenção quando participou, em 2003, então com 22 anos, dos testes para a montagem paulistana de “Chicago”.

Outra novidade é a inclusão de Kiara Sasso, uma das melhores intérpretes do musical brasileiro, em um papel que foge de seu tradicional: a da hippie grávida Jeanie. “Ela passou por uma verdadeira desconstrução para assumir esse personagem”, conta Botelho.

Criado por Gerome Ragni, James Rado e Galt MacDermot, “Hair” é ambientado em 1968 e acompanha os passos de John Berger (Rocha), hippie que comanda uma tribo de moças e rapazes de Nova York. O grupo logo é reforçado por Claude (Hugo Bonemer), rapaz que vive um dilema: oprimido pelos pais, que o querem alistado no Exército para a Guerra do Vietnã, ele também é assediado pelos hippies, que o incentivam a se soltar das amarras sociais. Depois de estrear em 1967 no circuito alternativo dos Estados Unidos, e, em seguida, conquistar a Broadway, o espetáculo logo foi alçado à condição de clássico por tratar de guerra e sexualidade sob um olhar inovador e original.

“É um assunto ainda muito atual, mesmo que a filosofia hippie não continue”, comenta Fernando Rocha. “E, não bastasse isso, há ainda a força mântrica das canções”, completa Marcel Octavio, que interpreta Woof, o hippie cuja sexualidade é ambivalente.

São muitas as referências da peça, especialmente paralelos com Shakespeare e cristianismo. “É uma espécie de Novo Testamento, pois a peça começa com o Anjo da Anunciação cantando Aquarius, que prega uma nova era e a vinda do novo Cristo. Em seguida, entra em cena John Berger, que tem as mesmas iniciais de João Batista e que fundamenta uma liturgia inédita – por meio do LSD, ele alcança uma nova fronteira, uma referência ao que Paul McCartney disse nos anos 1960, sobre encontrar Deus por meio da droga”, comenta Charles Möeller que, ao assistir à uma nova versão da peça em 2009, em Nova York, ao lado de Botelho, ficou encantado e decidido a trazê-la ao Brasil. A produção acabou viabilizada pela Aventura Entretenimento, empresa que vem patrocinando os recentes espetáculos dos dois.

Dividido em dois atos, “Hair” exibe momentos distintos. No primeiro, é exaltada a arrogância da juventude, o sol brilha, enquanto no segundo, com a chegada do inverno, aqueles mesmos hippies querem voltar para a casa dos pais, como bichos assustados. “É o inverno da alma. Tudo caminha para a morte”, comenta Möeller. “E os autores foram implacáveis, pois Claude não escapa da guerra nem da morte.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Hair – Teatro Frei Caneca (Rua Frei Caneca, 569). Tel. (011) 3472-2226. 5ª, 21 h; 6ª, 21h30; sáb., 18 h e 21h30; dom., 18 h. R$ 130/ R$ 160. Até 29/4. Estreia sexta.

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