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Antonio Fagundes fala de velhice, teatro e palpite do assassino de ‘Quem ama cuida’

Aos 77 anos, ator é o convidado do programa semanal da coluna GENTE

Por Valmir Moratelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 jul 2026, 11h00 | Atualizado em 6 jul 2026, 12h02
Antonio Fagundes fala de velhice, teatro e palpite do assassino de ‘Quem ama cuida’ Priorizar nos meus resultados Google

A morte do milionário Arthur Brandão, nos primeiros capítulos de Quem ama cuida, segue um mistério que só será desvendado meses adiante. No papel central, Antonio Fagundes, 77 anos, que retornou à TV Globo de onde se afastou em 2020. O ator deixou a emissora após 44 anos de contrato. A saída ocorreu devido a uma quebra de acordo: a emissora decidiu não renovar uma antiga cláusula que garantia ao ator folgas para se dedicar ao teatro e permitia que ele gravasse apenas nos dias em que não estivesse nos palcos. E assim ele seguiu fazendo o que lhe dá mais paixão: teatro. Em 60 anos de carreira, não houve uma única interrupção de projetos teatrais. Convidado do programa semanal da coluna GENTE (disponível no canal VEJA+ no Youtube, no streaming da TV Samsung Plus, LG, TCL e Roku; além da versão podcast no Spotify), entre outros assuntos, o ator fala sobre sua peça atual, que chega ao Rio, Dois de Nós, ao lado da atriz Christiane Torloni. Ele também comenta as recentes polêmicas envolvendo o curso de homens criado por Juliano Cazarré, como se enxerga diante da tal crise da masculinidade e por que não usa a lei Rouanet para seus projetos. Assista.

 

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RETORNO À GLOBO. “Foi muito gostoso. Bom, primeiro porque gostei de voltar para uma novela do Walcyr (Carrasco, autor), eu já tinha feito uma dele de muito sucesso, Amor à Vida (2013). E agora com a direção da Amora (Mautner), a gente tinha cruzado há muito tempo, mas nunca mais fez nada junto. No elenco agora, Tony Ramos, Isabel Teixeira, Dan Stubach… uma turma muito boa de atores. Como eu estava muito tempo sem fazer, foi bom até porque foi uma pequena participação. Estava com a minha agenda realmente complicada para fazer uma novela inteira. Acabou dando tudo certo”.

RELAÇÃO COM A EMISSORA. “Eu saí da TV Globo há 7 anos, exatamente por causa disso. Tinha um acordo com eles de que eu só gravaria nos intervalos, nas folgas do teatro, para não interromper o meu trabalho no teatro. Isso foi mantido por 44 anos. Gravava às segundas, terceiras e quartas, que era a forma de ter tempo livre para o teatro. Quando a Globo se viu impossibilitada de honrar esse compromisso, eu saí; e voltei dessa vez nessa base também gravando segunda, terça e quarta. Agora tenho pensado muitas vezes antes de aceitar um convite”.

QUEM MATOU ARTHUR BRANDÃO. “Olha, acho que morri umas oito vezes, viu (risos)? Porque tem aí muitos suspeitos. E tenho a impressão que nem o Walcyr nem a Cláudia (Souto, coautora) sabem quem é que matou na verdade. Ainda tem a possibilidade de ser um (personagem) diferente desses oito. Pode ser que eu tenha que voltar um dia lá só para fazer uma nona morte”.

CONSTÂNCIA NO TEATRO. “Na verdade, nunca parei de fazer teatro. Já parei de fazer televisão, já parei de fazer cinema. Mas teatro, nesses 60 anos de profissão, estive o tempo todo em cima do palco. São 60 anos de teatro. E quando paro de fazer uma peça, é porque eu já estou preparando a próxima. É um intervalo muito curto entre uma e outra. Dois de nós, por exemplo, texto que a gente está trazendo ao Rio de Janeiro, já está há dois anos em cartaz, inclusive com passagens fora do país. Viajamos para Portugal, fizemos uma longa excursão de norte a sul de Portugal, passando por onze cidades. Só lá fizemos 60.000 espectadores. Isso é um número bastante grande para Portugal. Teatro, para mim, é a pátria do ator”.

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MASCULINIDADE REVISITADA. “Tem grupos que colocam o tema como uma grande crise da masculinidade. Quer dizer, o homem contemporâneo, acho que agora que ele vai começar a ganhar o espaço dele. Porque até então era um arremedo a essa toxicidade aí; a peça, inclusive, discute isso muito bem. Esse personagem era um macho tóxico 30 anos atrás e evolui de certa forma para um homem mais sensível, capaz de se entender que algumas coisas que fez no passado estão erradas. É muito bom que esse personagem seja feito por mim, exatamente porque tenho essa imagem através de alguns papéis que fiz, que poderiam representar o macho tóxico que a gente imagina”.

MACHISTA SEM PERCEBER. “Ah, com certeza, com certeza (já fui machista). Isso é uma coisa estrutural, a gente foi criado assim. Toda vez que me percebo, dou um tapinha na minha mão: ‘deixa de ser bobo’. É uma coisa que você tem que combater diariamente. Machismo é um problema do homem, não é da mulher. Não é a mulher que tem que lutar para ter um lugar na sociedade. É o homem que tem que lutar para a mulher ter um lugar na sociedade, porque é culpa do homem que ela não tem esse espaço”.

CURSO DE JULIANO CAZARRÉ. “É muito louco… A gente vê esses grupos hoje, tem diversos grupos de homens que se encontram para poder subir montanha, para se abraçar, para poder se descobrir. Que coisa tola. Quer louvação? Vai ao teatro, vai ao cinema. Vai ler um livro…”.

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COMO ENCARA A VELHICE. “Isso é uma das vantagens da nossa profissão. Costumo brincar que sempre vai ter um bruxinho velho para a gente fazer. A gente pode ir crescendo junto com os personagens. Está sendo divertida essa passagem, do jovem para pai, depois avô. Espero chegar a bisavó um dia. Vamos ver”.

PROJETO COM TONY RAMOS. “Vamos fazer um filme também com texto do Gustavo Pinheiro. Encomendaram para ele um texto para nós dois. Foi uma prova de amizade. É um roteiro muito bom”.

SEM LEI ROUANET. “A Lei Rouanet é muito boa, é necessária. Tem alguns grupos que só funcionarão se tiver a lei, alguns movimentos culturais só podem existir se houver uma lei. O patrocínio é importante, não é de hoje. A gente não teria Beethoven se não se não fosse patrocinado. A gente não teria grandes obras de arte, se não fossem patrocinadas. Uma orquestra sinfônica, não basta você chamar um bom violinista, ele tem que se enquadrar no conjunto. Isso leva tempo, eles têm que ensaiar muito e durante muito tempo. Se não houver um patrocínio, não tem orquestra sinfônica, grandes corpos de baile, museus e patrimônio histórico. Ao mesmo tempo, a lei tem algumas exigências que acabam cerceando as produções. Eu, particularmente, prefiro uma certa liberdade no sentido de poder produzir do jeito que quero, sem a famosa contrapartida, do que me submeter a isso”.

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PERSONAGENS AINDA A FAZER. “Tenho só um Shakespeare, e ele escreveu 37 peças. Fiz uma só dele. Só dos textos dele tenho 36 outros para fazer. Tem um monte de coisas que gostaria de fazer e que devagarzinho vou fazendo. Tenho vontades que, infelizmente, o tempo não vai permitir que eu compre todas, mas estamos caminhando”.

Agradecimento: Hotel Nacional e Elev Comunicação/ Captação de imagens e edição: Libário Nogueira / Sobre o programa semanal da coluna GENTE. Quando: vai ao ar toda segunda-feira. Onde assistir: No canal da VEJA+ no Youtube; Samsung TV Plus (canal 2075), LG Channels (canal 126), TCL Channel (canal 10031) e Roku (canal 221); ou no canal VEJA GENTE no Spotify, na versão podcast.

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