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Anthony Hopkins, um camaleão do cinema, em 5 papéis marcantes

Em sessenta anos de estrada, ator galês passeou por diversos papéis, de canibal a papa, e agora chega ao Oscar com o cortante 'Meu Pai'

Por Tamara Nassif Atualizado em 21 abr 2021, 19h09 - Publicado em 21 abr 2021, 17h51

Em sessenta anos de carreira, Anthony Hopkins levou para casa apenas uma estatueta do Oscar, vinda de sua atuação no aclamado O Silêncio dos Inocentes (1991). No próximo domingo 25, no entanto, esse cenário pode mudar: graças à sua avassaladora performance em Meu Pai (2020), o ator galês de 83 anos é, ao lado de Chadwick Boseman, um dos favoritos ao prêmio de melhor ator. Para entrar no clima da premiação – e saborear uma das trajetórias mais robustas do cinema – a equipe de VEJA selecionou cinco filmes que atestam a versatilidade de Hopkins.

Confira lista abaixo:

Dois Papas (2019)
Disponível na Netflix

Anthony Hopkins e Jonathan Pryce interpretam Bento XVI e Francisco, respectivamente
Anthony Hopkins e Jonathan Pryce interpretam Bento XVI e Francisco, respectivamente. Divulgação/Netflix

O ano é 2012, e o cardeal argentino Jorge Bergoglio, interpretado por Jonathan Pryce, está insatisfeito com a forma que o papa Bento XVI, vivido por Hopkins, tem conduzido a Igreja Católica. Prestes a se aposentar, ele decide visitar o papa em Roma para debater os rumos da fé e do catolicismo – conversas que nunca aconteceram na vida real, mas que contemplam dilemas da Igreja no século XXI. “O que eu mais gostei sobre ele foi esse tipo de isolamento que eu mesmo experiencio”, disse Hopkins ao portal Deadline, em 2019. “Não sou muito sensível. Sou um cara reservado e cuido da minha vida. Eu pensei: ‘Eu realmente consigo entender esse homem’.” Para o papel, o ator assumiu uma postura mais enrijecida, ríspida, muito atrelada ao Papa Bento XVI, além de ter aprendido latim e italiano para interpretar os diálogos com mais veracidade. “Eu tenho essa obsessão de ‘eu preciso saber tudo’, faz parte do meu lado controlador.” Sua apresentação ao piano atesta: ele também é um ótimo musicista. No Oscar de 2020, Hopkins foi indicado ao prêmio de melhor ator coadjuvante pelo filme.

Thor (2011)
Disponível no Disney+

O ator Anthony Hopkins como Odin, personagem da franquia 'Thor'
O ator Anthony Hopkins como Odin, personagem da franquia ‘Thor’ Marvel/Divulgação

Sem saber nada dos quadrinhos de Thor, Anthony Hopkins estrelou o longa de 2011 como Odin, um poderoso deus que governa Asgard e é pai de Thor (Chris Hemsworth) e Loki (Tom Hiddleston). É curioso o poder da Marvel para atrair bons atores, especialmente alguém como Hopkins, um veterano, oscarizado e requisitado. Ao jornal Los Angeles Times, à época do lançamento, Hopkins disse que tinha “muito interesse na relação entre pai e filhos” por causa de sua própria história: “O relacionamento com meu pai era frio. Ele era um cara esquentado, de sangue quente, mas comigo, frio. Ele não queria fazer mal, mas eu senti que nunca poderia corresponder às suas expectativas.” O temperamento do personagem também foi um ponto de contato: implacável e severo, de ímpeto “pegar ou largar”, Hopkins se vê no todo-poderoso-deus sob certos ângulos. “Meu karma é ‘se você não gosta, puxa, que pena, bola pra frente’. Eu sou um pouco como Odin.”

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Vestígios do Dia (1993)
Disponível para compra nas plataformas NOW e Apple TV

Anthony Hopkins e Emma Thompson no longa 'Vestígios do Dia', indicado a oito categorias do Oscar de 1993
Anthony Hopkins e Emma Thompson no longa ‘Vestígios do Dia’, indicado a oito categorias do Oscar de 1993 Columbia Pictures/Reprodução

Situado em 1958, o leal mordomo James Stevens, interpretado por Hopkins, começa uma viagem de carro pela Inglaterra e pretende visitar Sally Kenton (Emma Thompson), antiga governanta da casa de campo em que trabalha. Anos antes, enquanto levava uma vida de dedicação ao patrão e aos deveres do ofício, Stevens se apaixonou pela colega de trabalho, sem se dar conta de que era correspondido. Agora, trabalhando para um novo empregador (simpatizante do nazismo), busca convencê-la a retomar sua antiga posição, enquanto se recusa a reconhecer que sacrifica a própria felicidade pelo trabalho. A atuação em Vestígios do Dia é uma das mais controladas de Hopkins, que, enquanto mantém uma postura devota e fechada, passa virilidade através de seus olhos dançantes e sorriso travesso. No Oscar de 1993, o longa recebeu oito indicações ao todo, incluindo melhor filme e melhor atriz e ator para o casal protagonista.

O Silêncio dos Inocentes (1991)
Disponível no Amazon Prime Video

Anthony Hopkins como Hannibal em cena do filme 'O Silêncio dos Inocentes' (1991)
Anthony Hopkins como Hannibal em cena do filme ‘O Silêncio dos Inocentes’ (1991) Orion Pictures Corporation/Reprodução

Com recém-completados 30 anos desde a estreia, o clássico do suspense rendeu a Hopkins o primeiro Oscar de melhor ator. Na trama, ele dá vida ao psiquiatra Hannibal Lecter, um perigoso assassino em série encarcerado sob acusações de canibalismo. O facínora é procurado pela agente do FBI Clarice Starling, vivida por Jodie Foster (também laureada com a estatueta de melhor atriz), que, enquanto investiga um assassino que arranca a pele de suas vítimas, vê em Hannibal uma oportunidade para entender como psicopatas pensam. E, de fato, Hopkins parece um psicopata: na contramão de sua atuação impassível em Vestígios do Dia, aqui ele se transforma em um homicida voraz, de frieza assustadora. Com menos de vinte minutos de tela, o desempenho de Hopkins foi tão convincente que Martha Stewart, sua namorada na época, terminou o relacionamento por não conseguir desassociar a imagem do ator com a do personagem. Classificado como o maior vilão da história do cinema pelo American Film Institute, Hopkins estrelou mais dois filmes na pele do canibal: Hannibal (2001) e Dragão Vermelho (2002).

Meu Pai (2020)
Em cartaz nos cinemas e disponível para nas plataformas NOW, Apple TV e Google Play

DRAMA - Hopkins, o pai, com Olivia Colman, a filha: desintegração mental na qual não há companhia -
DRAMA - Hopkins, o pai, com Olivia Colman, a filha: desintegração mental na qual não há companhia – Sean Gleason/Elevation Pictures/Divulgação

Em Meu Pai, Anthony Hopkins vive um homem idoso que luta contra a demência, a quem empresta nome, data de nascimento e a aura de infalibilidade que sempre o acompanhou – e que se reduz a nada ao longo da trama. Ao lado da filha Anne, interpretada por Olivia Colman, Anthony tenta encaixar as peças do quebra-cabeça que virou sua vida, embora pareçam estar sempre fora do lugar. A confusão também é vivida pelo espectador, que entende os acontecimentos a partir da perspectiva insegura do protagonista. Em uma das atuações mais brilhantes de sua carreira, Hopkins entrega um personagem de vulnerabilidade desarmante, cuja falta de controle sobre a própria vida é algo que o próprio ator, conhecido por ser controlador e metódico, teve de aprender a renunciar. O desempenho de Hopkins é tão formidável que a disputa pelo prêmio de melhor ator se tornou ainda mais acirrada, uma vez que Chadwick Boseman, vítima de um câncer em agosto de 2020, também é um dos favoritos ao prêmio por seu papel em A Voz Suprema do Blues.

 

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