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Antes banda de um hit só, Bastille se reinventa em novo disco

Vocalista do grupo britânico fala a VEJA sobre novas músicas e a busca incessante para nunca soar repetitivo

Por Felipe Branco Cruz Atualizado em 29 out 2020, 15h31 - Publicado em 29 out 2020, 15h06

Antes mesmo do lançamento de seu álbum de estreia, em 2013, os britânicos do Bastille já tinham um hit nas paradas de sucesso: Pompeii. A faixa, que tem uma pegada épica potencializada por um coro de vozes, é diferente de todas as outras canções do grupo. O Bastille conseguiu se desvencilhar da fama de “banda de um hit só” ao emplacar alguns anos depois, Happier, feito em parceria com o DJ Mashmello. Com uma pegada eletrônica, a faixa também não tinha nada a ver com as músicas que eles, de fato, produziam. 

Agora, prestes a lançarem seu quarto álbum de estúdio, os britânicos mantêm a tradição de inovar a cada música. O álbum, que ainda não tem nome, já ganhou dois singles What You Gonna Do e Survivin. Ambos sem um estilo facilmente classificável. “É mais importante para mim pensar o que eu posso fazer diferente do que eu já fiz antes”, disse o vocalista Dan Smith, 34, em entrevista por vídeo a VEJA. 

O cantor falou também da participação especial de Graham Coxon, do Blur, em What You Gonna Do. “Eu amo o Oasis também, mas Blur é muito melhor”, disse. Confira a seguir os principais trechos da entrevista. 

A nova música Survivin foi composta antes da pandemia, mas traz uma letra esperançosa que diz “eu vou ficar bem”. Foi uma profecia? É uma baita coincidência. É louco, não é? Terminamos a música pouco antes da pandemia atingir o Reino Unido e quando o lockdown começou, a música também chegou às rádios. Mas não queria que as pessoas sentissem que estávamos querendo tirar vantagem da situação. É sobre o fato de que um dia estamos bem e no outro não. Acho que a letra pode ser útil para o que temos vivido neste ano. Sonoramente, ela também é diferente das outras canções do Bastille. Embora a letra possa parecer sombria, na verdade ela é otimista. 

Survivin e What You Gonna Do são duas faixas mais pesadas do Bastille. A banda está entrando em uma nova fase? Nós já lançamos três álbuns e o processo criativo nunca envolveu muitas pessoas. Para este novo, decidimos pedir novas colaborações. É uma maneira interessante de começar uma nova fase na banda. Para nós, é importante que cada música pareça um mundo ligeiramente diferente. Nossa meta é que a cada nova faixa, o ouvinte não saiba qual banda está tocando, até ouvir a minha voz. 

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Esse foi um dos motivos para vocês convidarem Graham Coxon, do Blur, para participar de What Gonna Do? Ele é um músico incrível. Sempre fui fã. Então, mandamos a música para ver o que ele achava e ele topou tocar guitarra nela. Ficamos ansiosos porque enviar algo para alguém que você realmente admira pode causar um estresse. E se ele odiasse a música? Ainda bem que foi o contrário. A colaboração, no entanto, foi muito “ano 2020”, feita a distância. Teria sido melhor se tivéssemos conseguido entrar no estúdio com ele. 

Então, daquela velha rixa Oasis versus Blur, quem é melhor? Blur! Blur! Blur! Eu acho que o Blur é mais experimental, mais criativo e divertido. Em toda a sua carreira, eles inovaram tocando diferentes estilos musicais. E eu amo isso. Eu gosto também do trabalho do Graham fora do Blur. Eu acho Damon Albarn um gênio. Gorillaz é inacreditável. The Good, the Bad & the Queen é incrível. Eles nunca fizeram só uma coisa. É o que eu tento fazer com o Bastille também. Eu amo o Oasis também, mas Blur é muito melhor. 

  • A banda amadureceu muito depois do lançamento de Pompeii? Muitas coisas mudaram em sete anos e nós, definitivamente, evoluímos. Mas, você sabe, fazer música é meu trabalho diário. Provavelmente, eu amadureci como pessoa. Quando vamos fazer um novo trabalho, é mais importante para mim pensar o que eu posso fazer diferente agora do que eu já fiz antes. Como surpreender as pessoas? Nunca quisemos ser repetitivos e essa é a principal coisa com a qual estou obcecado no momento. 

    O que pode adiantar do novo álbum? Não estamos presos ao velho formato de álbum. Por enquanto estamos só lançando os singles. Com a quarentena, o processo de lançamento está bem diferente. Tem sido bastante útil ter alguma coisa em que trabalhar durante o confinamento. Mas as informações sobre o novo disco ainda vão ficar em segredo. Queremos que seja tudo uma surpresa para os fãs.

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