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Amir Haddad: “Não existo sem tesão”

Aos 84 anos, o celebrado diretor de teatro esbanja emoção e sexualidade, duas coisas que, segundo ele, caminham juntas e são indispensáveis

Por Duda Monteiro de Barros Atualizado em 4 jun 2024, 13h36 - Publicado em 9 out 2021, 08h00

Como o senhor concilia sexualidade e desejo, seus temas constantes, com um casamento de quarenta anos? É preciso administrar uma porção de aspectos, e a sexualidade talvez seja o principal. Quarenta anos de fidelidade? Assustador, não sei como seria isso. Existe um tipo de adultério que resolve minhas angústias.

Que tipo de adultério é esse? Mesmo comprometido, sempre há um chamado para viver uma nova aventura amorosa. Não considero infidelidade. Para mim, significa estar aberto à vida e ao amor. Não é porque tenho uma companheira de décadas que parei de olhar para os outros, de achar as pessoas bonitas, de sentir atração. Não existo sem tesão.

Sua mulher concorda? Uma vez eu disse a ela que toda pessoa que passa na minha frente imagino como é pelada. Minha companheira respondeu: “Pois saiba que eu também”. Fiquei aliviado, estamos de igual para igual.

A idade diminui o desejo?  Não falo sobre velhice. E não consigo nem imaginar essa história de Viagra. Se um dia minha natureza não responder, vou respeitar. Idade para mim é uma grande besteira. Estou bem, trabalhando com amor, cheio de libido. Isso basta.

Sempre foi assim? Adoro estar apaixonado, perder o sossego, ficar viciado em uma pessoa. Quando passo por períodos mais pacíficos acho até estranho. O ardor me estimula.

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É a mesma emoção que está presente em seu trabalho? E teria como não estar? Não são áreas independentes, tudo anda junto. Só trabalho se tiver tesão por pelo menos um artista. Alguém precisa me despertar interesse. Se chego a um ambiente e não me sinto atraído por ninguém, fico preocupado, parece que estou morrendo.

Nunca teve medo de ser acusado de assédio? Jamais. Nunca me envolvi com alguém com quem estivesse trabalhando. Uma coisa é o que passa pela minha cabeça, outra é o que eu, de fato, faço. Como vão saber se estou imaginando fulano ou sicrana pelados? O pensamento é livre.

Atravessar a pandemia foi muito difícil? Não gosto nem de pensar nisso. Teatro é fisicalidade, presença, público, tanto que o grupo que dirijo se chama Tá na Rua. A gente até conseguiu improvisar uma coisinha ou outra on-line, mas não chega aos pés do presencial.

Publicado em VEJA de 13 de outubro de 2021, edição nº 2759

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