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Ambicioso, ‘O Tempo e o Vento’ é novela superproduzida

Adaptação da obra de Érico Veríssimo, o novo filme do diretor Jayme Monjardim é bem feito, mas se perde ao beirar o dramalhão. Confira entrevista com elenco

Por Raquel Carneiro Atualizado em 10 dez 2018, 09h58 - Publicado em 27 set 2013, 08h58

Adaptar o clássico de Érico Veríssimo O Tempo e o Vento, que possui três partes (O Continente, O Retrato e O Arquipélago) divididas em sete livros, não é tarefa das mais fáceis. São quase 3 000 páginas que percorrem 150 anos e misturam o drama da família Terra-Cambará com fatos históricos do sul do Brasil, como a Revolução Farroupilha. Apesar da dificuldade, a adaptação era um sonho antigo de Jayme Monjardim, diretor de novelas conhecidas como Pantanal (1990), Terra Nostra (1999) e O Clone (2001) e do longa-metragem Olga (2004), que, mesmo ciente dos riscos e das limitações impostas por sua formação televisiva, decidiu encarar o desafio — para o bem e para o mal.

“Eu sou um homem de televisão. Mas, acima de tudo, sou um contador de história”, disse o diretor ao site de VEJA. “Os meus filmes são mais simples, com começo meio e fim. Eu não seria o cara de fazer um filme tipo cabeça. Gosto de contar histórias populares.” Segundo Monjardim, foram sete anos de “batalha” e 27 versões de roteiro até chegar ao final. O longa de duas horas de duração e orçamento astronômico para padrões brasileiros — foram 11 milhões de reais, 3,5 milhões apenas para montar a cidade cenográfica em Bagé, Rio Grande do Sul — estreia nesta sexta em todo o Brasil após a pré-estreia no circuito gaúcho, onde foi visto por mais de 67 000 espectadores no fim de semana passado.

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Assim como na obra impressa, recentemente relançada pela Companhia das Letras, o foco da história é o conflito entre as famílias Terra-Cambará e Amaral. No longa, o diretor optou por mostrar a visão feminina do ocorrido, com narração da personagem Bibiana, papel defendido por Marjorie Estiano e Fernanda Montenegro. Na velhice, Bibiana relembra a força das mulheres de sua família e conta com detalhes a história da avó Ana Terra, personagem de Cleo Pires, que vive um drama atrás do outro, desde ter seu grande amor assassinado pelo pai para lavar a honra de sua gravidez inesperada, até sofrer um ataque na estância em que vivia, perder a família e ser estuprada por um grupo de soldados. Únicos sobreviventes, ela e o filho, Pedro Terra, partem para Santa Fé. Lá, Pedro se casa e tem dois filhos, Juvenal e Bibiana. Mais tarde, chega ao local o forasteiro capitão Rodrigo Cambará, papel de Thiago Lacerda, que vive uma complexa história de amor com Bibiana.

Exceto por Cleo Pires, que tinha em mão o melhor papel feminino da saga e não soube aproveitá-lo, o restante do elenco faz um bom trabalho e envolve o público com facilidade.

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Mesmo por se tratar de uma obra complexa, Monjardim não foi o primeiro, e talvez não seja o último, a adaptá-la. O Tempo e o Vento já ganhou outras releituras para o cinema e para a televisão, como no filme Um Certo Capitão Rodrigo (1971), de Anselmo Duarte, e na série O Tempo e o Vento, de Paulo José, exibida pela rede Globo em 1985 — com Gloria Pires na pele de Ana Terra. Mas, dfiferentemente de seus colegas, que ou apostaram em um recorte da obra ou utilizaram mais tempo para abarcá-la, Monjardim é engolido pela magnitude de seu ambicioso projeto, que tenta condensar mais do que deveria em um só filme.

Até a metade, a história é razoavelmente bem conduzida, mas se perde na pressa no restante final. Os exageros característicos do diretor, já conhecidos de Olga (2004), em que um excesso de drama se mistura a uma abundante trilha sonora, deixam o longa com cara de novelão superproduzido. O diretor, no entanto, assume não ter aspirações de fazer algo diferente, afinal, apesar de criticada e até de ser cafona, a fórmula levou 3,5 milhões de pessoas ao cinema da primeira vez. Número que o elenco, recheado de estrelas da Globo — aliás como uma novela — tem tudo para repetir.

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