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Alemanha tenta identificar origem de quadros roubados por nazistas

Por Da Redação 4 nov 2013, 19h27

As autoridades da Alemanha tentam organizar a tarefa gigantesca de estabelecer a origem de 1 500 obras de artistas como Pablo Picasso, Henri Matisse e Marc Chagall, roubadas dos judeus pelos nazistas e recém-encontradas em Munique. As autoridades admitem que trabalham há vários meses no caso, revelado no domingo pela revista Focus, mas mantêm silêncio a respeito, deixando a divulgação do caso nas mãos da promotoria da cidade bávara de Augsburg, que prometeu uma entrevista coletiva para terça-feira.

“Acredito que é a maior descoberta de quadros roubados durante o Holocausto em muitos anos, embora seja uma fração ínfima do número de obras que buscamos”, declarou Julian Radcliffe, presidente do Registro de Obras de Arte Perdidas, com sede em Londres. A Focus calculou que o valor total dos 1 500 desenhos, esboços e quadros pode superar 1 bilhão de euros, mas uma especialista que trabalha no caso afirmou que é impossível fazer uma estimativa.

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O governo alemão reconheceu que estava a par há vários meses da descoberta feita pela Alfândega e ajudou os investigadores com o deslocamento de especialistas em peças de arte avariadas e obras de arte roubadas pelos nazistas, explicou o porta-voz, Steffen Seibert. Ao ser questionado sobre eventuais pedidos de restituição, Seibert afirmou que não sabia de nada.

O serviço de alfândega alemão encontrou, no início de 2011, os desenhos e quadros, que em sua maioria eram considerados perdidos para sempre, em um apartamento de Munique repleto de lixo e latas de conserva com validade vencida, algumas há quase 30 anos. O apartamento pertencia a Cornelius Gurlitt, de 80 anos. Em setembro de 2010, Cornelius Gurlitt foi parado por fiscais da alfândega em um trem que viajava da Suíça para a Alemanha. Ele estava com 9 000 euros em espécie em um envelope. Apesar do transporte da quantia ser considerado legal, os investigadores decidiram segui-lo e, alguns meses depois, conseguiram autorização para revistar o apartamento do idoso.

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Segundo os primeiros elementos da investigação, Cornelius Gurlitt vivia há décadas sem um registro legal e sem trabalho na Alemanha. Ele ganhava a vida com a venda ocasional de algumas das obras reunidas em seu apartamento. Gurlitt herdou as obras de seu pai, Hildebrand Gurlitt, um colecionador de arte morto em 1956 em um acidente de automóvel. Inicialmente ameaçado pelos nazistas por ter uma avó judia, o colecionador se tornou indispensável para o regime de Hitler, ao qual ajudava a vender obras roubadas ou apreendidas no exterior.

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Uma parte importante das obras encontradas procede, aparentemente, da espoliação de judeus, que tiveram as coleções de arte roubadas ou apreendidas no exterior. Segundo a Focus, pelo menos 300 obras de arte pertencem à lista de obras apreendidas pelos nazistas, que integravam a “arte degenerada”, e pelo menos 200 delas são objetos de solicitações oficiais de busca.

As autoridades da Alemanha também optaram pelo sigilo o maior tempo possível em consequência do gigantesco desafio de identificar as obras, assim como de buscar a origem ou os herdeiros. Entre as obras encontradas aparentemente está um quadro de Henri Matisse que pertenceu ao colecionador judeu Paul Rosenberg, que foi obrigado a abandonar a coleção quando fugiu de Paris. De acordo com a Focus, a herdeira legítima da obra é a jornalista francesa Anne Sinclair. que não foi informada da descoberta, segundo a revista.

Venda on-line – Também neste domingo, o popular site de compra e venda americano eBay anunciou a retirada de mais de trinta objetos que teriam pertenciado a vítimas do Holocausto e que estavam à venda em sua página. Entres os itens havia um uniforme listrado, que teria sido usado por um prisioneiro do campo de concentração de Auschwitz, à venda por 18 000 dólares e várias estrelas de David com a inscrição “Jude” (judeu , em alemão), à venda por 165 dólares, de acordo com o jornal britânico Mail on Sunday.

Como meio de se desculpar, o site declarou que doará 30 000 dólares a uma organização de caridade, cujo nome não foi revelado.

(Com agência France-Presse)

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