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‘Águas Mortais’ prova que os tubarões assassinos continuam a entreter com suspense e humor trash

Mais de cinquenta anos após o clássico Tubarão, filmes mostram que os predadores aquáticos seguem em alta

Por Thiago Gelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 jul 2026, 08h00
‘Águas Mortais’ prova que os tubarões assassinos continuam a entreter com suspense e humor trash Priorizar nos meus resultados Google

Em 1975, o filme Tubarão mudou o cinema para sempre. Aquele suspense eletrizante não só lançou Steven Spielberg ao mundo como se tornou o primeiro blockbuster da história. Para além do clássico, o filão movido pelos temidos predadores dos mares se tornou um favorito das telas — sua evolução, porém, vem em roupagens cada vez mais extravagantes, como é o caso do lançamento Águas Mortais (Deep Water, Estados Unidos/Espanha/Austrália/Ucrânia e China, 2026), em cartaz nos cinemas. No longa, não bastasse escapar da queda de um avião no oceano, os sobreviventes precisam lutar para não virar presas em águas infestadas por esses animais.

O projeto vem do finlandês Renny Harlin, que fez sua carreira em Hollywood com filmes exagerados, com sequências bombásticas como as que compõem Do Fundo do Mar (1999), sobre tubarões superdotados que encurralam cientistas em um laboratório flutuante. Mais de 25 anos depois, Harlin retorna à temática por insistência inusitada de Gene Simmons — sim, o vocalista do KISS —, que considerou o know-how do diretor perfeito para inaugurar uma produtora. Com o aval do roqueiro, o cineasta fez um filme tão cafona quanto divertido, mas especialmente caprichoso nas cenas de catástrofe, com o sofrimento de seus petiscos humanos.

REINVENTANDO A RODA - Do Fundo do Mar: obra de 1999 redobra a ameaça com animais evoluídos
REINVENTANDO A RODA – Do Fundo do Mar: obra de 1999 redobra a ameaça com animais evoluídos (Warner Bros. Entertainment/.)

O resultado é suficiente para agradar a fãs do gênero, que vão além de Simmons. Basta olhar para sucessos recentes da Netflix: Ataque Brutal (2026) passou duas semanas no topo do ranking global de audiência da plataforma ao contar a história de uma cidade tomada por uma enchente infestada de tubarões. Em 2024, Sob as Águas do Sena deu o pontapé em uma franquia que imagina Paris submersa. Impossível ainda esquecer da farofa Sharknado, que se tornou uma saga com seis filmes sobre furacões turbinados pelos predadores, entre 2013 e 2018.

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Embaladas pelo trash, essas tramas costumam vir com mensagens ecológicas. Se no antigo Tubarão a catástrofe é causada por um prefeito ganancioso, agora, mudanças climáticas estão por trás da presença desastrosa dos peixões entre as pessoas. Mesmo o abobalhado Megatubarão 2 (2023), com as feras em tamanho gigante, critica a perfuração dos mares. De tão repetida, a implicação transcende o horror. Até crianças compreendem que é melhor não mexer com o animal e seu hábitat: na animação Cara de Um, Focinho de Outro (2026), da Pixar, um espécime simpático tenta abocanhar os que perturbam a cadeia alimentar. A fera favorita do cinema continua faminta.

Publicado em VEJA de 24 de julho de 2026, edição nº 3005

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