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Agressões do ex, trauma e câncer: o que Tina Turner revela em documentário

Na produção da HBO, ainda sem data de estreia no país, a cantora de 81 anos expõe as sequelas da violência que sofreu e narra como budismo a confortou

Por Felipe Branco Cruz Atualizado em 19 mar 2021, 19h46 - Publicado em 18 mar 2021, 12h31

A cantora Tina Turner faz revelações pungentes sobre sua vida em um novo e aguardado documentário. Tina, que estreia no domingo 27 na HBO americana e ainda não tem data para chegar ao Brasil, traz relatos impressionantes dos traumas que até hoje a artista, aos 81 anos, enfrenta devido às agressões que sofreu do ex-marido, Ike Turner. O filme mostra ainda detalhes da violência sofrida por ela, além de expor os diversos problemas de saúde que acumulou nos últimos anos, como um derrame, um câncer intestinal e até mesmo um transplante de rim.

Dirigido por Dan Lindsay e T.J. Martin, o documentário confere lugar central às agressões do ex-marido Ike, de quem Tina se divorciou em 1978. Embora seu drama já seja conhecido do público desde os anos 1980, esta será a primeira vez que ela fala a fundo sobre o que aconteceu. Revela, por exemplo, que fez uma tentativa de suicídio em 1968, após ter ingerido 50 pílulas para dormir nos bastidores de um show. “Eu não estava interessada em contar aquela história ridiculamente embaraçosa da minha vida. Mas eu senti que essa era uma maneira de tirar os jornalistas do meu pé”, diz Tina em um trecho do filme, justificando por que resolveu se expor a respeito da violência no auge da carreira, nos anos 80. Parte dessas informações já tinham sido publicadas no livro autobiográfico Happiness Becomes You: A Guide To Changing Your Life For Good, publicado no ano passado.

A produção põe em cena especialmente as sequelas causadas pelos espancamentos e pela violência psicológica e sexual infligida por Ike contra a então esposa. Tina afirma que até  hoje tem flashbacks daquela época, e diz sofrer de uma forma de transtorno de estresse pós-traumático. No filme, seu atual marido, o alemão Erwin Bach, compara o sofrimento da cantora ao estresse que acomete soldados ao retornar de guerras.

Tina conta também no documentário que em 2013, logo após seu novo casamento, ela sofreu um derrame e sua saúde começou a se deteriorar rapidamente. Em 2016, foi diagnosticada com câncer intestinal, que afetou o funcionamento de seus rins. Numa atitude que Tina considerou “chocante pela enormidade da oferta”, o marido Bach decidiu doar um de seus rins para ela, em 2018.

Um furacão no palco e ícone do rock’n’roll, Tina se viu atingida por outra tragédia nos últimos anos. Em 2018, seu filho Craig se suicidou, aos 59 anos, em decorrência da depressão. A cantora diz que encontrou conforto para suas agruras com a conversão ao budismo. “O budismo me encontrou. O abuso que sofri nos meus 20 e 30 anos tornou-se óbvio para as pessoas ao meu redor e, em diferentes momentos, várias delas sugeriram que eu aprendesse sobre o budismo.” Que o público brasileiro tenha logo a chance de ver o documentário sobre uma estrela tão digna.

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