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Acredite se quiser: o portunhol pode virar patrimônio da Unesco

Por Da Redação 15 jul 2015, 22h04

Parece piada, mas não é. A partir da próxima sexta-feira, acadêmicos brasileiros e uruguaios participarão de uma série de conferências para tentar fazer com que o portunhol, mistura do português com o espanhol, seja declarado Patrimônio Cultural Imaterial pela Unesco. As conversas são o primeiro passo para montar uma proposta formal, segundo Julio Piastre, coordenador de representações regionais do Ministério da Educação e Ciência do Uruguai e um dos promotores da iniciativa. “Primeiro é preciso fazer um debate em nível universitário sobre o portunhol. A história dele na fronteira, na formação, na economia e na identidade da região”, disse.

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Você fala espanhol ou arranha o portunhol?

As conferências, que acontecerão até 14 de novembro, serão gravadas e divulgadas na internet com o objetivo de dotar à iniciativa de uma bibliografia, requisito necessário para levar a proposta perante a Comissão Nacional de Patrimônio do Uruguai. Uma vez transferido o pedido, a entidade nacional avaliará a documentação apresentada e, caso o portunhol seja declarado patrimônio cultural pelo Estado, a comissão será a encarregada de passar o pedido à Unesco.

Piastre afirmou que a ideia das conferências é mostrar que o portunhol influencia a forma de viver e de comercializar na fronteira do Brasil com o Uruguai, que se estende por cerca de 1.000 quilômetros, e que faz com que 450.000 uruguaios utilizem este dialeto, conforme dados do Ministério. O presidente da Comissão de Patrimônio do Uruguai, Nelson Inda, lembrou que para ser considerado pela instituição os acadêmicos devem demonstrar se o movimento faz parte de toda a cultura da fronteira. O portunhol possui expressões próprias do sul do Brasil com outras típicas do norte do Uruguai, o que o tornaria, na opinião dos defensores da ideia, um dialeto diferenciado tanto do português quanto do espanhol.

Entre os conferencistas que participarão dos encontros estão a historiadora brasileira Liane Chipollino Aseff e os historiadores uruguaios Alejandro Gau e Eduardo Palermo, além da linguista Carla Custódio.

(Com agência EFE)

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