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A trajetória de The Weeknd, da vida bandida ao show no Super Bowl

Antes de se tornar um dos músicos mais badalados do momento, Abel Tesfaye foi de vender maconha a enganar garotas para ter onde dormir

Por Tamara Nassif Atualizado em 8 fev 2021, 09h19 - Publicado em 8 fev 2021, 09h15

Há dez anos, quando hits como Born This Way, de Lady Gaga, ou Rolling In The Deep, de Adele, dominavam as rádios, o filho de imigrantes etíopes Abel Tesfaye dava seus primeiros passos na indústria da música pop com a mixtape House of Balloons. Ao misturar música eletrônica, indie rock e R&B, o músico e, hoje mais conhecido pelo nome artístico The Weeknd, emplacou hit atrás de hit, e, no espaço de uma década, saiu das fitas cassetes para estrelar, com louvor, o show de intervalo do Super Bowl LV – a final de proporções astronômicas do campeonato de futebol americano, ocorrida na noite de domingo, 7.

Enquanto o Tampa Bay Buccaneers levantava a taça liderado por Tom Brady, em uma vitória esmagadora contra o Kansas City Chiefs, outro vencedor era coroado na noite: The Weeknd passou a integrar o seleto grupo de artistas que se apresentaram no intervalo do jogo, do qual fazem parte astros como Madonna, Beyoncé, Coldplay, Katy Perry, U2, Red Hot Chili Peppers, Lady Gaga, Michael Jackson e, mais recentemente, o duo Jennifer Lopez e Shakira. “A oportunidade veio alguns anos mais cedo do que esperávamos”, disse o produtor e agente Amir “Cash” Esmailian à revista Billboard.

A faraônica e quase cinematográfica apresentação, de palco superproduzido, fogos de artifício e excelentes dançarinos, contou com um investimento de mais de 7 milhões de dólares (o equivalente a 38 milhões de reais) desembolsados pelo próprio artista, fora as cifras já previamente investidas pela NFL, liga organizadora do campeonato, e patrocinadores. Dado o histórico, a megalomania do show de intervalo do Super Bowl já era esperada, mas um artista como The Weeknd, não – e não por cacife, qualidade ou popularidade musical, mas pelas classificações indicativas de suas músicas.

O cantor The Weeknd em apresentação no intervalo do Super Bowl em 2021, em Tampa, Florida
O cantor The Weeknd em apresentação no intervalo do Super Bowl em 2021, em Tampa, Florida Qi Heng/Getty Images
O cantor The Weeknd em apresentação no intervalo do Super Bowl em 2021, em Tampa, Florida
O cantor The Weeknd em apresentação no intervalo do Super Bowl em 2021, em Tampa, Florida //Getty Images

Na mescla de sons pop, R&B e trap em canções sobre drogas, sexo e excesso de fama, é difícil fugir do selo “linguagem explícita” que vem ao lado dos hits do cantor. Mas, ao longo do último ano, The Weeknd viu sua imagem subversiva ser reescrita pela canção Blinding Lights, que, apoiada por desafios virais do Tik Tok em março, foi pano de fundo sonoro para dezenas de milhares de dancinhas em família. Com isso, o hit meio oitentista teve uma escalada meteórica nas paradas musicais, lotou as rádios, encerrou o ano como a mais ouvida do mundo na plataforma Spotify e cravou um sólido posto entre os top 5 do ranking Billboard Hot 100 por mais de 40 semanas seguidas – um feito recorde.

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Por outro lado, o show no intervalo do Super Bowl pode lhe ter custado todas as indicações ao Grammy deste ano. Segundo o site TMZ, The Weeknd recebeu convites para ambas as apresentações e estava conciliando a agenda, mas os produtores da premiação não gostaram do anúncio do artista como headliner do evento esportivo, e, como resultado, não o nomearam para nenhuma categoria. A justificativa oficial da Academia é que nenhuma das produções dele levou maioria em votações internas. Ofendido, o músico acusou o Grammy de corrupção, enquanto seus fãs falavam em racismo.

Mesmo com tanto mal-estar entre o cantor e premiação, a trajetória dele é abrilhantada por três gramofones dourados: dois em Melhor Álbum Urbano com Beauty Behind the Madness, de 2016, e Starboy, de 2018, e um por Melhor Performance de R&B com Earned It, também em 2016. A canção, aliás, feita para o longa Cinquenta Tons de Cinza, lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Canção Original.

The Weeknd nunca foi muito próximo do pai etíope Makkonen, que abandonou a família quando ele tinha 2 anos. “Tenho certeza que é uma ótima pessoa, nunca o julguei por ter nos deixado. Ele não era abusivo, não era um alcoólatra, não era um imbecil. Ele só não estava lá”, disse à Rolling Stone. Sozinha, a mãe teve de equilibrar uma dezena de empregos para conseguir sustentar o filho em Toronto, no Canadá. Aos 17 anos, largou a escola para viver com o melhor amigo La Mar Taylor – que logo se tornou seu parceiro em “empreendimentos criativos”, como descreveu ao jornal The New York Times. Durante o dia, furtavam comida em supermercados próximos, enquanto à noite iam a bares e consumiam desde MDMA e cocaína a cogumelos, cetamina e Xanax.

Abel chegou a vender maconha para sobreviver. Despejado, começou a pular de cama em cama para dormir e, quando precisava de um lugar para ficar, dizia a uma garota que a amava. “Umas três garotas achavam que eu era o namorado delas”, disse ao New York Times. Quando conseguiu um emprego em uma loja de departamento, começou a escrever e gravar músicas – foi nessa época, em 2011, que lançou a mixtape de House of Balloons, e assumiu o nome The Weeknd buscando total anonimato (o erro de grafia para ‘Weekend’, fim de semana em português, foi porque já havia uma banda com este nome no Canadá). O amigo postou as músicas no YouTube, e, ao final do ano, o agora agente de Drake republicou a fornada no blog da gravadora do rapper. Desde então, a carreira dele vem sendo – tal qual a apresentação de ontem – astronômica.

No fim das contas, The Weeknd admite ter sido movido por medo. “Acho que a pior coisa que alguém pode dizer sobre um artista é: ‘Ele poderia ter sido ótimo’.” Doze álbuns excelentes, três prêmios Grammy e um Super Bowl na conta atestam: ele não precisa ter esse medo mais.

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