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A trajetória de Michael Jordan sem filtros em documentário da Netflix

'Arremesso Final', que revê o último capítulo da carreira do ídolo do basquete, é um raro registro capaz de expor o lado B de um atleta famoso

Por Danilo Monteiro - Atualizado em 15 Maio 2020, 13h58 - Publicado em 15 Maio 2020, 06h00

A história do ala-armador Michael Jordan, o maior jogador de basquete de todos os tempos, é amplamente conhecida. A trajetória do eterno camisa 23 do Chicago Bulls (eterno mesmo, uma vez que seu número foi aposentado pela equipe do Meio-­Oeste dos Estados Unidos) coincidiu com a explosão do uso midiático e mercadológico do esporte — Jordan foi garoto-propaganda de quase tudo. Da Nike, uma das primeiras empresas que apostaram no novato oriundo de uma família humilde da Carolina do Norte, o jogador “ganhou” a marca própria de calçados — que até os dias atuais, vinte anos depois de ter deixado as quadras, é um acessório de moda cobiçado até mesmo por quem nunca fez uma cesta na vida.

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É de surpreender, portanto, o fato de ainda haver espaço para novidades em relação a MJ. A série documental Arremesso Final (The Last Dance, EUA, 2020), cujo décimo e último episódio vai ao ar nesta segunda, 18, na Netflix, faz um panorama da carreira de Jordan usando como fio condutor a última temporada do jogador pela equipe montada pelo lendário treinador Phil Jackson, onze vezes campeão da NBA, a liga americana de basquete. Os episódios são entrecortados por imagens de jogos e depoimentos inéditos de toda sorte de gente (ex-companheiros, adversários, jornalistas, celebridades, o ex-presidente Barack Obama e, claro, o próprio Jordan). O principal: pela primeira vez, exibe-se parte das mais de 500 horas de gravação dos momentos de intimidade de Jordan e do Chicago Bulls nesta “última valsa” — que estavam guardadas num cofre só acessível com a anuência do ex-jogador.

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Exímio marqueteiro, Jordan percebeu a ascensão de LeBron James, que tem brilhado nas quadras dos Estados Unidos pelos últimos quinze anos, e, para não ficar esquecido, liberou o acesso ao material, cuidadosamente decupado pelo diretor Jason Hehir. O distanciamento histórico permitiu maior liberdade para dissecar a personalidade do gênio das quadras, com suas virtudes e defeitos. Documentários esportivos recentes, como Matchday: FC Barcelona (também na Netflix) ou All or Nothing: Manchester City (Amazon Prime Video), até mostram cenas de vestiário, mas sob uma narrativa morna, sem expor os conflitos envolvendo time ou direção. Arremesso Final, ao contrário, fala de tudo: do bullying praticado por Jordan com colegas de trabalho, da personalidade competitiva ao extremo e de sua predileção por jogos de azar e charutos. Aos 57 anos, o próprio MJ admitiu, dias antes do lançamento da série, que as pessoas poderiam vê-lo como alguém horrível por ser tão intenso e rígido. “Nunca quis ser exemplo. Estava focado na minha arte”, disse em um dos depoimentos atuais. “Foi um comportamento egoísta? Provavelmente, mas era daí que vinha minha energia dentro da quadra.”

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Os recordes acumulados e a seriedade com que Michael Jordan conduziu sua carreira como esportista profissional podem não perdoar alguns comportamentos do passado. Mas certamente soam mais verdadeiros que a postura politicamente correta de muitos dos ditos influenciadores dos tempos atuais. Fã de basquete que é, seria interessante que Neymar perdesse algumas horinhas de sua quarentena para, como dizia o slogan de uma campanha dos anos 90, “tentar ser como Mike”.

Publicado em VEJA de 20 de maio de 2020, edição nº 2687

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