A preparação intensa de Juliana Didone para viver Hortência no cinema
Atriz se mudou com a filha e a mãe para São Paulo para interpretar a rainha do basquete brasileiro
Juliana Didone, 41anos, está em uma rotina de treinos, estudos e encontros com Hortência Marcari, 66, para viver a rainha do basquete brasileiro no cinema. A trajetória olímpica da ex-jogadora e de Magic Paula, 64, dois dos maiores ícones do basquete feminino nacional, vai virar filme, com foco nos bastidores da preparação para os Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. No longa, Tainá Müller, 44, interpretará Paula. Em conversa com a coluna GENTE, Juliana conta que sempre teve uma relação próxima com esportes de bola, fala sobre a responsabilidade de interpretar uma personagem real e revela o pedido feito pela própria Hortência.
Você já tinha Hortência como referência antes do filme? Lembrava muito dela. Sou de uma geração que via a Hortência na TV. Em 1996, tinha 12 anos e nem pensava em ser atriz ou estar na televisão. Era uma criança ligada ao esporte. Antes de começar a fazer curso de teatro e de me interessar por essa carreira artística, já me interessava por esportes com bola: basquete, vôlei, handebol. Acho que era terapêutico . Sempre fui ansiosa, extremamente gordinha, que ‘vazava’ muito na comida. Minha mãe tinha restaurante, então comia muito e sofria bullying na escola. O esporte era uma forma de me acalmar.
Como o projeto chegou até você? Foi um convite para um teste. Recebi como presente, mesmo achando clichê usar essa palavra. Tinha um lugar de identificação, não só por ter sido uma criança que jogou basquete e torceu por elas nas Olimpíadas, mas por traços da personalidade da Hortência. Ela veio de uma família humilde, foi uma mulher à frente do tempo dela, deu voz e abriu caminho para que nós construíssemos nossa narrativa. Ela sempre foi dona do destino dela. Acho que também tenho essa coisa de ser dona do meu destino. Com 14 anos, estava viajando sozinha para o Japão. Desejei muito ser aprovada.
O que mudou depois dos encontros com Hortência? Tive três encontros com ela. Antes, já estava vendo vídeos, entrevistas, muita coisa. Mas o real é mais forte. Uma coisa é ver vídeos de alguém que está analisando, outra é estar com a pessoa, perceber o que não está sendo dito, como ela escuta, qual é a energia dela. Descobri coisas que não tinha pescado antes. Ela é super piadista, tem um tom de comédia ótimo. É objetiva, sagaz, rápida no diálogo. Também tem uma coisa moleca, de menina, que achei bonito de ver.
Ela te deu algum conselho? Ela falou que queria que a garra dela estivesse presente. Dentro de quadra e fora também. Acho que essa é uma boa palavra para definir a Hortência. Ela é guerreira. Para eu ser fiel à personalidade e à trajetória dela, essa garra precisa estar bem impressa.
A maternidade é um ponto de aproximação entre vocês? Isso é super parecido. Vi a Hortência falando no Roda Viva que filho viria para somar, que filho não é problema nem estorvo. Ela sonhou em ser mãe. Também percebo minha maternidade nesse lugar. Falo no meu Instagram e no meu monólogo, 60 Dias de Neblina, sobre desromantizar a maternidade. A geração da minha mãe e dos nossos avós tinha que amar a maternidade, ponto. Hoje, a gente pode falar sobre as sombras também. Uso minhas redes e meu trabalho como atriz para dizer: ‘Ei, você que está aí meio louca, tentando ver como educa seu filho, numa semana mais impaciente ou perdida, vem, estou na mesma’. Não se sinta a única perdida no caminho.
Por que você decidiu se mudar para São Paulo com sua filha e sua mãe? Esse filme veio em um momento de carreira especial. Não é todo dia que a gente tem uma protagonista forte para fazer no cinema, uma mulher à frente do tempo. E o centro desse filme não é uma mulher querendo conquistar um homem. Ele fala sobre a trajetória de duas mulheres que tiveram um sonho e fizeram de tudo para conquistar esse sonho, que era uma medalha olímpica. Então, abracei essa oportunidade articulando a minha maternidade. Achei melhor minha filha vir comigo para São Paulo do que eu ir só aos fins de semana. De repente, fiz as malas, fechei minha casa e falei: ‘Vamos todo mundo morar em São Paulo’. Vim com a minha mãe. Enquanto mãe, preciso priorizar a saúde mental e física da minha filha. E, enquanto mulher, também preciso realizar meus sonhos.
Como tem sido a preparação para as cenas de basquete? “ gente tem evoluído a cada dia. Vai ser difícil chegar perto da alta performance delas, de uma vida inteira dedicada ao basquete. Mas já tinha contato com a bola. Mesmo adulta, jogava vôlei de praia como lugar terapêutico. A bola sempre esteve presente, então já tinha uma intimidade ali. Não chegarei jamais nem a 10% da Hortência, mas, com os treinos intensos, a gente tem ganhado propriedade. Vai dar para fazer uma cesta real. Não vai precisar ter só dublê.
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