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A moda carioca encontra sua própria praia

Tecidos leves, modelagem confortável, cores vivas compõem uma fórmula que diversificou a produção das grifes e tornou lucrativa a "alma" da cidade

Por Aline Erthal 11 jan 2011, 14h06

“Hoje, o Rio produz a moda que tem a cara do Brasil. As grifes que mais crescem no país são as cariocas: nos últimos três anos, elas aumentaram em 500% o número de lojas em shoppings”, informa Eloysa Simão, diretora do Fashion Business

Durante anos, moda carioca foi sinônimo exclusivamente de biquínis e alguns acessórios de praia. Eles continuam respondendo por quase a metade de tudo o que se produz no estado. Mas, aos poucos, a diversificação se impõe, e dá fôlego a a eventos como o Fashion Rio mesmo nas temporadas de outono/inverno. “A participação que a moda praia tinha na indústria da moda dez anos atrás se diluiu por outros setores. Nossas exportações de biquínis continuam crescendo, mas hoje vemos peças como jardineiras, calças e vestidos entre os mais vendidos lá fora”, diz Cristiane Alves, gerente do Senai Moda, o braço fashion da Firjan. Os números comprovam: em 2000, produtos que não se encaixavam nem na categoria de moda praia nem na de moda íntima respondiam por apenas 22% das exportações do Estado do Rio. Em 2010, eles alcançaram mais da metade do volume exportado: 55%.

Apesar dessa mudança substantiva, na hora de definir a moda carioca estilistas, empresários, organizadores de eventos e pesquisadores recorrem a um leque de termos subjetivos, que remetem muito mais a atitudes do que a traços de um croqui: lifestyle, descontração, contato com a natureza, sofisticação, vanguarda, estilo cool e cosmopolita. Evidentemente cada grife traduz esse amontoado de “conceitos” à sua maneira. Mas, na prática, a tal “alma carioca” que batiza esta edição do Fashion Rio pode ser definida de forma bem simples. Tecidos sofisticados e leves, como a seda; modelagens que privilegiam o conforto sem perder a elegância, como uma alfaiataria esportiva; cores vivas e estampas exclusivas. “Roupa alegre e fácil de usar, que não exige bula para vestir”, resume Eloysa Simão, diretora do Fashion Business, feira de negócios que acontece na Marina da Glória. Quase 20 anos atrás, a empresária criou a primeira semana de moda do país – que, mais tarde, viria a se tornar o Fashion Rio. Acompanhou de perto a geração e desenvolvimento do setor. “Hoje, o Rio produz a moda que tem a cara do Brasil. As grifes que mais crescem no país são as cariocas: nos últimos três anos, elas aumentaram em 500% o número de lojas em shoppings”, informa.

A moda praia continua como um dos pilares dessa indústria, com 28% das exportações do setor no Estado do Rio. E mesmo o que é classificado como “outros produtos” conserva um clima de balneário. “O Rio é uma das poucas megalópoles com praia. E isso está no DNA das nossas roupas, que vão da beira-mar a uma festa com elegância e sem complicação”, acredita Alexandre Aquino, sócio da Maria Bonita Extra. Quem compra essa moda não quer levar apenas uma roupa, mas um estilo de vida.

Diversificada e com identidade própria, a moda do Rio conquista mercados cada vez mais qualificados. Em 2000, mais de 75% das exportações tinham como destino países em desenvolvimento. Entre os cinco primeiros, quatro eram sul-americanos: Argentina, Chile, Paraguai e Bolívia, além dos EUA em terceiro. Dez anos depois, são as nações desenvolvidas nosso principal consumidor, com quase 70% de participação nas compras. Os Estados Unidos aparecem como principal parceiro, enquanto outros três países são europeus: França, Portugal e Itália. A Argentina fica em quinto.

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