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“A mitologia é universal”, diz Rick Riordan, autor da saga Percy Jackson

Aos 57 anos, escritor lança novo livro inspirado na literatura de Júlio Verne e fala do apreço de escrever sobre os antigos deuses para adolescentes

Por Amanda Capuano Atualizado em 1 dez 2021, 18h49 - Publicado em 27 nov 2021, 08h00

Seu novo livro, A Filha das Profundezas (Intrínseca), é inspirado na literatura do francês Júlio Verne (1828-1905). Qual sua visão sobre a obra dele? Sempre amei as ideias de Verne. Ele imaginou muitos avanços científicos que se concretizaram. Além disso, se vê por Percy Jackson, filho de Poseidon, que eu sou fascinado pelo mar. Sabemos pouco sobre os segredos, monstros e tesouros que o oceano guarda.

Escrever sobre o oceano foi mais fácil do que escrever sobre mitologias? Que nada! Exigiu ainda mais pesquisa. Tive a ideia em 2008 e desde então li dezenas de livros sobre guerras marítimas, o oceano e submarinos. Tirei um certificado de mergulho e viajei de barco por diversos lugares.

Percy Jackson vendeu 70 milhões de cópias no mundo — sendo 5 milhões só no Brasil. Agora, a saga que já foi vertida em filmes será adaptada em uma série para o Disney+. O que pode adiantar sobre esse projeto? Está tudo correndo muito bem. Já temos diretores, roteiristas e toda a equipe técnica. Acabamos de começar a seleção do elenco e iniciaremos as filmagens em junho de 2022, para que a série seja lançada em 2023. Minha esposa e eu estamos diretamente envolvidos em cada detalhe, então estou otimista porque creio que agora teremos uma adaptação divertida e bastante fiel dos livros.

Em Percy Jackson, o senhor explora a mitologia grega. Seus outros livros também falam sobre deuses antigos, dos romanos e egípcios aos nórdicos. Por que o tema o atrai? A mitologia está aí há milhares de anos porque é universal. As histórias abordam uma série de experiências intrínsecas à humanidade, como o amor, a guerra, a inveja, o bem e o mal, a vida e a morte. Os deuses foram os nossos primeiros super-heróis, bem antes da Marvel existir. Eles são personagens imortais poderosos, mas também são falhos, e é exatamente isso que os torna interessantes para a literatura.

O gosto por entender deuses do passado tem alguma ligação com suas crenças? Eu passei por diferentes fases espirituais. Fui criado em um ambiente católico, mas meus pais eram jovens dos anos 60, então havia uma abertura para a cultura hippie e outras espiritualidades, como o budismo, o paganismo celta e o taoismo. Não tenho uma religião, sou um cético que tende a ver o lado ridículo de histórias sagradas. Dito isso, respeito a necessidade que a humanidade tem de ser espiritual, e reconheço que há meios válidos para se desenvolver esse lado.

Publicado em VEJA de 1 de dezembro de 2021, edição nº 2766

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