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A maratona alemã de cinema está ainda mais política

Festival protesta contra a prisão do diretor iraniano Jafar Panahi, impedido de participar do júri. Filme de abertura será 'Bravura Indômita', dos irmãos Coen

Por Carlos Helí de Almeida, de Berlim 10 fev 2011, 07h08

O 61º Festival de Berlim começa nesta quinta-feira com uma das sete cadeiras do júri, a reservada a realizador iraniano Jafar Panahi, ainda vazia. O gesto é uma das formas que a organização da maratona alemã encontrou para protestar contra a prisão do premiado diretor de O Círculo (2000), decretada em dezembro pelo governo de Mahmoud Armadinejad. O pontapé inicial da programação será dado com a projeção de Bravura Indômita, refilmagem do clássico de Henry Hathaway, com John Wayne, dirigida pelos irmãos Joel e Ethan Coen e indicada a dez categorias do Oscar.

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Em solidariedade a Panahi, conhecido por filmes que falam sobre a situação social do Irã, o festival também exibirá quatro de seus longas-metragens, incluindo Offside, que ganhou o Urso de Prata de direção em 2006. Além disso, a Berlinale abrigará um debate com cineastas iranianos que vivem no exílio. A múltipla iniciativa reforça o perfil político que o evento cinematográfico, um dos três maiores do mundo, ao lado de Cannes e Veneza, adquiriu com a gestão de Dieter Kosslick, que assumiu o posto em 2001.

Ao longo de 10 dias de atividades – que incluem uma retrospectiva do diretor sueco Ingmar Bergman – serão exibidos cerca de 400 títulos, vindos de 58 países diferentes.

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Wagner Moura em filmagens de Tropa de Elite 2 VEJA

A participação brasileira se limita às mostras paralelas, com a exibição dos longas Tropa de Elite 2, de José Padilha (Panorama), Os Residentes, de Tiago Mata Machado, e do curta Ensolarado, de Ricardo Targino (Geração). Padilha volta à Berlinale três anos depois de ganhar o Urso de Ouro de melhor filme com Tropa de Elite, vitória duramente questionada na época pela imprensa internacional. O diretor carioca virá acompanhado dos atores Wagner Moura, protagonista do filme visto por mais de 11 milhões de brasileiros, e da atriz Maria Ribeiro.

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