‘A gente enterra o sistema tradicional de novela’, dizem especialistas sobre morte de atrizes
Laura Cardoso e Glória Menezes morreram com menos de 24 horas de diferença; pesquisadores de teledramaturgia comentam impacto
Em menos de 24 horas, o Brasil perdeu duas das maiores atrizes da teledramaturgia. Glória Menezes morreu nesta terça-feira, 18, aos 91 anos, e Laura Cardoso na segunda-feira, 17, aos 98 anos. Ambas eram referência na área da atuação. “Foram símbolos do modelo anterior e, com a morte delas, se vai um pouco também. A gente também enterra o sistema tradicional da telenovela”, diz Bruna Aucar, professora do PPGCOM da PUC-Rio.
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Apesar de elas representarem a fase áurea da televisão, com as produções da década de 1970, tiveram trajetórias diferentes e se mantiveram no auge nas décadas seguintes. Enquanto Laura começou na radionovela, migrou para o teleteatro e se consolidou nas novelas, Glória surgiu no teatro, onde fundou o grupo Jovens Independentes e participou de seus primeiros espetáculos teatrais. Seu primeiro trabalho profissional lhe rendeu um prêmio de revelação em um festival de teatro.
“Quando elas migram para a televisão, a gente pode dizer que são símbolo da invenção da televisão no cotidiano brasileiro. Porque elas vão estar à frente de narrativas que começam a se organizar junto à vida social brasileira pela programação televisiva. Elas se tornam expoentes de uma sociedade que se ancorou nos meios de comunicação como modelos civilizatórios”, explica Tatiana Siciliano, também pesquisadora e professora do PPGCOM da PUC-Rio.
Um dos pontos centrais da carreira de Menezes foi a parceria entre ela e o marido, Tarcísio Meira. Ao todo, contracenaram em mais de dez novelas. “A gente pensava em um, e logo no outro. Glória Magadan (novelista cubana) quis separar os dois em alguns de seus trabalhos (ainda na década de 1950), mas não dava. O público gostava de vê-los juntos”, relembra Cristina Mungioli, professora da Universidade de São Paulo (USP). Outro fato curioso é que Silvio de Abreu só conseguiu aprovar Guerra dos Sexos, porque Glória aceitou fazer a trama e, por sua vez, convenceu Tarcísio. “Ele deu o crédito para ela, disse que se os dois aceitaram, era para fazer”, recorda o pesquisador Francisco Malta.







