A fórmula de Riley Sager, o best-seller por trás de ‘O Massacre da Família Hope’
Autor lança 'Desconhecido', no qual ironiza a onda dos true crimes enquanto mantém o leitor preso em mais um mistério insolúvel
O americano Todd Ritter — nome por trás do pseudônimo Riley Sager —, 53 anos, apaixonou-se pelos livros na infância e percebeu que escrever podia ser tão divertido quanto ler. Virou jornalista, atuando como repórter e crítico de cinema — vertente que o alimentou de matéria-prima vasta para tecer suspenses com toque hollywoodiano. Em seu novo livro, Desconhecido, que acaba de chegar ao Brasil, ele aproveita para alfinetar a obsessão da indústria do cinema com os true crimes, filão que explora crimes reais. Seguindo duas linhas temporais, ele desenvolve a história de cinco mulheres que desapareceram, em 1926, em uma ilha remota e, 100 anos depois, das gravações de um filme que dramatiza o caso no local. Conforme a equipe se aprofunda na trama, situações macabras e sobrenaturais ameaçam os bisbilhoteiros.
A ideia intrigante diz muito sobre a fórmula abraçada pelo autor e que lhe garantiu, recentemente, o título de best-seller, com mais de 5 milhões de livros vendidos no mundo: Sager escreve suspenses psicológicos com reviravoltas e crimes insolúveis que instigam a leitura compulsiva — com desfechos raramente descobertos antes do fim pelo leitor. É uma fórmula antiga, mas feita de forma muito requintada. “Eu imagino uma situação e depois maneiras de torná-la mais tensa e misteriosa, sem perder a verossimilhança”, disse ele a VEJA.
É o caso de O Massacre da Família Hope (2024), que acompanha a relação de uma idosa e sua cuidadora, com quem compartilha uma peculiaridade: ambas foram suspeitas de terem matado familiares. A obra já passa de 220 000 cópias vendidas no Brasil. O país, aliás, abriga um de seus maiores redutos de fãs — popularidade descoberta por ele em um encontro com o escritor carioca Raphael Montes em Nova York neste ano: “Ele me contou o quanto eu vendia no Brasil e não acreditei até ver as listas”.
Com o sucesso global e o interesse de estúdios de cinema em realizar adaptações — o direito de cinco títulos já foi adquirido por Hollywood —, o autor adotou um estilo pragmático para proteger a saúde mental: ignorar as críticas. Algumas resenhas desdenham da qualidade literária das obras, algo a que ele responde citando o ditado americano “Don’t yuck someone else’s yum” — algo como “não desdenhe do prazer alheio”. Para Sager, seja na alta literatura ou em um thriller pop para devorar no fim de semana, o valor fundamental reside no respeito à experiência do leitor. Mantendo em segredo o manuscrito de seu próximo projeto, o autor prova que a arte do suspense consiste em deixar o público faminto pelo próximo capítulo.
Publicado em VEJA de 25 de setembro de 2026, edição nº 3014





