A culpa não é do mordomo: Guilherme Piva fala de ‘Quem ama cuida’ e teatro
Aos 52 anos, ator é o convidado do programa semanal da coluna GENTE
Em quase todo clássico de mistério, a culpa recai sobre o mordomo. Não deve ser, porém, dessa vez que cairá sobre Edvaldo, o faz-tudo da mansão do clã Brandão de Quem ama cuida, a culpa pelo assassinato de Ulisses (Antonio Fagundes). Bem-humorado, Guilherme Piva, 52 anos, brinca com a situação aos cair nas graças do público. Convidado do programa semanal da coluna GENTE (disponível no canal VEJA+ no Youtube, no streaming da TV Samsung Plus, LG, TCL e Roku), ele também fala, entre outros assuntos, sobre o prazer por dirigir peças teatrais – atualmente, está em cartaz com Visitando o Sr. Green, no Teatro Vannucci, no Rio. assista ao bate-papo.
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MORDOMO EDVALDO. “Adoro fazer o Edvaldo. Ouço muito na rua: ‘quero ser amigo do Edvaldo’, ‘queria ter o Edvaldo na minha casa’. Quando a gente começa a fazer a novela, além da preparação toda, Amora (Mautner, diretora) manda um questionário para a nossa casa de 80 perguntas, das mais variadas possíveis. Desde ‘o que tem no quarto dele, na mesa de cabeceira, como ele escova o dente’, até coisas como ‘que livros ele lê, como foi a infância dele’. E eu adoro esse tipo de coisa. Fui fazer toda uma história dele na minha cabeça. A gente devolve isso para a diretora e para a produção. E quando vai gravar, tem a sua caixa com coisas do personagem. É uma criação conjunta”.
IMPROVISO COM WALCYR. “Amora tem um outro tipo de parceria com ele, onde é permitido esse improviso. Claro que coisas mais cruciais ela fala com ele, mas a gente tem uma grande (liberdade). Meu núcleo é uma trupe teatral. E é bom que todos da cozinha viemos do teatro. A gente improvisa muito. Amora vem com propostas, mas a gente também tem as nossas”.
MUDANÇAS NO FAZER. “Cada novela tem seu tempo. A das 6 é um tempo. A das 7 é um pouco maior… Xica da Silva (TV Manchete, 1996) foi uma novela muito grande, fez muito sucesso. A gente ficou um ano gravando, como deve ser com Quem ama cuida. Os termos de produção mudaram muito. E o aparato tecnológico é outro. Hoje em dia, eu gravo no estúdio 12, 13 cenas. Às vezes, um pouco mais. E já cheguei a gravar 25, 30. Hoje em dia, tem mais cara de série. Filtros, cores, trilhos, zooms. Para cada take desse, tem que mudar. Botar um trilho, mas torna a novela mais bonita, interessante. A linguagem conta história”.
TELEVISÃO E REDES SOCIAIS. “Vejo os problemas e o lado bom de tudo. Da rede social, do Instagram, que não faz parte da minha vida, não consigo entrar nisso. Muita coisa de influencers, de atores, essa mistura… faz parte da vida, quando criança ouvia: ‘chegou a televisão’. E começa minha avó falando: ‘Não tinha isso, a gente ficava lendo ao redor da mesa. A gente contava histórias. A televisão vai estragar tudo’. As crianças agora estão ligadas em celular, joguinhos e YouTube. E vejo bastante crítica. E realmente é uma questão. Mas gosto muito de neurociência. Dizem que o cérebro não acompanha (tanta informação). Não conseguem mais ver um filme longo. Não conseguem ler um livro, uma página”.
QUASE PUBLICITÁRIO. “Queria ser publicitário. Queria muito, muito mesmo. Morei em Cachoeira do Sul (RS), depois fui para Brasília por oito anos e em Porto Alegre dois anos. Me lembro de gostar de slogan e de visual. Sempre pensei em slogans. E aí me lembro que tinha um festival de publicidade em Porto Alegre e que eu não tinha idade para entrar, mas falsifiquei carteirinha. Lembro de ver uns comerciais sentado, assim, falando ‘que coisa mais genial, quero fazer isso’. Gostava desse lugar de criação. Mas aí acabei indo para o Direito. Meu pai queria muito que eu fosse advogado e resolvi fazer faculdade. Ao vir para o Rio de Janeiro, vi um anúncio do jornal da CAL. Nunca passou pela minha cabeça ser ator, não era uma questão… Era muito tímido, não tinha coragem de nada”.
O QUE O TEATRO DEU E A TV NÃO. “O know-how, eu acho. Ele me preparou para a televisão. Quando fui fazer minha primeira novela, Xica da Silva, (o diretor) Alexandre Avancini me viu numa peça infantil e me chamou para um teste. Fiz e passei. Só que estava produzindo uma peça, minha primeira peça de produção, O Submarino, que o Miguel Falabella escreveu. Já estava com a peça toda engatilhada para a estreia, botando dinheiro meu. Falei para o Avancini que não podia entrar na novela. Fiquei arrasado. No último fim de semana da peça, ele me ligou: ‘Estou com uma questão com um ator aqui, queria muito que você viesse aqui amanhã de manhã conversar comigo’.
MEDO DAS TELAS. “Não sei se eu caibo na televisão, sou muito expressivo, trabalho com composição. Eu fazia teatro já há muito tempo e me sinto muito teatral. Foi o Avancini quem me deu coordenadas. Lembro de coisas até hoje que uso, que ele falava: quanto maior a composição, maior a verdade. Ele falou ‘cuidado com o olhar.’ Tanto que eu trabalho muito com composições na televisão”.
DESCOBRINDO-SE DIRETOR. “Não digo que é mais ‘confortável’, mas (a direção) foi a descoberta de um amor. Foi um tesão, igual quando virei ator. Quando comecei na carreira, tive esse lugar que falei: ‘daqui ninguém me tira, daqui não saio nunca mais’. E a direção aconteceu isso mais uma vez”.
NAMORO E MORAR SOZINHO.
“Não, não tenho (vontade de levar o namorado para casa), porque o meu namorado tem dois filhos, ele tem uma outra vida. Ele tem guarda compartilhada, eu adoro os filhos dele, mas também preservo esse meu lugar. Então temos vidas muito diferentes em termos. Ele tem dois filhos, um de 9 anos e uma de 13. Ainda está nesse momento, é super pai e tal”.
Captação de imagens e edição: Libário Nogueira / Agradecimento: Hotel Nacional e Elev Comunicação / Sobre o programa semanal da coluna GENTE. Quando: vai ao ar toda segunda-feira. Onde assistir: No canal da VEJA+ no Youtube; Samsung TV Plus (canal 2075), LG Channels (canal 126), TCL Channel (canal 10031) e Roku (canal 221).







