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A batida dos operários na Cidade do Rock

Cerca de 600 trabalhadores concluem a montagem das estruturas e da decoração do Rock in Rio

Por Leo Pinheiro 21 set 2011, 16h14

No térreo, cerca de 600 trabalhadores ainda acertam os últimos detalhes da montagem dos palcos Mundo e Sunset, da tenda eletrônica, da Rock Street, Área VIP, camarins e áreas de atendimento ao público. Também está sendo montado na Cidade do Rock um hospital móvel com 20 leitos e UTI

O som, por enquanto, ainda é de máquinas, batidas e da voz de comando o engenheiro Walter Ramires, engenheiro responsável pelas obras na Cidade do Rock. Mas o ritmo, inegavelmente, é de rock’n’roll. “Temos 90% da infraestrutura do festival toda pronta. Sempre falta um detalhe aqui e ali. Atrasos pequenos são naturais, o que não podemos é perder tempo”, explica, enquanto se desdobra na coordenação de várias equipes o ‘prefeito’ do Rock in Rio.

Alguns dos detalhes a que se refere Ramires não são pequenos. A roda gigante de 36 metros e quase 80 toneladas tinha previsão de conclusão na segunda-feira, mas na tarde de terça ainda recebia as cabines. A tirolesa, outro dos brinquedos do festival, que vai passar sobre as cabeças do público em frente ao Palco Mundo, ainda não tinha sido montada. E todos na Cidade do Rock estão curiosos para ver como vai funcionar o sistema que vai levar o público para um passeio pelo ar rente à montanha de som do Rock in Rio.

Já o free fall e a montanha russa estão montadas desde terça-feira, mas passam por vistorias de técnicos da Defesa Civil e Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio de janeiro e por retoques no layout.

“Temos que acabar hoje”, dizia, na terça-feira, Guilherme Gomes, responsável pela decoração da montanha russa. Para não se arriscar a perder o prazo e ter que pagar uma pesada multa à organização do Rock in Rio, Guilherme, matriculou uma de suas funcionárias, a produtora, Lulu Chavarry, no curso de direção de guindastes. Há dez anos no ramo de produção de eventos, a moça de 32 anos não esperava passar por esta experiência. Mas diz estar adorando o novo “brinquedo”. “Eu não tenho nem carteira de motorista ainda, mas fiz o curso de uma semana para pilotar esta plataforma e agora estou habilitada a operá-la por um ano. Tomara que eu tenha oportunidade de usá-la em outro evento”, divertia-se Lulu, explicando que fez o curso para cobrir os horários de folga dos operários que trabalham com montagem e manutenção de equipamentos em altura.

No térreo, cerca de 600 trabalhadores ainda acertam os últimos detalhes da montagem dos palcos Mundo e Sunset, da tenda eletrônica, da Rock Street, Área VIP, camarins e áreas de atendimento ao público. Também está sendo montado na Cidade do Rock um hospital móvel com 20 leitos e UTI.

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No Palco Mundo, o principal do Rock in Rio, mais de 50 trabalhadores, entre operários, produtores e técnicos preparavam o ‘solo sagrado’ onde pisarão as 40 maiores atrações. Desde o primeiro dia na montagem do tablado, o carregador Rodrigo Cristian, de 20 anos, disse estar honrado com a oportunidade de trabalhar perto dos artistas internacionais que se apresentarão no evento. “Estou acostumado a trabalhar em shows de grandes artistas. Já fiz mais de 50, de Roberto Carlos a Paul McCartney, mas é fora do comum ter todos juntos aqui numa estrutura como essa”, diz Rodrigo.

O carregador estará mesmo perto das estrelas. Ele também trabalhará na mudança de palco de cada atração, e espera ver de perto os ídolos do Coldplay. “Esse é o show que eu mais quero ver. Trabalhei com eles na Apoteose e virei fã da banda. Vai ser muito legal estar nos bastidores aqui com eles e pegar nos instrumentos deles”. Já seu primo Maicon César, de 21 anos, sonha em ver de perto a musa Rihanna. “Carrego qualquer peso que ela me pedir, mas o que eu queria mesmo era servir um drinque para ela”, sonha o rapaz.

Mesmo enfrentando 12 horas de trabalho diário e mais seis horas no trânsito entre a vinda para a Barra da Tijuca e a volta para Nova Iguaçu, onde moram, os carregadores trabalham com alegria. “A gente rala para caramba, se cansa muito. Então, tem que ter alguns minutinhos de diversão”, justifica Maicon. Nos poucos instantes de intervalo, cantam e dançam para os colegas e fingem serem artistas do palco que ajudaram a construir. “A gente fica olhando para a platéia vazia e começa a dançar imaginando que está fazendo um show de funk para uma multidão. Só que o nosso show começa antes e termina depois do de todos os artistas. Coloquei a primeira tábua de madeira e só vou embora depois que tirar a última lâmpada”, afirma Rodrigo.

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