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’11-11-11′ fala de fé e da iminente destruição da Terra

Por Da Redação 11 nov 2011, 10h45

Por AE

São Paulo – O mundo vai acabar hoje. É o que garante a teoria de “11-11-11”. Resumidamente, reza a lenda que existem 11 portais que ligam céus ao ‘nosso mundo’. E que o décimo primeiro portão se abrirá às 11h11 (AM ou PM?), libertando, por 49 minutos, uma força sobrenatural que destruirá o planeta.

Mas o fim do mundo não é o fim do mundo. Não o que se espera que seja. É só assistir ao aguardado “11-11-11” para entender tudo. Escrito por Darren Lynn Bousman (de “Jogos Mortais 2, 3 e 4”), o filme conta a história do escritor Joseph Crone (Timothy Gibbs), que, apesar de vender milhões de livros, vive em um quarto de hotel atormentado pelo trauma recente da morte da mulher e do filho em um incêndio. Ele é ateu e terá sua fé posta à prova. Não bastassem suas tragédias pessoais, para o deixar mais descrente ainda, ele (após sobreviver a um acidente de carro) recebe uma ligação do irmão, avisando que seu pai estava à beira da morte.

Detalhe: o pai mora com o irmão em Barcelona, para onde levou a família há anos e onde fundou sua própria congregação. O líder (messias, profeta ou algo parecido) desta congregação é seu irmão Samuel (Michael Landes). Entre pesadelos com anjos que estão mais para demônios, visões e aparições, incluindo a do insistente 11-11, que se repete quando Joseph acorda de um pesadelo, na hora exata em que seu filho morreu, Joseph começa a questionar a falta de fé e acreditar que sua missão é ajudar o irmão, que vive em uma cadeira de rodas e não conseguirá sozinho liderar a nova era.

Até aqui, nada de novo no fim do mundo. Ou quase. Escrito pelo próprio Bousman, o roteiro joga muito bem com mitologia do número 11, com a simbologia católica e com o fato de que acreditar em Deus é também acreditar no Diabo. É interessante a ironia de levar a família para Barcelona, que rende boas dicotomias entre a Catedral da Sagrada Família e a negação de Deus. A família é importante… Ele se sente um peixe fora d’água… Mas quer fazer as pazes com esta família… O irmão o alerta: seja o que for que está se aproximando de você, não é do bem. O mal se disfarça em pele de cordeiro. É… É bíblico.

O que está na tela é este caldeirão de referências tanto mitológicas e religiosas quanto cinematográficas. Quem é fã atento de clássicos como “O Exorcista, A Profecia” e até mesmo de “A Hora do Pesadelo” não vai ter dificuldade de descobrir que Bousman fez sua lição de casa. “Quanto mais escrevo, mais me questiono. Estou em um ponto em que sinto que ninguém vai acreditar no que estou escrevendo”, postou Bousman em seu blog (vale a pena ler só para entender melhor a cabeça do criador: http://www.darrenlynnbousman.com). Em se tratando de terror, coerência é o que menos importa, contanto que o medo importe. No caso de “11-11-11”, importa que o mal caminha entre nós. Só por isso, e pela banalidade deste mal, o filme e a própria realidade já são suficientemente assustadores. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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