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O negócio das águas: o que explica o sucesso dos parques aquáticos no Brasil

Com novas atrações a caminho e lugares já conhecidos se renovando, eles se tornam itens indissociáveis (e lucrativos) da paisagem nacional

Por Natalia Tiemi Hanada Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 set 2026, 08h00 | Atualizado em 8 set 2026, 11h29
O negócio das águas: o que explica o sucesso dos parques aquáticos no Brasil Priorize VEJA no Google

Há quase dois séculos, os brasileiros viajam em busca de água. Lá pelos idos do século XIX, cidades como Caxambu e Poços de Caldas converteram fontes minerais em destinos de saúde e lazer. Ao redor das águas surgiram balneários, hotéis e restaurantes. A água era o motivo da viagem — o entretenimento vinha no pacote. Nos dias de hoje, uma nova safra de parques aquáticos está atualizando essa fórmula. A promessa medicinal deu lugar a piscinas de ondas, praias artificiais e toboáguas vertiginosos. Permanece, porém, a ideia de transformar a água em destino — e construir ao redor dela uma experiência capaz de justificar uma viagem de férias e lazer.

Ao mergulhar nessa onda, os brasileiros estão fazendo dos parques aquáticos um grande negócio. Dados do relatório do Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas (Sindepat) e da Associação Brasileira de Parques e Atrações (Adibra) apontam uma concentração de 28,6% dos investimentos em novos projetos de entretenimento no país exclusivamente em parques aquáticos, superando os de diversão e outras atrações turísticas. E não é pouco dinheiro colocado no setor: são 7,1 bilhões de reais aplicados em setenta novos projetos, sendo vinte deles aquáticos.

SUCESSO NO INTERIOR - O parque em Olímpia: o maior da América Latina
SUCESSO NO INTERIOR – O parque em Olímpia: o maior da América Latina (Hot Beach OlímpIA/.)

A expansão chama atenção, sobretudo, no interior. Durante muito tempo, famílias de regiões afastadas precisavam percorrer centenas de quilômetros para encontrar grandes atrações. Agora, os empreendimentos vão atrás desse público. “Existe a tendência de novos empreendimentos em regiões mais interioranas para se aproximar do público”, diz Luciano de Oliveira, engenheiro civil e sócio da AquaPlan, responsável pelos projetos do Chapada Park, no Mato Grosso, e do Araxá AcquaPark, em Minas Gerais.

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Não é apenas uma questão de distância. Para quem vive longe do mar, o parque aquático faz as vezes de uma praia particular — com a vantagem de estar perto de casa. “Os consumidores buscam cada vez mais experiências, e os parques e atrações entregam justamente isso: experiências memoráveis para famílias”, afirma Carolina Negri, presidente-executiva do Sindepat.

A fórmula tem ainda um trunfo: consegue reunir diferentes gerações. Crianças pequenas podem ficar nas piscinas infantis, adolescentes enfrentam os toboáguas e adultos escolhem áreas de descanso. É um raro programa de lazer que consegue acomodar uma família inteira. Os novos empreendimentos descobriram também que o visitante não precisa ir embora no fim do dia. Projetos como o Chapada Park, em Mato Grosso, e o Araxá Acqua­Park, em Minas, ambos com abertura prevista nos próximos meses, se propõem a ser não só uma parada na viagem, mas um destino completo. Hotéis, resorts, restaurantes e outras atrações são incorporados aos complexos.

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OÁSIS - O Acquaí Park: complexo abrirá em breve na Paraíba
OÁSIS - O Acquaí Park: complexo abrirá em breve na Paraíba (./Divulgação)

Com praia artificial, piscina de ondas e toboáguas impressionantes, empreendimentos assim vêm acompanhados de outra estratégia: transformar o visitante em cliente recorrente por meio de passaportes de acesso a longo prazo. “Esse modelo tem ganhado espaço porque oferece previsibilidade de receita aos empreendimentos, aumenta a fidelização dos clientes, melhora o planejamento e reduz os impactos da sazonalidade”, diz Suerlan Santos, COO do Acquaí Park, a ser aberto em breve na Paraíba.

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A ideia de criar destinos aquáticos longe das capitais não é nova. O Thermas dos Laranjais, em Olímpia, no interior paulista, nasceu de um clube social construído sobre águas quentes do Aquífero Guarani e se transformou no parque aquático mais visitado da América Latina, com quase 2 milhões de visitantes anuais. Mais recentemente, novos lugares se juntaram ao clube. É o caso do Multiparque, em Balneá­rio Camboriú (SC), criado em 2024 e que agora constrói um hotel anexo.

GIGANTE - Araxá AcquaPark: feito para ser destino completo
GIGANTE - Araxá AcquaPark: feito para ser destino completo (./Divulgação)
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Os veteranos se renovam para manter seu apelo. O Beach Park, no Ceará, investiu no Surreal. “É a montanha-­russa aquática mais alta do mundo e reconhecida pelo Guinness World Records”, diz Murilo Pascoal, CEO do complexo. O Wet’n Wild, entre São Paulo e Campinas, prepara a Kobra, sua própria montanha-russa aquática.

O crescimento, porém, nem sempre vem livre de atritos. Esses complexos exigem água, energia, infraestrutura e extensas áreas de construção. O Acqua Thermas Park, em Sorocaba, que anuncia um toboágua de 60 metros, enfrentou dificuldades no licenciamento ambiental e suas obras estão paradas. A água, principal matéria-prima do negócio, é também um de seus pontos delicados. Compreende-se sua força estratégica: quando a vida aperta, algumas horas dentro dela valem uma viagem inteira.

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Publicado em VEJA de 4 de setembro de 2026, edição nº 3011

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