Na contramão do luxo minimalista, as joias de proporções apoteóticas estão de volta
Elas são ostentadas sem pudor por celebridades e aparecem nas coleções comerciais
Na turnê de divulgação de A Odisseia, novo filme arrasa-quarteirão de Christopher Nolan, a estrela Zendaya marcou presença sempre em visual expressivo, que dialogava com a caracterização de sua personagem — a deusa grega Atenas. Mas todos os olhares se dirigiam para certos detalhes chamativos: as imensas peças de joalheria que ela usava. Na festa após o lançamento do filme em Paris, há poucos dias, a atriz surgiu com um vestido branco escultural do tipo sereia, da grife Louis Vuitton, combinado com uma gargantilha portentosa da joalheria francesa Messika, que trazia no centro uma tanzanita de 14,03 quilates — uma pedra azul-royal, raridade que em estado bruto não sai por menos de 50 000 reais.
Com tamanha exibição pública de brilho, Zendaya confirmou a força de uma nova tendência. Após passar uns tempos fora de moda, em meio à supremacia da onda conhecida como luxo silencioso (ou quiet luxury), que preconizava peças discretas e minimalistas, as grandes joias e bijuterias estão de volta para ser ostentadas sem pudor. As coleções apresentadas em julho por Tiffany & Co., Boucheron, Bulgari, Louis Vuitton, Van Cleef & Arpels e Dolce & Gabbana exibem peças únicas produzidas artesanalmente e concebidas para reforçar o prestígio das marcas com fartura de design e materiais caros. “As grandes maisons recorreram à alta joalheria para fortalecer a imagem de exclusividade e luxo”, diz Manoel Bernardes, vice-presidente de capacitação e inovação do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos.
A estratégia das marcas é despertar desejo aspiracional nas consumidoras, transmitindo as ideias de legado, patrimônio e sonho. Não por acaso, antes mesmo do lançamento oficial dessas coleções, as joias já apareceram no corpo de celebridades. Millie Mackintosh chamou atenção na première de O Diabo Veste Prada 2 com uma extravagante corrente de elos dourados na cintura e brincos gigantes. As peças vieram da Jennifer Gibson Jewellery, marca britânica especializada em peças vintage. No Met Gala, Amanda Seyfried foi escolhida para apresentar uma das peças mais emblemáticas da nova coleção da Tiffany & Co. O colar que combinava zircões azuis, esmeraldas e diamantes não teve preço divulgado, mas especialistas estimam seu valor em até 1 milhão de dólares (5,1 milhões de reais).
O maximalismo da vez não se resume ao tamanho das peças. “Também marca o retorno do ouro amarelo e das grandes gemas coloridas”, diz a consultora de joias Mariana Penteado. A tendência resgata a opulência das décadas de 1950 e 1960, quando Elizabeth Taylor eternizou colares exuberantes, brincos monumentais e pulseiras cravejadas de pedras preciosas. Como costuma acontecer nessa seara, a inspiração rapidamente desce das vitrines da alta joalheria para as coleções de joias premium, semijoias e até bijuterias. O efeito já aparece nas vitrines, com pérolas em versões máxi, pedras coloridas, braceletes robustos e colares rígidos dos mais diferentes materiais. Após anos em que a discrição dominou os acessórios, a palavra de ordem agora é aparecer. Ainda que tenha lá seu preço, a busca pela grande beleza é irresistível.
Publicado em VEJA de 24 de julho de 2026, edição nº 3005







