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Como o setor de cruzeiros tenta recuperar os prejuízos da pandemia

Depois de dois anos de paralisia, o ramo dá a largada para a nova temporada

Por Luiz Felipe Castro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 4 jun 2024, 12h27 - Publicado em 13 mar 2022, 08h00

Em 20 de janeiro de 2020, 3 711 pessoas embarcaram no navio Diamond Princess, em Yokohama, no Japão, em um cruzeiro pelo Sudeste Asiático que entraria para a história como um marco do início da pandemia. Poucos dias depois, no início de fevereiro, o capitão anunciou: um passageiro idoso que desembarcara em Hong Kong havia testado positivo para Covid-19. Para conter a propagação do vírus, agentes sanitários obrigaram os viajantes a permanecer presos em suas cabines, em quarentena. Em pouco tempo, o pesadelo se materializou: 712 turistas testaram positivo na bolha turística, com catorze mortes. Na clausura asiática, descobriu-se que a contaminação era multiplicada pela presença de pessoas assintomáticas e a máscara passou a ser item de proteção fundamental. Era o primeiro surto fora da China e o início de um calvário que parecia não terminar.

Dois anos depois, mais precisamente no último dia 4, o Wonder of the Seas, novo baluarte da frota da Royal Caribbean, partiu de Fort Lauderdale, na Flórida, Estados Unidos, para uma jornada de sete dias até o Caribe. Trata-se do maior navio comercial do mundo, com 362 metros de comprimento e 64 de largura, podendo acomodar 6 988 turistas e 2 300 tripulantes. É o equivalente a cinco Titanics, o mais célebre e azarado dos transatlânticos, que naufragou em 1912, no Atlântico Norte. O contexto agora é de puro otimismo. Se o Diamond Princess representou o começo da pandemia, o Wonder of The Seas pode significar o seu fim, ou ao menos a âncora de um novo momento.

arte cruzeiros

O maior navio do mundo é o símbolo máximo de uma atividade nascida no fim do século XIX, quando o empresário alemão Albert Ballin (1857-1918) começou a encher os navios da companhia Hapag de turistas. Surgia assim o negócio dos cruzeiros marítimos, segmento que movimentou globalmente 154 bilhões de dólares em 2019, último ano antes da pandemia. O Wonder of the Seas custou cerca de 1,3 bilhão de dólares e tem entre suas atrações dezenove piscinas, vinte restaurantes, onze bares — um deles serve drinques preparados por um robô — uma pista de gelo, cassino, piscina com ondas artificiais, campo de minigolfe, duas paredes de escalada, tirolesa de 25 metros de comprimento e área verde com 20 000 plantas e árvores. Entre junho e setembro, ele será uma das estrelas do verão europeu — e, ressalve-se, é possível fazer reservas do Brasil, com preços a partir de 4 200 reais por passageiro em viagens de uma semana.

Com as taxas de contaminação caindo e as de vacinação subindo, o setor pode, portanto, retomar sua normalidade, mas com cuidado. No Brasil, a nova temporada de cruzeiros foi reaberta no último dia 5, com dezenove roteiros e destinos como Balneário Camboriú, Santos, Ilhabela, Rio de Janeiro, Angra dos Reis e Búzios. Antes, ela havia sido suspensa por quatro vezes, já que a pandemia não dava trégua. Agora, as empresas do ramo enxergam um oceano azul pela frente.

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NO BRASIL - Mar à vista: dezenove roteiros e rígidos protocolos sanitários -
NO BRASIL - Mar à vista: dezenove roteiros e rígidos protocolos sanitários – (Luigi Bongiovanni/TheNews2/Agência O Globo)

A previsão da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil) era transportar mais de 360 000 pessoas, com um impacto de 1,7 bilhão de reais e 24 000 empregos gerados. Com o calendário encurtado, os objetivos serão mais modestos. Os viajantes que tiveram seus passeios cancelados poderão solicitar reembolso, sem penalidade, ou a conversão do valor em crédito a ser usado até 2024, junto a empresas como MSC e Costa Cruzeiros. Em 2019, o setor movimentou 2,24 bilhões de reais no país, com gasto médio por pessoa de 3 256 reais em viagens de cinco dias.

Os protocolos contra a Covid-19 seguem rígidos. Para embarcar no Brasil, são exigidos vacinação completa, testagem pré-embarque, testagem frequente de, pelo menos, 10% dos ocupantes do navio, capacidade reduzida a bordo, uso obrigatório de máscaras e um plano de contingência com equipe médica. A temporada 2022/2023 está programada para começar em outubro, já com oito navios confirmados. “Alcançaremos os níveis de 2019 apenas uma temporada depois da pandemia”, diz Marco Ferraz, presidente da Clia. “Até 2027, entrarão em operação 93 novos navios e eles precisarão de destinos. Estamos fazendo nosso trabalho para que o Brasil seja candidato a recebê-los.” Que venham bons ventos pela frente.

Publicado em VEJA de 16 de março de 2022, edição nº 2780

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