Como canetas emagrecedoras estão impactando o mercado de vestidos de noiva
Emagrecimento repentino tem dificultado o trabalho de ateliês
A popularização dos medicamentos agonistas do GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, tem alterado diferentes aspectos da vida cotidiana. Com a promessa de um processo de emagrecimento rápido e eficiente, fármacos como Ozempic e Wegovy se tornaram cada vez mais populares no Brasil e no mundo, provocando mudanças em diferentes setores. Um deles é o mercado de casamentos, mais especificamente o de vestidos de noiva. Consideradas peças particularmente especiais para a cerimônia, as roupas costumam levar meses para serem desenvolvidas e agora têm enfrentado um novo tipo de imprevisto: o emagrecimento repentino das clientes.
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De acordo com Carol Hungria, proprietária de um ateliê de alto padrão na Zona Sul do Rio, os efeitos do uso contínuo de agonistas do GLP-1 começaram a ser percebidos com mais intensidade em 2025. “Percebemos que estavam ocorrendo processos de emagrecimento muito grandes, em muito pouco tempo”, disse ela. “Havia clientes que provavam o vestido e estava tudo certo, e um mês depois, dava para entrar a minha mão na peça”.
Embora seja esperado que as noivas alterem sua composição corporal até o grande dia por uma série de motivos — desde o desejo de estar em determinada forma física até a pressão social —, os ateliês não estavam preparados para mudanças dessa magnitude. “Me lembro de uma noiva na qual precisamos basicamente refazer todo o vestido. Além dela perder peso, a qualidade da pele, o corpo dela, mudou extremamente”, diz Laurianne Delorée, da Maison Delorée. “Só faltava o fechicler, e acabamos tendo que refazer tudo, porque nada funcionava”, diz.
O cenário também começou a gerar prejuízos para os ateliês, já que as alterações representam um aumento significativo no tempo de trabalho e no uso de recursos. “Se precisamos desmontar uma estrutura já pronta, refazer corseteria, reposicionar renda, bordado ou reconstruir o busto inteiro. São muitas horas de trabalho que não estavam previstas inicialmente”, diz Delorée.
Para evitar transtornos, os ateliês passaram a adotar protocolos para se adaptar a essa nova realidade. No Atelier Carol Hungria, as clientes são questionadas se estão passando por algum processo de emagrecimento e, em caso positivo, se fazem ou pretendem fazer uso de medicamentos. A partir daí, o cronograma de produção é ajustado de acordo com as orientações médicas.
“Se a cliente vai fazer o uso da medicação por cinco meses, a gente deixa para tirar as medidas depois do terceiro mês”, explica Carol, afirmando que a estratégia busca evitar o período de maior perda de peso. “A gente já notou que tem clientes que perdem nos primeiros dois meses dez quilos. Dez quilos são quase três tamanhos de diferença. Então, uma roupa que foi produzida para uma cliente que é tamanho 44, ela passa a ser praticamente uma 38.”
Seja como for, a adaptação ocorre com cuidado, buscando não constranger a noiva. “Nosso protocolo não existe para julgar se a noiva deve ou não usar essas medicações. Isso não é nosso lugar. Existe simplesmente porque nosso trabalho é construir uma peça extremamente precisa para um corpo específico. E o vestido de noiva é a autoestima da noiva”, completa Delorée.







