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A vida é uma festa: tendência atrai jovens a usar brilho durante o dia

A regra de usar estética luxuosa só à noite está sendo quebrada por jovens que, desprendidas de preconceitos, não estão preocupadas com julgamentos

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 set 2022, 08h00

Desde sempre, brilhos, plumas e paetês eram única e exclusivamente recomendados para ser usados à noite. Mesmo assim, jamais todos juntos, a não ser que o objetivo fosse atrair os holofotes — e eventuais olhares de desaprovação — para si. Agora, a regra está sendo quebrada por jovens que, desprendidas de preconceitos, não estão preocupadas com julgamentos. Ao contrário, questionam as convenções ou dão de ombros a elas. Desse movimento nasceu uma nova estética, a Night Luxe (noite luxuosa, em inglês), ou Euphoria, em referência à série do canal de streaming HBO Max. Ela é um dos principais assuntos das redes sociais — só no TikTok alcança mais de 48 milhões de visualizações.

A porta de entrada para a onda, é natural, são modelos, como as americanas Hailey Bieber e Charlotte Lawrence, e atrizes, como Marina Ruy Barbosa e Deborah Secco. A moda consiste em misturar brilhos com tecidos opulentos e sexy, como o veludo, o couro, o cetim e a renda, em looks finalizados com saltos altíssimos e maquiagem marcada. Luvas, meia-calça com texturas, espartilhos, sobreposições e peças largas combinadas a lingeries à mostra também fazem parte do visual.

Os tons preferidos são o dourado e o prateado. No entanto, há espaço para o preto e poucas pontuações de rosa ou vermelho. E muito, mas muito brilho. Não sem certa moderação, recomenda-se. “É fundamental ter bom senso”, diz o stylist Dudu Farias. Para usar roupas assim durante o dia o segredo é o que se chama de desconstrução. “O paetê pode ser combinado a um tecido não tão nobre de uma camiseta”, diz ele.

MISTURA - Produções de Hailey Bieber (à esq.) e Charlotte Lawrence: acessórios e visual chamativo -
MISTURA - Produções de Hailey Bieber (à esq.) e Charlotte Lawrence: acessórios e visual chamativo – (@haileybieber/Instagram; @charlotteslawrence/Instagram)

A intenção é clara: ir na contramão da That Girl, tendência que dominou 2021 pregando o politicamente correto extremo com meninas acordando cedo, fazendo ioga e meditação e se alimentando somente de opções saudáveis. A maré de agora vem acompanhada de um espírito irreverente de euforia depois da fase mais dura da pandemia de Covid-19 e de exaltação da vida. Não é a primeira vez que esse tipo de explosão de felicidade ocorre depois de períodos cinzentos da história. Ao final da I Guerra Mundial (1914-1918) e, em seguida, da pandemia de gripe espanhola, que se estendeu até 1920, vieram os anos loucos tão ricamente descritos por Ernest Hemingway em Paris É uma Festa.

Naquele início da década de 20, havia um anseio frenético por mais luz, fantasia e felicidade, captados pela sensibilidade da pena de escritores americanos como Hemingway e F. Scott Fitzgerald, que flanavam pela capital francesa e pela Cote d’Azur sem receio de nada, mergulhados em álcool. É verdade que o mundo não era propriamente uma festa naqueles tempos — basta lembrar que o nazismo e o fascismo começaram a germinar ainda naquela década —, tampouco o é agora. Contudo, acrescentar brilho ao cotidiano não faz mal a ninguém. E trata-se, enfim, de exalar alegria. Nas redes, a ágora de nosso tempo, quem é adepto se mostra em fotos tiradas em terraços de prédios, com champanhe, velas, tudo retratado com flashes e luzes distorcidas. A ideia é dar a impressão de que a felicidade está logo ali. Vai passar, talvez sim. Mas é preciso celebrá-la enquanto há clima.

Publicado em VEJA de 14 de setembro de 2022, edição nº 2806

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