🔥 Esquenta Black Friday com PREÇO BAIXO! Assine Revista Impressa + Digital Premium e aproveite! 🤑

A maior armadilha na busca da felicidade, segundo psicólogo best-seller

“Uma das maiores barreiras para ser feliz é a crença de que a vida ideal não tem emoções dolorosas”, afirma ele

Por Duda Monteiro de Barros Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 jan 2026, 06h00 | Atualizado em 23 jan 2026, 11h25
A maior armadilha na busca da felicidade, segundo psicólogo best-seller Priorize VEJA no Google

Os ventos da modernidade vêm aos poucos fazendo tremular pilares que solidamente definiam o que seria uma trilha exitosa e plena: casar, ter filhos, comprar uma casa, um carro, escalar na carreira e envelhecer com elevadas doses de saúde e dinheiro eram todos ingredientes inescapáveis para o que se convencionou chamar de vida feliz. Nas últimas décadas, essa noção foi sacudida pela ideia de que lombadas e bifurcações no rígido roteiro podem ser muito bem-vindas, o que acabou por suavizar a pressão. Só que aí o cotidiano acabou sendo posto do avesso pelo advento das redes sociais e seus filtros, que exibem as pessoas em permanente estado de felicidade — sempre rindo, viajando, festejando —, um horizonte sabidamente inalcançável. Ao examinar o tema que atiça o intelecto humano desde os primórdios das civilizações, Sigmund Freud (1856-1939) soltou uma frase que, caso viralizasse nos conectados dias atuais, bem poderia ajudar a baixar a ansiedade geral. “A felicidade constante é uma ilusão inatingível”, disse o pai da psicanálise.

“ME COMPARAVA AOS OUTROS
“ME COMPARAVA AOS OUTROS” – O nutricionista Guilherme Almeida, 23 anos, fez muita terapia para deixar de olhar as conquistas alheias. “Minha visão do que é ser feliz era inalcançável”, diz. (./Arquivo pessoal)

Desde então, os estudos sobre o assunto deram um salto, espalhando-se por escaninhos diversos de um instigante campo do saber — o da ciência da felicidade. Um de seus grandes expoentes, o psicólogo israelense Tal Ben-Shahar, autor do recém-lançado best-seller Happy Habits, com previsão de chegar ao Brasil em fevereiro, avançou de forma decisiva ao mergulhar em Freud e ir além com uma pesquisa de décadas. “Uma das maiores barreiras para ser feliz é a crença de que a vida ideal não tem emoções dolorosas”, afirmou ele, que encabeça o curso hoje mais procurado da Universidade Harvard, em entrevista exclusiva a VEJA. E reforçou: “Existe uma tirania de que é preciso estar sempre bem. Tristeza, raiva, inveja, frustração — esses são sentimentos inerentes à condição humana e fundamentais para o fortalecimento da mente”, diz.

Sua obra não se pretende um manual de autoajuda, tom do qual ele foge ao cravar que a felicidade nem de longe segue um receituário, mas é feita de um conjunto de ações diárias em distintas frentes: o bem-estar físico, que abrange tanto exercício quanto descanso; o estímulo intelectual, à base de vasto aprendizado; relacionamentos cimentados por bons vínculos; o lado espiritual, que nada tem a ver com religião, porém com a busca por propósito; e o emocional, o qual requer lidar de frente também com o que traz dissabor. A observação de centenas de milhares de casos, que somados formam o mais rico acervo de dados sobre a felicidade, alimentado por pesquisadores de Harvard, sinaliza ainda que a plenitude não se faz de revoluções que botam as estruturas abaixo de um dia para o outro. “Mudanças rumo a uma existência feliz não vêm de transformações drásticas, mas de pequenas medidas consistentes, que vão construindo uma base”, explica.

Continua após a publicidade
“TINHA QUE SORRIR SEMPRE” - A influenciadora Belle Kinzel, 23 anos, só exibia conteúdo positivo, ainda que estivesse atravessando tempos difíceis. “A alegria era falsa, uma performance”, reconhece ela, que passou a adotar o tom “vida real”.
“TINHA QUE SORRIR SEMPRE” – A influenciadora Belle Kinzel, 23 anos, só exibia conteúdo positivo, ainda que estivesse atravessando tempos difíceis. “A alegria era falsa, uma performance”, reconhece ela, que passou a adotar o tom “vida real”. (Bellekinzel/.)

Criador de vocábulos que ecoam pelas altas-rodas acadêmicas, Ben-­Shahar promove uma reflexão sobre o que batizou de “performance da felicidade” — um dos obstáculos contemporâneos para atingi-la de verdade, segundo ele. É nesse movediço terreno que as redes entram, expondo corpos livres de imperfeições, férias idílicas e celebrações glamorosas. Quanto mais desse conteúdo se dissemina, maior é o afã das pessoas em revelarem uma vida de alegria pura, que evidentemente não espelha as asperezas que todo humano encara. “Vejo o culto à felicidade como um perigo social. Estamos cada vez mais desconectados das nossas emoções, evitando o sofrimento e, por isso, nos tornando mais vulneráveis a ele”, alerta o antropólogo Bernardo Conde, da PUC-Rio. Especialistas em disciplina tão indispensável enfatizam que a felicidade mais duradoura não se fia em eventos extraordinários — uma ficha que caiu para o nutricionista Guilherme Almeida, 23 anos, depois de muita terapia. “Tinha uma ideia utópica do que é estar bem. Achava que precisava haver algo sempre grandioso”, reconhece.

Continua após a publicidade
O AUTOR - Tal Ben-Shahar: “A infelicidade faz parte”, diz ele
O AUTOR – Tal Ben-Shahar: “A infelicidade faz parte”, diz ele (@DrTalBenShahar/Facebook)

Uma recente pesquisa publicada na revista Nature voltou o olhar para quarenta países e mensurou os efeitos nocivos da pressão implacável por se sentir feliz 100% do tempo, sem nuances. Não deu outra: quem descrevia tal estado de espírito apresentava piores indicadores de bem-estar emocional e até cognitivo. Quanto maior a cobrança à volta, mais alta se tornava a régua que estabelecia a satisfação pessoal — e mais longínqua ela ficava. Quem vive imerso no ambiente das redes sente de maneira amplificada o peso de se mostrar de bem com a vida, como relata a influenciadora Belle Kinzel, 23 anos, que já chegou a contabilizar 1 milhão de seguidores. O feito veio com aquela sensação de chegar a um panteão, mas logo a pressão por oferecer conteúdo invariavelmente motivador, sem brecha para nada que não soasse positivo, começou a cobrar um preço. “Não tinha jeito: acordava e precisava dar bom-dia e dizer algo para cima, mesmo sem estar naquela sintonia. O que importava era parecer feliz”, conta ela, que penou até desbravar outro caminho: hoje compartilha o lado sombrio de seu dia a dia e se aventura em reflexões sobre saúde mental.

Continua após a publicidade

O tema mobiliza também a área da neurociência, que ao observar a mente descobriu quão nocivo é o mecanismo de dar as costas às emoções negativas, como se pudessem ser deletadas. Pois não podem. “Não dá para enganar o cérebro sobre o que sentimos”, explica a neurocientista Elisa Kozasa, do Instituto do Cérebro do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo. Não encarar sentimentos desagradáveis, ela diz, pode inclusive reduzir o estoque dos neurotransmissores serotonina e dopamina, justamente associados a felicidade e prazer. Sob outro ângulo, o fato de a tristeza ter sido acomodada no escaninho dos tabus inibe o pedido de ajuda, o que acaba por afastar as pessoas de outras com quem nutre elos verdadeiros e poderiam ser de valiosa serventia.

“ATROPELAVA AS EMOÇÕES” - O ator Pedro Blanc, 27 anos, seguia a linha de empurrar emoções dolorosas para debaixo do tapete, como um tabu. “É um esforço encarar o desconforto, mas apenas assim se é feliz”, admite.
“ATROPELAVA AS EMOÇÕES” – O ator Pedro Blanc, 27 anos, seguia a linha de empurrar emoções dolorosas para debaixo do tapete, como um tabu. “É um esforço encarar o desconforto, mas apenas assim se é feliz”, admite. (./Arquivo pessoal)
Continua após a publicidade

O mais extenso estudo já feito sobre a felicidade, tocado há oito décadas por especialistas de campos variados de Harvard, ainda em pleno vapor, abrange as múltiplas camadas que compõem o bem-estar e conclui: relacionamentos envoltos em significado ensejam a satisfação pessoal de modo decisivo. “As pessoas que mais se sentem plenas, física e emocionalmente, são as que encaram suas questões sem rodeios e conseguem falar sobre elas a quem confiam”, observou a VEJA o psicólogo Marc Schulz, do time de Harvard. “Confesso que exigiu esforço ser sincero diante dos desconfortos e lidar com os desafios da existência, sem fugir da realidade”, admi­te o ator Pedro Blanc, 27 anos, que passou anos vestindo o figurino do sujeito que sempre está bem, obrigado. Eis um prato cheio para filósofos como o alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), que deixou à humanidade uma frase que ainda soa tão atual: “A essência da felicidade é não ter medo”. E encará-lo pode render bons sorrisos.

Publicado em VEJA de 23 de janeiro de 2026, edição nº 2979

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Capa da revista Veja, um celular e um notebook exibindo o site da revista, sobre fundo preto com texto BLACKFRIDAY repetidoBanner de Black Friday com fundo roxo e preto, exibindo a palavra BLACKFRIDAY repetida. À direita, um laptop prateado com uma imagem de carro na tela, um smartphone com um site de notícias e uma revista Veja aberta com uma foto de comida.
ECONOMIZE ATÉ 60% OFF

Digital Premium

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver, + programa de benefícios Prata.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 9,90/mês
ESQUENTA BLACK FRIDAY

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Premium (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).