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#VirouViral Por Duda Monteiro de Barros Como surgem e se espalham os assuntos mais comentados da internet

Marchinhas que ironizam governo Bolsonaro atraem milhões nas redes

Vídeos com sátiras ao governo viralizam e ganham as ruas às vésperas do Carnaval

Por Juliana Varella Atualizado em 28 fev 2019, 14h33 - Publicado em 28 fev 2019, 14h21

O Carnaval é tempo de dançar, cantar, namorar e… falar de política? Se depender das marchinhas carnavalescas deste ano, certamente. Com a polarização entre esquerda e direita desde as eleições de 2018 e a multiplicação de escândalos, declarações polêmicas e micos protagonizados por figuras ligadas ao novo governo, a internet tem se tornado solo fértil de sátiras à política brasileira.

“Nossa bandeira jamais será vermelha, quem garantiu foi Jesus na goiabeira”, canta a família Passos — Isis, Nilton, Reni e Marília — ao redor da mesa da cozinha, em Curitiba.  O vídeo caseiro intitulado Talquey Talquey A Culpa é do PT faz alusão à declaração da ministra Damares Alves de que teria, na infância, tido uma visão de Jesus Cristo no alto de uma goiabeira. A marchinha despretensiosa foi publicada no Facebook para divertir parentes e amigos no dia 9 de janeiro. Na véspera do Carnaval, o vídeo já foi visualizado quase 2 milhões de vezes.

Depois disso, os curitibanos (acompanhados por Lígia Passos, filha que não participara do primeiro vídeo) criaram um canal no YouTube e passaram a lançar marchinhas regularmente, sempre de olho nos deslizes da política. Temas como meritocracia, Operação Lava Jato e reforma da Previdência já ganharam versos entoados pela família, uns mais carregados de humor, outros com tom mais severo.

Quem também aproveitou o clima carnavalesco para alfinetar os novos “poderosos” foi a banda Maracutaia, formada por sete amigos de São Paulo. O grupo aparece cantando e dançando uma composição própria chamada Bloco do Biroliro. O vídeo caseiro gravado em um terraço viralizou e chegou à marca de 1,2 milhão de visualizações no Facebook.

A canção, de seis minutos, fala em “marcha na contramão” enquanto cita nomes como o do ministro da Justiça Sergio Moro, do vice-presidente Hamilton Mourão, do ex-motorista de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, e até a Lei Rouanet. Porta-voz do grupo e historiador, Marcelo Ferraro, conta ao #VirouViral que o vídeo é “uma brincadeira divertida com provocações sinceras”. Ele explica que a marchinha adota o ponto de vista de um simpatizante de Jair Bolsonaro, o “Biroliro” do título, mas usa falas ambíguas para apontar aspectos problemáticos do governo.

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Reação

Os vídeos têm suscitado as mais diversas repostas. Isis Passos, da família de Curitiba, conta que tem recebido reações positivas, tanto de pessoas identificadas com a direita e mais alinhados ao presidente, quanto da esquerda. “Não esperava essa recepção, mas as pessoas entenderam que é uma brincadeira, uma maneira de se manifestar.”

Já Marcelo, da banda Maracutaia, revela ter recebido comentários “violentos”, mas diz não ter medo de retaliação: “Apesar de o governo mostrar atitudes autoritárias, não há ainda qualquer demonstração de censura”, pondera, comparando o boom de marchinhas politizadas em 2019 com manifestações populares intensificadas na Era Vargas e durante a ditadura militar.

Para quem mora em São Paulo, a Maracutaia vai se apresentar em 1º de março no Centro Cultural Butantã, mas a banda também vem recebendo convites de blocos de outros estados para levar a marchinha às ruas. Já as composições da família Passos poderão ser ouvidas pelas esquinas de Curitiba, Olinda, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

Conheça outras marchinhas com inspiração política que prometem estar na boca do povo no Carnaval 2019:

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