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Renato Russo e Cazuza adiantaram temas, diz autor de livro do rock

Fabrício Mazocco escreveu 'Esse Tal de Rock'N'Roll'

Por Tatiana Moura 28 jun 2026, 16h00
Renato Russo e Cazuza adiantaram temas, diz autor de livro do rock Priorizar nos meus resultados Google

Qualquer brasileiro que cresceu na década de 1980 ou 1990 sabe o poder do rock brasileiro nos jovens da época. Assim como muitos outros adolescentes, Fabricio Mazocco, 51 anos, se apaixonou pela música desde cedo. Após anos fascinado pelo gênero, escreveu Esse tal de Rock’N’Roll (Ed. Máquinas de Livros), livro que reúne 50 histórias que explicam o sucesso do estilo musical no país. 

Assim como outros ritmos, o rock teve uma ascensão com ajuda empresarial. As gravadoras perceberam que os artistas não pediam muito dinheiro e era mais barato fazer álbuns com eles, do que com cantores da Música Popular Brasileira. Além disso, o gênero ganhou força após um período de censura, falando explicitamente o que pensava. “Quando o Gonzaguinha passou no estúdio, ouviu o Renato Russo cantando Que País é Este, colocou a cabeça e ouviu, falou: ‘Nossa, direto’. Era diferente do que eles tinham que fazer antes. Então, as gravadoras perceberam que ali, eles iam conseguir, de fato, ganhar dinheiro”, explica Fabrício. 

O gênero sempre foi relacionado a rebeldia e política. Segundo o escritor, assim como o chapéu e a bota fazem parte do sertanejo, o posicionamento claro faz parte do rock. “Eles opinam sobre algo que incomoda, o rock veio com os dois pés mesmo falando sobre isso. Em um dos capítulos falo sobre o punk de São Paulo e como o gênero transcende, ultrapassa qualquer faixa social ou etária. Fala sobre o que as pessoas passavam, o dia-a-dia, os incômodos, tudo”.

A obra de Fabrício passa por diversas décadas do rock, desde Rita Lee até Chorão, nos anos 2000. Para o autor, os nomes mais importantes, e que talvez pudessem ter feito a diferença para que o gênero não perdesse força, são de Cazuza (1958-1990) e Renato Russo (1966-1990). “O que eles falariam hoje, eles já estavam falando naquela época. É um olhar visionário muito forte. Esses caras deixaram um grande legado. Até hoje a gente lembra deles’’, conta. 

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Nos dias de hoje, as principais bandas consideradas de rock, ou que tem alguma referência ao gênero, são Lagum, Terno Rei e, mais antigos, Fresno. Alguns deixaram de lado a ideia do ritmo ser ligado a política, e focaram em outras áreas. “O papel do artista é de se expressar, dependendo da impressão dele, e colocar isso nas músicas. O não concordar também é uma forma de você participar e dialogar. Só que está muito complicado, se você põe qualquer frase, tem que pensar até na vírgula. Tem uma geração que se sente um pouco acuada. Vejo em termos de opinião, porque as redes sociais viraram um tribunal. Um júri que não tinha antes e dá medo”.

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