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Os absurdos ditos à primeira neurocirurgiã a comandar congresso no país

A carioca Mariângela Barbi Gonçalves, 42 anos, fala do machismo que enfrenta na especialidade médica que conta apenas com 10% de mulheres

Por Valmir Moratelli Atualizado em 9 Maio 2022, 18h54 - Publicado em 9 Maio 2022, 18h43

“Mulher tem TPM, não pode ser neurocirurgiã, porque oscila demais o humor”. “Vai querer engravidar e prejudicar o trabalho”. “Mulher não tem força para comandar cirurgia de coluna”. “Vai querer usar salto alto no centro cirúrgico”. Essas são algumas das frases que Mariângela Barbi Gonçalves recebe diariamente de relatos de outras neurocirurgiãs ou de residentes na área de todo o Brasil. A maioria delas é dita dentro da universidade ou mesmo por colegas de hospital.

Aos 42 anos, a carioca é a primeira mulher a presidir a Sociedade Carioca de Neurocirurgia (que existe desde 1984) e também a primeira a comandar um congresso de neurocirurgia no país, a ser realizado no começo de junho, no Rio de Janeiro. Formada em 2011, com passagem pela residência no hospital da Força Aérea do Galeão, Mariângela resolveu passar a estimular outras mulheres a não desistirem da profissão e se tornar uma liderança feminina de combate ao machismo na área médica.

“É um meio muito machista! Não se vê mulheres em posições de liderança, por isso quis ser exemplo para outras mulheres. Dia desses estava num grupo de quinze médicos, onde éramos apenas três neurocirurgiãs e um deles comentou: ‘Ih, tem muita mulher no grupo’. Ouvimos coisas do tipo o tempo todo”, relata.

Em todo o estado do Rio, são apenas 51 neurocirurgiãs de um total de 351 especialistas. No Brasil, as mulheres correspondem a 10% do total. “A gente tem muita barreira numa especialidade que requer dedicação. Ainda acham que função de mulher é trabalhar em casa. Existe uma reticência. E olha que neuro nem requer força, mas habilidade”, diz.

Mariângela é a única médica da família. O pai, economista, e a mãe, química, sempre a incentivaram. “Eu falo que sempre vamos passar dificuldades, mas juntas somos mais fortes. Temos que responder os incômodos, não podemos nos calar”. Ah, dá sim pra usar salto no centro cirúrgico, ela finaliza.

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