O que tira Leci Brandão do sério na música e na política atual
Sambista, que sobe ao palco do festival Doce Maravilha no sábado, 8, conversou com a coluna GENTE
Primeira mulher a integrar a ala de compositores da Mangueira e dona de uma carreira iniciada nos anos 1970, Leci Brandão, 81, segue em plena atividade. Neste sábado, 8, a cantora sobe ao palco do festival Doce Maravilha, no Rio de Janeiro, ao lado de Rappin’ Hood, enquanto celebra o lançamento de um documentário dedicado à sua trajetória. Em conversa com a coluna GENTE, ela fala sobre o que a tira do sério atualmente: “A questão do ódio que, de repente, pegou no Brasil por causa de questões de política. Isso me deixa muito triste”, afirma Leci.
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Deputada estadual de São Paulo pelo PT, a cantora diz que leva para a vida pública a mesma postura que sempre adotou como cidadã. “Sempre respeitei o outro. E as pessoas, às vezes, na política não respeitam os outros. Querem fazer as coisas que são importantes, que são convenientes para elas”.
Na música, o incômodo da sambista está relacionado principalmente ao uso da Inteligência Artificial e à busca por sucessos fabricados. “Tenho implicância com essas coisas modernas porque, para mim, não têm sentimento. Está todo mundo com o celular na frente da cara e ninguém conversa, ninguém troca ideia”. Para ela, o comportamento se reflete até nas composições. “Ninguém quer ter esse sentimento, quer fazer uma coisa que está na moda, uma coisa que vai ser sucesso. Não é uma coisa que sai da alma”.
Apesar das críticas, a cantora rejeita o discurso de que a música produzida atualmente perdeu completamente a qualidade. Leci relembra que defendeu os grupos de pagode quando o gênero enfrentava resistência de artistas mais antigos — muito antes do sucesso dos últimos anos. “Sou da antiga, mas não tenho nenhum preconceito. Acho que tudo é válido. Tem gente fazendo coisas legais, tem uma rapaziada que escreve coisas boas”, observa.
No Doce Maravilha, a mangueirense apresentará músicas de sua carreira e parcerias com Rappin’ Hood. Entre as faixas previstas está Deixa, Deixa, que aborda o valor da vida em contraste com a violência urbana. “Deixa dançar, deixa pular, deixa cantar. Só não pode pegar uma arma para nos matar”, resume. Já o documentário sobre sua trajetória foi realizado por Anderson Lima. Uma das cenas que mais a emociona mostra sua mãe ao seu lado em um desfile de Carnaval.







