O que é o transtorno de personagem de Tatá Werneck em ‘Quem Ama Cuida’
Atitudes da ficção despertaram curiosidade sobre quadro; psicóloga Denise Milk a pedido da coluna GENTE
Personagem de Tatá Werneck em Quem Ama Cuida, Brigitte tem chamado atenção por desenvolver uma paixão obsessiva, perseguir homens por quem se interessa e reagir de forma extrema à rejeição. O comportamento, que evolui para atos criminosos na trama, repercutiu também fora das telas. Diante da curiosidade do público, a atriz explicou que a personagem foi criada a partir da ideia de uma mulher com “erotomania borderline”, condição que idealiza intensamente um relacionamento e, ao ser rejeitada, passa a agir movida por frustração, raiva e desejo de vingança.
Embora o termo seja relacionado à novela, ele não corresponde a um diagnóstico reconhecido pelos manuais internacionais de psiquiatria. Segundo a psicóloga Denise Milk, a expressão reúne características de dois quadros clínicos distintos.
“A erotomania, ou Síndrome de Clérambault, é um transtorno delirante raro, no qual a pessoa acredita, de forma inabalável, que alguém está apaixonado por ela, mesmo quando existem evidências claras em contrário. Já o Transtorno de Personalidade Borderline é caracterizado por intensa instabilidade emocional, medo profundo de abandono, impulsividade e relacionamentos vividos de forma muito intensa. Nessas pessoas, a rejeição costuma ser percebida como extremamente dolorosa, desencadeando reações emocionais desproporcionais”, explica.
Para a especialista, a personagem reúne muito mais elementos associados ao Transtorno de Personalidade Borderline do que à erotomania clássica. Ainda assim, ela ressalta que a dramaturgia amplia conflitos para atender às necessidades da ficção e não deve servir de base para definir como pessoas com transtornos mentais se comportam.
“Toda obra de ficção precisa intensificar conflitos para construir uma narrativa envolvente. Por isso, é fundamental que o público não conclua que todas as pessoas com transtorno de personalidade borderline ou qualquer outro transtorno mental apresentarão comportamentos como perseguição, agressividade ou vingança. Na prática clínica, encontramos pessoas que sofrem muito mais do que fazem sofrer”, pontua.
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A especialista destaca ainda que os dois quadros podem ser tratados e que o diagnóstico precoce aumenta as chances de melhora na qualidade de vida e nas relações. “Quando existe um transtorno delirante, o acompanhamento psiquiátrico costuma ser indispensável, associado ao uso de medicação e psicoterapia. Nos casos de Transtorno de Personalidade Borderline, a psicoterapia é o principal tratamento. Em algumas situações, medicamentos também podem ser utilizados para controlar sintomas associados, como ansiedade, depressão ou intensa instabilidade emocional”, conclui.







