O novo revés para tradicional escritório de advocacia de famosos
Exclusivo: depois da sede em São Paulo, filial da banca de Nelson Willians em Campinas foi despejada antes da estreia
Poucos dias depois da coluna GENTE revelar que Nelson Wilians Advogados enfrentou ação de despejo envolvendo sua sede no Centro Empresarial Nações Unidas, em São Paulo, documentos judiciais mostram um segundo episódio envolvendo falta de pagamento de aluguel da banca. Desta vez em Campinas.
Em processo que tramita na 9ª Vara Cível de Campinas, protocolada em novembro de 2025 pelas empresas Galícia Desenvolvimento Imobiliário e Gran Floridian Empreendimentos e Participações, fica claro o desmanche que sofre o império jurídico de Nelson Willians, que ostentava sem constrangimento, uma rotina digna de milionário.
Wilians tornou-se um dos advogados mais conhecidos do Brasil ao comandar uma imensa banca corporativa e atuar em casos de grande repercussão midiática, atendendo figuras como a família de Gugu Liberato, o ex-governador João Doria e envolvendo-se recentemente em investigações de fraudes fiscais bilionárias.
O negócio chama atenção pela rapidez com que teria desandado. Em agosto de 2025, o escritório assinou contratos com duração prevista de cinco anos para ocupar quatro conjuntos comerciais no 5º andar da Torre II do Galleria Corporate, somando 1.050 metros quadrados. Os primeiros aluguéis deveriam ser pagos apenas em outubro, após um período de carência.
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Alugueis atrasados
Segundo as proprietárias, porém, nem o primeiro aluguel chegou a ser pago. Na data em que ingressaram na Justiça, apontaram R$ 140 mil em aluguéis e outros R$ 43 mil de despesas de condomínio e IPTU, totalizando mais de R$ 180 mil em dívidas. A petição sustenta ainda que, apesar de ter recebido as chaves, a banca jamais chegou a efetivamente instalar-se nos conjuntos ou executar as obras previstas para ocupação.
A Justiça concedeu liminar de desocupação. O desfecho, entretanto, não foi um despejo coercitivo, ou seja, com a presença de um oficial de justiça: o escritório entregou voluntariamente as chaves em 19 de dezembro de 2025, e os imóveis já estavam vazios quando foram realizadas diligências judiciais. Posteriormente, a banca contestou os cálculos apresentados pelas proprietárias e defendeu que qualquer responsabilidade por aluguéis e encargos deveria terminar naquela data.
Em julho deste ano, o juiz Guilherme Fernandes Cruz Humberto extinguiu a ação por perda de objeto, já que os imóveis haviam sido devolvidos. Mas aplicou o princípio da causalidade e responsabilizou o Nelson Wilians Advogados pelas custas e despesas do processo, além de fixar honorários advocatícios em 10% sobre o valor atualizado da causa. O magistrado ressaltou que a discussão sobre o montante efetivamente devido em aluguéis deveria ocorrer em ação própria.
A decisão ainda é objeto de discussão. Em 3 de agosto, a banca apresentou embargos de declaração e pediu a modificação de pontos da sentença, inclusive da condenação em honorários, argumentando, entre outras questões, que a entrega das chaves ocorreu voluntariamente antes da citação efetiva. Para um escritório que construiu sua marca justamente sobre expansão nacional, dimensão empresarial e poder econômico, a sucessão de episódios de cobranças e despejos mostra como a crise de imagem do seu fundador pode atingir a reputação da banca.







