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Monja Coen sobre criminalizar o aborto: ‘Quem faz as leis? Homens’

Líder budista lança livro ‘Em cada instante nascemos e morremos bilhões de vezes’

Por Giovanna Fraguito Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 21 jun 2024, 11h08 - Publicado em 21 jun 2024, 11h00

Em novo livro, Monja Coen, 77, representante do Zen Budismo no Brasil, reflete sobre envelhecimento e finitude. A autora, que passou recentemente por tratamento de câncer de pele, o carcinoma basocelular, irá publicar Em cada instante nascemos e morremos bilhões de vezes. Ela falou com a coluna GENTE sobre o processo de cura da doença e temas polêmicos – como a degradação do meio ambiente, o avanço da extrema direita na Europa, e a PL 1904/24, que quer mudar o Código Penal brasileiro para equiparar o aborto, após 22 semanas de gestação, ao crime de homicídio.

Quando surgiu a ideia do seu novo livro, Em cada instante nascemos e morremos bilhões de vezes? Quero envelhecer de mansinho, aos poucos, devagarinho, sabendo que estou envelhecendo. O pessoal tem muito medo da velhice, né? Acho que a velhice é um estado da nossa vida, se a gente não morre jovem, a gente vai ficar idoso e viver esse envelhecimento com contentamento, não dizendo ‘eu não posso ficar velha’. Eu posso envelhecer, tudo envelhece. Eu vou fazer 77 anos esse mês.

Isso te assusta de algum modo? O pessoal fala que depois de 75 tem que aposentar e eu fico percebendo que a minha capacidade de atuação diminui. Não é a mesma que eu tinha com 50 ou 60 anos. E isso não é ruim, isso é a vida.

O que precisou mudar com o tempo? Tenho que diminuir algumas atividades, tenho que cuidar mais de mim também, pensar nas minhas necessidades pessoais. Todos os livros que escrevo são um pouco autobiográfico. Porque nós somos feitas das experiências que passamos. Tem uma frase que eu gosto muito, não está no livro, que diz assim: ‘o som do riacho no vale e a forma das montanhas é a voz e o corpo de Buda’. A gente está falando da vida na Terra. Quem está preso no seu mundo interior, nas suas procuras, nas suas ansiedades não percebe essa maravilha que é a existência. O livro fala um pouco sobre isso, que tudo está em movimento de transformação, que está envelhecendo, mudando, mas também renascendo e se transformando.

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A senhora fala de se olhar no espelho e perceber o tempo passando em você. Como recebe o envelhecimento? É interessante porque só tenho um espelho no banheiro, onde e escovo os dentes, e de repente olho pro espelho e falo: ‘nossa, agora é meu avô que está aqui’. Ele era carequinha e tinha uma cara bem redonda. E a gente vai mudando e a gente percebe na face as mudanças. Às vezes olho e falo: ‘cadê a menina? Cadê a Claudinha? Ela está ali em algum lugar, mas não é mais ela. Cadê a mocinha que foi jornalista? Que queria muito fazer tudo igual aos meninos, ser uma mulher liberal, que fuma e anda de moto, cadê ela?’ A gente vai vendo que passa por várias fases na existência, elas são bonitas com dor, com alegria, com o sofrimento. Muitas coisas aconteceram comigo, tive abusos, teve de tudo na vida, mas isso faz que seja quem eu sou agora. E o que sou agora não é fixo.

Depois da tragédia das chuvas no Rio Grande do Sul, a expectativa dos cientistas é que haja cada vez mais catástrofes climáticas. Como a gente se mantém positivo no meio de tudo isso? O que se tira dessa história toda do Rio Grande do Sul tão sofrida? Primeiro: temos que criar causas e condições de que as pessoas que têm menos meios financeiros, não tenham que morar nas periferias e à margem dos rios que alagam. Mas não tinham só pobres lá. A gente tem que criar causas e condições de ver onde é adequado que as pessoas possam construir. Nós podemos evitar algumas coisas se nós pensarmos juntos. Isso tudo tem relação com as questões climáticas. Quando vão lá na Amazônia cortar madeira e fazer garimpo ilegal… O que estão fazendo? Piorando. A mente humana tem que acordar. Está indo numa determinada direção que a gente está vendo que não é boa.

Como a senhora se posiciona quanto à discussão sobre a PL que pede criminalização do aborto? Quem está fazendo as leis? Homens. Maioria do Congresso, Senado, em todos os órgãos ainda são homens. A visão masculina da vida e da realidade é um pouco diferente da mulher, que é quem mantém o bebezinho no útero. Como ela vive com essa dor, com esse sofrimento? Quem vai cuidar dessas crianças resultado de estupros? A primeira coisa que os médicos pensam é na vida da mãe, depois o útero e o terceiro é o feto. E a Lei faz o contrário: primeiro é o feto, não interessa o útero da mãe. Se ela é uma criança de 10 anos que vai se arrebentar por dentro, não interessa sua vida. Uma criança de 10 anos que tem um filho, como ela vai para escola? O que vai estudar? Como vai se relacionar com outras crianças?

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A senhora tem uma visão bastante crítica quanto ao avanço da direita. Pode falar sobre isso? Por que os partidos de direita na Europa, no mundo todo, estão crescendo tanto? Porque são contra os imigrantes. A imigração dos povos que foram explorados abandonados, e que agora estão querendo vir para os países que se desenvolveram. Mas eles chegam lá, em vez de ajudarem o país a continuar a desenvolver, eles travam. Porque vêm de outra cultura, de outra maneira de ser e de pensar no mundo. Isso é um choque cultural, resultado daquilo que não foi tratado no passado. Por que esses movimentos de extrema direita estão crescendo? Porque houve um abandono, um descaso, com os países mais pobres que foram explorados e agora há o retorno. É a lei da causalidade, ensinamento de Buda, você cria causas que vão ter retorno.

Nas redes sociais, a senhora compartilha seu tratamento do câncer de pele. Como está sendo o processo? Tenho uma coisa que se chama carcinoma bacilar, tipo de câncer benéfico, um tumor de pele por causa do sol. Mesmo depois de ser monja, como raspo o cabelo, não há proteção do couro cabeludo. O primeiro (sinal) que apareceu foi no topo da cabeça. Fui na médica e ela tirou. E tinha em outros lugares, no nariz, no rosto… Ela me apresentou uma pomada, que é uma quimioterapia localizada, que passa nos lugares onde tem o carcinoma. Foram seis semanas de passar pomada para a pele expulsar o câncer. Eu confio na minha médica e sigo o que ela pede. Mas já estou melhor.

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