Johnny Massaro: sucesso em Emergência Radioativa e crítica ao negacionismo
Em conversa com a coluna GENTE, ator fala de minissérie brasileira que lidera ranking global da Netflix e entra no Top 10 de 55 países
Impulsionado pelo sucesso da minissérie brasileira Emergência Radioativa, que chegou ao topo do ranking global da Netflix entre as produções de língua não inglesa, Johnny Massaro vive um momento de forte projeção internacional. Em entrevista à coluna GENTE, o ator comenta a repercussão mundial da produção inspirada no acidente com o Césio-137 em Goiânia, em 1987, e destaca como a série também provoca reflexões atuais sobre responsabilidade coletiva, memória e os perigos do negacionismo diante de tragédias históricas. O projeto se tornou um fenômeno ao alcançar o 1º lugar global, acumulando mais de 10,8 milhões de visualizações e figurando no Top 10 da plataforma em 55 países em março de 2026.
Como tem chegado a você a repercussão internacional de Emergência Radioativa? Gosto de partir da máxima “se quiser falar sobre o mundo, comece pela sua vizinhança”. Acredito em uma soma de boas decisões que nascem nos idealizadores e reverberam em toda a equipe de colaboradores. E, claro, existem fatores que escapam à nossa compreensão. É um êxito que me deixa em êxtase.
Você interpreta um cientista envolvido na corrida para conter o desastre do acidente radiológico. O que mais te marcou ao mergulhar em um episódio tão traumático? O que mais me marca é a sensação de vulnerabilidade. Erros acontecem, mas erros como aquele poderiam ser evitados de diversas formas. E não estou falando dos catadores que encontraram a cápsula. Somos capazes de coisas extraordinárias, mas também de coisas tenebrosas. Somos frágeis e, ao mesmo tempo, poderosos. Sinto que precisamos encontrar uma nova forma de cooperação enquanto espécie, uma vez que avançamos cada vez mais no entendimento de que somos compartilhando um espaço abundante e generoso, mas que precisa de cuidado, pois tem seus limites.
Você vem emendando projetos diferentes: Emergência Radioativa, o filme O Filho de Mil Homens e a série Máscaras de Oxigênio (Não) Cairão Automaticamente. O que te atrai em histórias que dialogam com momentos marcantes da sociedade? Primeiro, há que se ter a boa sorte de que os bons projetos cheguem. Uma vez que isso aconteça, o que é sempre um privilégio, é simplesmente sentir os encaixes e trabalhar. Para mim, entender o presente é o objetivo, e estar presente é o desafio.
Máscaras de Oxigênio (Não) Cairão Automaticamente aborda um período marcado por medo e preconceito em torno da epidemia de HIV/Aids nos anos 1980. Qual a relevância da arte em recontar histórias reais? Me intriga muito a questão importância versus desimportância da arte, pois ela não precisa ter uma função, mas inevitavelmente tem. Com Máscaras, por exemplo, participei até de campanha sobre HIV para o Ministério da Saúde. Já Emergência fez com que a pensão das vítimas aumentasse. O efeito da arte, seja objetivo ou subjetivo, é imensurável. É inegável, que me desculpem os negacionistas.
Sua carreira transita entre cinema, televisão e streaming. Isso acontece de forma orgânica? Não descarto os multiversos, mas por enquanto só tenho acesso a uma realidade, limitada, mas expansível, como tudo. O que quer dizer que tenho muita fé no que acontece, na organicidade das coisas. No começo e no final das contas, o que eu quero é contar boas histórias com boas pessoas.
Você já falou publicamente sobre sua sexualidade, mas continua sendo escalado para personagens heterossexuais. O audiovisual brasileiro ainda impõe limites ou esse cenário tem mudado? Me sinto como uma prova de que as coisas estão mudando, o que não significa que os limites deixaram de existir. Mas sei como era, como está sendo, e acredito verdadeiramente que o futuro será melhor.
O que falta para que atores brasileiros circulem ainda mais entre produções internacionais? Recentemente vi um Roda Viva de 1996 em que José Wilker dizia: “não existe ator internacional que não seja, antes, um ator nacional”. Construir uma carreira no próprio país já é um baita desafio. Particularmente, acredito que bons trabalhos vão abrindo caminhos para bons trabalhos. Se dentro ou fora do país, me importa menos. Nesse sentido, não nos falta nada, porque temos excelentes atores e atrizes e uma tendência de mercado cada vez mais entremeado.
Depois desse momento com Emergência Radioativa, quais histórias ou personagens você gostaria de explorar agora? Estou super a fim de pensar sobre amor e solidão. Um dos meus próximos projetos, um monólogo, parte desse desejo.







