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De pai para filho: gastronomia reúne histórias de família na cozinha

Empresários mostram diferentes relações entre pais e filhos nos negócios

Por Giovanna Fraguito 9 ago 2026, 08h00
De pai para filho: gastronomia reúne histórias de família na cozinha Priorizar nos meus resultados Google

A relação entre pais e filhos também está presente na trajetória de restaurantes e grupos de gastronomia do Rio de Janeiro. Antes de existir no Rio de Janeiro, o Suibi (@suibi.restaurant) fez parte da infância e da formação de Sei Shiroma. O restaurante foi criado por seu pai, Mike “Atsuo” Shiroma, em Nova York, onde funcionou por mais de duas décadas. Filho de pai japonês e mãe chinesa, Sei cresceu entre as bancadas de sushi da casa em Manhattan e acompanhando de perto o trabalho do pai. Anos depois, já radicado no Brasil e com sua própria trajetória como chef, Sei decidiu retomar essa história. Em 2023, trouxe o Suibi para o Rio, inspirado no restaurante original e preservando suas raízes na culinária japonesa, ao mesmo tempo em que incorporou sua própria identidade e referências contemporâneas à cozinha.

A relação entre pai e filho, construída entre Nova York e Rio de Janeiro, passou a fazer parte também dessa nova fase do restaurante. “Cresci vendo meu pai transformar ingredientes simples em experiências únicas. Poder revisitar essa história e construir esse novo momento do Suibi ao lado dele foi muito especial para mim”, conta Sei. Hoje instalado em Ipanema, o Suibi mantém referências à história familiar do chef em uma cozinha japonesa autoral que combina tradição e contemporaneidade. Em agosto, o projeto ganha uma nova etapa com a chegada da segunda unidade do restaurante, em Botafogo.

No Grupo Pulse, a relação entre pai e filha está diretamente ligada à gestão e ao crescimento dos negócios. Fabio e Eduarda Dupin comandam juntos o grupo de gastronomia e lifestyle, responsável por marcas no Rio de Janeiro e em São Paulo e que atravessa um período de expansão em 2026. Economista de formação, designer pela Escola de Belas Artes da UFRJ e ex-editor do Jornal do Brasil, Fabio Dupin construiu uma trajetória ligada ao marketing, à comunicação e, posteriormente, à gastronomia. Eduarda Dupin, formada em Publicidade e Propaganda e com experiência também no mercado de moda e em agências de publicidade, começou a trabalhar nos negócios da família nas áreas de mídias sociais e marketing.

A atuação dos dois se aproximou ao longo dos anos. Em 2024, pai e filha unificaram o trabalho e assumiram juntos o reposicionamento estratégico das marcas, movimento que deu origem à nova fase do Grupo Pulse. Hoje, Fabio e Eduarda dividem a gestão e o desenvolvimento dos novos projetos, combinando a experiência empresarial do pai ao olhar da filha para comunicação, tendências e novos negócios. O grupo reúne operações como POSÌ , Spicy Fish e Casa Magnólia, em Ipanema, Mapuche, na Barra da Tijuca, além de restaurantes em São Paulo.

No Babbo Osteria (@babboosteria), a relação com o pai está presente desde a escolha do nome. “Babbo”, uma forma carinhosa de dizer pai em italiano, é como Elia Schramm chama seu pai, Roland Schramm. Quando chegou o momento de abrir seu primeiro restaurante solo, em 2021, o chef decidiu fazer uma referência direta a essa relação. A escolha também remete à infância de Elia e à convivência com o pai e a avó Germana, figuras importantes em sua aproximação com a gastronomia. Foi dentro de casa que o chef teve os primeiros contatos com referências que, mais tarde, fariam parte de sua trajetória profissional.

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“Babbo é como eu chamo meu pai, desde os 2 anos de idade. O nome do restaurante tinha que ser esse, pois nada mais verdadeiro que começar pelas origens. Fazer uma homenagem àquele que foi meu maior incentivador e me ensinou o amor pela gastronomia, que me guiou”, conta Elia. Inspirado na culinária de regiões e cidades do Norte da Itália e nas memórias familiares do chef, o Babbo reúne receitas italianas, massas artesanais e referências da infância de Elia.

O que começou de maneira informal — muito inspirado pelo comportamento de partilha do seu pai — se transformou, 17 anos depois, em uma marca com unidades em Santarém, Belém, Rio de Janeiro e São Paulo. A história do chef Saulo Jennings com a gastronomia não nasceu dentro de uma cozinha profissional. Seu pai, Fabiano Simões, embora não fosse cozinheiro, sempre gostou de preparar almoços para a família e os amigos.  “Ele sempre cozinhou muito bem, era autodidata e um grande amante da culinária. Mas o mais bonito nele era a partilha. Tinha um fogão a lenha onde cozinhava aos finais de semana para amigos e família e reunia todos ao redor dele. O foco era compartilhar o momento, a boa música e o bom papo. Foi ali que me inspirei e é isso que tento fazer até hoje. Colocar em prática tudo o que aprendi com ele.”

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Anos mais tarde, esse aprendizado deu origem a Casa do Saulo (@casadosaulo). Antes de abrir seu primeiro restaurante, em 2009, Saulo trabalhava como instrutor de kitesurfe nas praias do rio Tapajós e começou a preparar lanches para seus alunos depois das aulas. Os preparos fizeram sucesso e os encontros passaram a atrair também amigos e outras pessoas interessadas em conhecer a comida feita por ele. Aos poucos, a varanda de onde Saulo morava começou a receber pequenos grupos, dando origem ao embrião do restaurante. “Meu desejo é gerar união e fazer com que a cozinha amazônica chegue a mais pratos e a mais pessoas. A Casa do Saulo é lugar para descobrir sabores inconfundíveis, criar memórias e sair de ‘bucho’ cheio”, brinca o chef. 

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A história do Pendê (@pende.cafe), em Copacabana, é também a história de uma parceria entre pai e filho. O negócio começou a ganhar forma durante a pandemia, quando o engenheiro Pedro Góes descobriu na produção artesanal de pães de fermentação natural uma nova paixão. O que nasceu de maneira despretensiosa, dentro de casa, cresceu e se transformou em um empreendimento familiar com a chegada de Paulo Góes, seu pai, recém-aposentado da Petrobras, que decidiu embarcar no projeto ao lado do filho.

Hoje, a sintonia entre os dois é o principal pilar da casa. Pedro comanda a estratégia, a operação e a gestão do negócio, enquanto Paulo se dedica ao atendimento. “Ter meu pai ao meu lado nesse projeto é uma grande realização. O Pendê nasceu de uma paixão que descobri durante a pandemia e, com a chegada dele, ganhou ainda mais propósito e identidade. Temos perfis diferentes, mas que se complementam muito: eu fico mais à frente da gestão e dos desafios do dia a dia, enquanto ele traz toda a experiência, o cuidado e o acolhimento no contato com os clientes. Mais do que um negócio, construímos juntos um espaço que representa nossa família e a conexão que temos”, destaca Pedro Góes.

Antes de dividir a gestão do Carioca da Gema (@barcariocadagema) com o pai, Thiago Alvim, Pedro Henrique Cesario Alvim foi um menino que cresceu entre os salões e corredores do casarão do Centro do Rio. Foi ali, acompanhando de perto a rotina da casa, que herdou do pai o amor pelo samba e pela cultura carioca. O que começou como uma paixão compartilhada em família, hoje se traduz em uma parceria que mantém viva a essência de um dos endereços mais emblemáticos da cidade.

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“Construir essa história ao lado do meu pai é muito especial. Cresci dentro dessa casa, acompanhando tudo de perto, e hoje poder contribuir para o presente e futuro do Carioca da Gema, trazendo novas ideias sem perder a essência que ele construiu, é um grande privilégio. A experiência e a paixão do meu pai pelo samba e pela cultura carioca se complementam com o meu olhar para novos caminhos e desafios”, afirma Pedro Henrique Alvim.

A parceria entre Virgílio Adonai e o filho, Arthur Adonai, nasceu muito antes das reuniões de trabalho. Ao longo dos anos, a relação de pai e filho ganhou um novo capítulo dentro da O Forno Rio (@ofornorio), pizzaria fundada por Virgílio em 1999. Antes de fazer parte da empresa da família, Arthur buscou experiência profissional fora do negócio e, em 2023, passou a integrar a equipe. Na marca, conheceu diferentes áreas da operação até assumir a frente de Marketing e Produtos. Este ano, o outro filho de Virgílio, Alexandre Adonai, também entrou para a empresa e segue uma trajetória semelhante à do irmão, iniciando no setor financeiro e passando por diferentes áreas para conhecer todos os processos da operação.

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“Fazer parte da história da O Forno Rio ao lado do meu pai é uma experiência de muito aprendizado e troca. Desde que entrei na empresa, busquei conhecer cada área da operação para entender todos os processos e contribuir de forma mais completa com o crescimento da marca. Agora, com a chegada do meu irmão Alexandre, também tenho a oportunidade de compartilhar um pouco do que aprendi, auxiliando nessa nova fase da trajetória dele dentro da empresa. Ver meu pai construindo esse legado e poder, junto com meu irmão, dar continuidade a essa história é algo muito especial para nós”, ressalta Arthur Adonai.

Rafael Tolpiakow, 27 anos, é da terceira geração da família a enveredar pelo ramo da gastronomia. Ele cresceu vendo seu pai, o restaurateur Bruno Tolpiakow se dividir entre o Satyricon (@restaurante_satyricon) e a Capricciosa (@capricciosapizzadoc), duas das casas do roteiro gastronômico carioca. Algumas das recordações de infância mais presentes na cabeça de Rafael são os aquários de lagostas do Satyricon, em torno dos quais Rafael alimentava os crustáceos marinhos com uma dieta rica em vôngoles e os pizzaiolos da Capricciosa arremessando os discos de massa para o alto.

Desde que passou a integrar a equipe administrativa das duas casas em 2020, Rafael tem como principal “tutor” o pai. “No restaurante, cada dia é completamente diferente, sempre aparece alguma novidade e meu pai sabe lidar com maestria”, elogia Rafael. “Tudo o que sei do funcionamento de um restaurante aprendi com ele, aprendo ainda muito”.

Chef Saulo Jennings
Chef Saulo Jennings (Reprodução/Divulgação)
Pendê, Carioca da Gema e O Forno Rio
Pendê, Carioca da Gema e O Forno Rio (Reprodução/Divulgação)
Bruno e Rafael Tolpiakow
Bruno e Rafael Tolpiakow (Reprodução/Divulgação)
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