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‘As Olimpíadas não têm nada a ver com a gente’, diz Bob Burnquist, lenda do skate

Maior medalhista da história do X Games vai participar da SP2B, que começa neste domingo, 9

Por Nara Boechat Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 ago 2026, 12h00
‘As Olimpíadas não têm nada a ver com a gente’, diz Bob Burnquist, lenda do skate Priorizar nos meus resultados Google

São Paulo recebe, a partir deste domingo, 9, o SP2B (São Paulo Beyond Business), evento global de inovação, criatividade e empreendedorismo que ocupa o Parque Ibirapuera com mais de 750 painéis e cerca de dois mil palestrantes até o dia 16 de agosto. Entre os convidados está Bob Burnquist, um dos maiores nomes do skate mundial, que participará de um painel ao lado do canadense Micah Desforges, criador do festival Jackalope, para discutir como esporte, cultura, criatividade e empreendedorismo podem impulsionar novos modelos de negócio.

Em entrevista à coluna GENTE, o skatista de 49 anos — maior medalhista da história do X Games — explicou como a mentalidade construída nas pistas o transformou em empreendedor, analisou a evolução dos investimentos nos esportes de ação, opinou sobre entrada do skate nos Jogos Olímpicos, destacou o potencial da nova geração liderada por Raíssa Leal e defendeu que o crescimento da modalidade depende da força de sua cultura, e não apenas dos resultados nas competições. Burnquist também comentou os novos formatos de eventos esportivos e revelou os projetos que pretende tirar do papel nos próximos anos, dentro e fora do skate.

Como será sua participação no SP2B? O painel reúne várias conexões que fazem parte da minha trajetória. Vamos falar sobre a relação entre esporte, grandes eventos e empreendedorismo, mostrando como essas áreas se conectam. Quero abordar iniciativas como o Jackalope, o novo formato do X Games, o X Games Club São Paulo, além dos meus institutos e projetos de saúde e tecnologia. Tudo isso nasceu por causa do skate.

Em que momento você percebeu que também era um empreendedor? Foi uma consequência do skate. Eu não me identificava com esportes coletivos porque sempre gostei de criar meu próprio caminho. No skate, se eu errava, a responsabilidade era minha; se acertava, também. Cada manobra é um empreendimento: você testa, ajusta, tenta de novo até conseguir. Depois vieram os patrocínios e percebi que, para tirar projetos do papel, precisava criar, vender ideias, buscar parceiros e patrocinadores. Isso acabou moldando minha forma de empreender.

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O que faz as empresas investirem hoje nos esportes de ação? Isso mudou muito. Antes era apenas exposição na televisão. Hoje as marcas querem fazer parte da cultura do esporte, investir na base, em projetos sociais e em eventos que tenham continuidade. O foco deixou de ser apenas aparecer e passou a ser construir algo junto com a comunidade.

A entrada do skate nos Jogos Olímpicos mudou esse cenário? Trouxe visibilidade e facilitou investimentos em pistas, campeonatos e projetos. O skate não é mais necessariamente marginalizado, é popularizado. Mas é importante lembrar que as Olimpíadas são legais, mas não têm nada a ver com a gente. A cultura é completamente diferente. A Olimpíada buscou o skate para atrair a atenção do público jovem. Para nós, estar ou não lá não fazia tanta diferença. Houve um choque cultural, pois o espírito do skate não é torcer apenas pelo país, mas pelo skatista. Essa camaradagem faz parte da cultura do esporte e precisa continuar existindo.

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Como você vê a nova geração do esporte? A Raíssa Leal é o grande nome do skate hoje? A Raíssa é uma personalidade incrível que colocou o skate feminino em um patamar merecidíssimo, inspirando todos a acreditarem em si mesmos. Esse brilho atrai a atenção do público e dos eventos. Mas há muitos outros talentos chegando. Na transição, temos o Gui Khury, que é da mesma faixa etária e puxa outra vertente do skate, e o Luigi Cini, que vem se destacando no cenário internacional. Temos um desenvolvimento consistente tanto no street quanto no park.

O brasileiro, no geral, costuma acompanhar o esporte mais quando há atletas vencendo. Se as vitórias diminuírem, você acha que isso pode afetar os investimentos? As conquistas atraem torcedores, o que é natural. Mas, no skate, vencer não é a única fonte de exposição. Se você não tem uma cultura enraizada, fica limitado no que pode monetizar. Apoiar quem está ganhando é fácil. O torcedor brasileiro precisa aprender a apoiar nos momentos difíceis também. No skate, a cultura vai muito além da vitória.

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Como você enxerga o futuro dos eventos esportivos? O skate permite formatos muito diferentes porque também é uma forma de expressão artística. Há espaço para competições olímpicas, ligas como o X Games e festivais culturais como o Jackalope. O importante é criar eventos sustentáveis e valorizar atletas e organizadores.

Depois de conquistar praticamente tudo, o que ainda o move? Aprender e criar coisas novas. Para mim, o skate sempre foi uma forma de arte. Aprender uma manobra nova é uma forma de gratidão e manifestação de estar vivo. As medalhas e competições foram consequências; eu nunca me vi como um skatista de estratégia de competição. O que me faz levantar todos os dias é o sentimento de gravar, aprender algo novo ou criar algo diferente, seja no esporte, nos negócios ou na arte.

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Quais são seus planos para o futuro? Quero continuar desenvolvendo a mega rampa e criar novos eventos. Quero transformar o X Games Club São Paulo em um polo de inovação para a própria liga. Também pretendo trazer eventos como o Jackalope para o Brasil e continuar meus projetos individuais de vídeo. Na área de negócios, estou lançando uma marca de saúde e tecnologia. O projeto permite centralizar exames de sangue, raios-X e histórico médico em um só lugar protegido, criando um prontuário vivo para acompanhamento ao longo da vida. Como viajei o mundo inteiro e me machuquei em vários países, senti na pele a fragmentação dos dados médicos. O objetivo é usar a tecnologia para promover o autoconhecimento e a gestão da própria saúde, independente de praticar esportes ou não.

A SP2B acontece entre os dias 9 e 16 de agosto, no Parque Ibirapuera e contará com cerca de dois mil palestrantes distribuídos em mais de 20 palcos organizados em oito espaços temáticos, sob o tema A Nova Lógica do Empreendedorismo. A expectativa é que mais de 500 mil pessoas passem pelo evento, cuja programação inclui tecnologia, cultura, negócios, saúde, gastronomia, música, sustentabilidade e o futuro das cidades.

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