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Tela Plana Por Blog Críticas e análises sobre o universo da televisão e das plataformas de streaming

Por que a fusão de Warner e Discovery incendeia a guerra do streaming

Nova companhia nascidas das duas gigantes investirá pesado para concorrer com a Netflix, e é mais uma peça poderosa na disputa desse mercado

Por Amanda Capuano Atualizado em 18 Maio 2021, 16h37 - Publicado em 18 Maio 2021, 15h47

O anúncio da fusão de duas gigantes da TV e do cinema, a Warner Media e o Discovery, é a mais recente demonstração do abalo sísmico profundo causado pelo streaming na indústria do entretenimento. Divulgado nesta segunda 17, o casamento entre a dona dos canais HBO, CNN, TNT e do legendário estúdio Warner Bros. com a poderosa produtora de conteúdo no mercado de TV por assinatura deve ser analisado à luz da grande reorganização do setor propulsionado pela guerra dos serviços de filmes, séries e outros programas online. O acordo abriga as duas marcas sob o mesmo guarda-chuva, e é uma tentativa de competir com a Disney e a Netflix, acentuando ainda mais a disputa em um mercado cada dia mais concorrido.

Nos últimos anos, as duas empresas investiram pesado no setor – a Warner Media, por exemplo, gastou cifras bilionárias para fazer o HBO Max acontecer. A plataforma chega ao Brasil em junho, mas já tem cerca de 44 milhões de assinantes globais, com acesso a conteúdos exclusivos de todos os braços da Warner, incluindo parte dos lançamentos cinematográficos do estúdio. Na outra ponta, o Discovery, famoso por seu programas de variedades, acumula 15 milhões de assinantes no streaming, a maior parte deles no Discovery+, lançado em janeiro deste ano com um catálogo de 10.000 horas de conteúdo dos canais da rede. 

Os números não chegam nem perto de ameaçar a Netflix, líder absoluta com mais de 200 milhões de assinantes globais, e essa dianteira não se dá à toa: só em 2021, a empresa deve gastar cerca de 17 bilhões de dólares em conteúdo original, um orçamento que não é para qualquer um. Com Warner e Discovery unidas, a coisa muda de figura: segundo os executivos das empresas, as duas companhias investem anualmente 20 bilhões de dólares em conteúdo, colocando a nova peso pesado surgida da fusão à frente nos investimentos, embora ainda não se saiba como ficará a divisão entre os streamings, apenas que o HBO Max deve ser o carro-chefe.

Juntando todas as suas plataformas, as duas companhias têm hoje cerca de 100 milhões de assinantes, o que já faz o novo conglomerado nascer em pé de igualdade com o Disney+, que contabiliza 104 milhões. Sob o comando de Zaslav, que esteve à frente do Discovery desde 2007, a nova companhia, ainda sem nome, pretende alcançar 400 milhões de assinantes em todo o mundo, conforme revelou o CEO à CNBC. Uma das fontes para expandir os negócios, ironicamente, vem do velho mercado televisivo fustigado pelo advento do streaming: de acordo com o jornal LA Times, a rede de canais das duas marcas abocanha 30% de toda a audiência da televisão por assinatura americana, que segue sendo um mercado extremamente rentável.

Usar o lucro da TV para investir no streaming é uma proposta vista como inteligente para se adaptar aos novos tempos sem dar as costas ao mercado tradicional, onde o Discovery é forte. “Vamos apoiar o crescimento fantástico e o lançamento internacional da HBO Max com a pegada global do Discovery e criar ações eficientes que possam ser reinvestidas na produção de mais conteúdo de qualidade, para dar aos consumidores o que eles desejam”, explicou em comunicado à imprensa John Stankey, CEO da AT&T, a controladora da Warner.

Segundo o Financial Times, a junção resulta em uma companhia com uma valor de mercado de US$ 150 bilhões de dólares, atrás apenas da Disney em faturamento. O processo ainda passará por uma avaliação, e deve ser concluído apenas 2022.

Essa, porém, não é a primeira vez que gigantes se unem para tentar tirar a Netflix do topo. A própria Disney, que foi comprada pela FOX, anunciou o lançamento do Stars Plus como um streaming independente na America Latina – em outras partes do mundo, ele faz parte do Disney+, que segue na rabeira da líder dos streamings. O novo serviço chega no dia 31 de agosto, visando um público mais adulto com um catálogo que inclui conteúdos esportivos da ESPN, séries do universo FOX, Disney e Hulu. Segundo o LA Times, a Amazon, dona do Prime Video, também está em negociações para comprar o estúdio MGM, responsável pelas franquias James Bond, Rocky, além de um catálogo de 4.000 filmes e  franquias televisivas como o The Voice. O Amazon Prime tem cerca de 200 milhões de assinantes – o que, no papel, colocaria a empresa em pé de igualdade com a Netflix, mas o valor engloba também outros serviços e a companhia não divulga exatamente quantos dos usuários acessam sua plataforma de vídeo regularmente. Segundo estimativa da Reuters, eram 26 milhões em 2018, com uma base de 100 milhões de usuário – seguindo a mesma proporção, seriam cerca de 52 milhões atualmente.

Além da compra de estúdios injetar quantidades astronômicas de dinheiro no mercado, esse tipo de negociação ainda torna boa parte dos materiais exclusivos, o que dificulta a vida dos concorrentes. A Disney, por exemplo, deu um golpe duro na Netflix quando lançou o Disney+ e tirou do catálogo da rival todo o seu conteúdo da Marvel e de animações. A HBO fez o mesmo ao tomar para si franquias como Harry Potter e o sucesso Friends. Embora o baque tenha sido grande, especialmente para os fãs, a Netflix não saiu lesada no sentido econômico, já que o tem um catálogo alimentado mensamente pelo investimento bilionário em produções exclusivas. Se depender das últimas movimentações, a dança das cadeiras de conteúdos entre os streamings deve seguir, e as plataformas e estúdios já entenderam a mensagem: se não pode vencê-los, junte-se a eles.

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