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Por Kelly Miyashiro
Críticas e análises sobre o universo da televisão e das plataformas de streaming
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Necessária, série de Oprah e Harry é mais que um ‘episódio’ de ‘The Crown’

‘O Meu Lado Invisível’ faz uma delicada investigação sobre a saúde mental e os mistérios e preconceitos que ainda cercam o tema

Por Raquel Carneiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 24 Maio 2021, 14h02 - Publicado em 24 Maio 2021, 11h10

“Ainda sabemos muito pouco sobre essa coisa que chamamos de saúde mental”, diz a apresentadora Oprah Winfrey na abertura de O Meu Lado Invisível. A série documental da Apple TV+ fez barulho na sexta-feira, 21, quando foi lançada, por trazer, no primeiro de cinco episódios, declarações impactantes de príncipe Harry, co-produtor do programa ao lado de Oprah, sobre o trauma de ter perdido a mãe, a princesa Diana. “Quando minha mãe foi tirada de mim, aos 12 anos, eu não queria viver”, diz ele, que revelou ainda o uso de drogas e álcool para ocultar a dor além de episódios de ataques de pânico, depressão e ansiedade. O Meu Lado Invisível, porém, vai muito além de Harry e da superexposição de sua família – trama da vida real que provoca o interesse dos meros mortais, especialmente nos últimos anos, impulsionada pela série de sucesso The Crown, da Netflix.

Harry é um entre os muitos personagens ouvidos pelo documentário, que transita entre celebridades, esportistas e pessoas anônimas, além de médicos especialistas, em uma delicada investigação sobre a saúde mental, com o intuito não só de desmistificar o preconceito em torno do tema, como também apresentar os novos métodos usados para aplacá-la.

O depoimento de Harry se intercala ao da cantora Lady Gaga e o trauma de ter sido estuprada aos 19 anos; da boxeadora Ginny Fuchs e sua luta diária contra o TOC; da atriz Glenn Close e a dura criação em uma seita religiosa na infância; do jogador de basquete DeMar DeRozan e o estigma de se falar em depressão no esporte e na comunidade negra; de Zak Williams, filho do ator Robbie Willians, e a dor de perder alguém para o suicídio; além da própria Oprah, que se abre sobre a infância de maus-tratos e como a escola e uma professora em particular a ajudaram a querer viver.

Enquanto os famosos são chamariz para os curiosos – e também ajudam a ampliar a voz dos que sofrem em silêncio –, o documentário ganha corpo quando narra histórias de gente como a gente. Pessoas que, ao mesmo tempo que lidam com a depressão, precisam dar um jeito de pagar por um terapeuta, ou uma estudante diagnosticada com esquizofrenia aprendendo aos trancos e barrancos a viver de forma independente. No terceiro episódio, a série se embrenha em um acampamento de refugiados sírios na Grécia, onde um médico local tenta ajudar crianças a superar o terror da guerra.

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Enquanto apresenta o problema, o documentário se propõe ao mesmo tempo a mostrar soluções. A importância de falar sobre o que está sentindo, de se cercar de pessoas dispostas a ajudar e de fazer psicoterapia são passos que se repetem para diferentes transtornos. Enquanto isso, descobertas científicas sobre doenças específicas e novos tratamentos dão à série camadas e profundidade. Em uma cena do terceiro episódio, Harry permite ser gravado em uma de suas sessões de EMDR, um novo método psicoterapêutico que se propõe a “treinar” o cérebro para desbloquear traumas e memórias dolorosas e trazer o paciente para um lugar seguro através de estímulos físicos bilaterais – como mexer os olhos de um lado para o outro, dar tapas leves nos ombros ou nos joelhos de forma intercalada. A mesma tática usada com o príncipe é também aplicada às crianças refugiadas da Guerra da Síria. Como Oprah ressalta, as dores da mente não escolhem raça, nação ou classe social. E ouvir a experiência dos que se esforçam para lidar com elas se faz cada vez mais urgente.

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