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Sobre Palavras

Por Sérgio Rodrigues
Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.
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Tanto o kit quanto a homofobia vieram do inglês

Que o chamado kit anti-homofobia do ministério da Educação, que a presidente Dilma Rousseff vetou, foi o assunto mais discutido esta semana no país, parece evidente. Mais difícil é decidir qual das palavras desse pacote tem mais interesse para uma coluna dedicada à língua: homofobia, criação recente, ou kit, produto do século 13? Em comum, […]

Por Sérgio Rodrigues
Atualizado em 31 jul 2020, 11h50 - Publicado em 28 Maio 2011, 10h00

Que o chamado kit anti-homofobia do ministério da Educação, que a presidente Dilma Rousseff vetou, foi o assunto mais discutido esta semana no país, parece evidente. Mais difícil é decidir qual das palavras desse pacote tem mais interesse para uma coluna dedicada à língua: homofobia, criação recente, ou kit, produto do século 13? Em comum, além de aparecerem na mesma expressão de sucesso (mais de 1 milhão de resultados no Google), kit e homofobia têm apenas a origem: ambos foram importadas da língua inglesa.

Kit, que de início significava uma espécie de estojo de madeira, é um termo oriundo provavelmente do holandês medieval kitte, de significado semelhante. O sentido expandido de coleção de objetos pessoais apareceu em inglês no século 18, e o de conjunto de ferramentas, no 19. Segundo o Houaiss, kit só foi desembarcar por aqui em torno de 1958, já com o sentido moderno de “jogo de elementos que atendem juntos a um mesmo propósito”. Sua semelhança com o adjetivo quite (“quitado, livre de dívida”), com o qual não tem relação alguma, costuma provocar confusão entre falantes desavisados, que trocam a grafia de um pela do outro na hora de escrever.

Embora formada com elementos clássicos – homo (semelhante, igual) e fobia (medo, aversão), ambos de origem grega – homofobia foi uma palavra cunhada nos EUA com espírito de combate pelos direitos dos homossexuais, entre o fim dos anos 1960 e o início dos 1970. O adjetivo homofóbico foi registrado pela primeira vez em inglês em 1971, segundo o dicionário de Douglas Harper, e o psicólogo nova-iorquino George Weinberg teria sido o primeiro a usá-lo num livro, em 1972. O Houaiss não traz datação para o Brasil.


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