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Sobre Palavras Por Sérgio Rodrigues Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Por que se diz ‘amar a Deus’, se o verbo é transitivo direto?

“Prezado Sérgio, por que o primeiro mandamento é ‘Amar a Deus sobre todas as coisas’? Amar é verbo transitivo direto. Portanto deveria ser ‘Amar Deus…’. Abraços.” (Pio Canedo) O exemplo trazido por Pio é o clássico dos clássicos quando se trata de explicar o objeto direto preposicionado, isto é, aquele que complementa um verbo transitivo […]

Por Sérgio Rodrigues Atualizado em 31 jul 2020, 01h11 - Publicado em 10 jun 2015, 12h50

“Prezado Sérgio, por que o primeiro mandamento é ‘Amar a Deus sobre todas as coisas’? Amar é verbo transitivo direto. Portanto deveria ser ‘Amar Deus…’. Abraços.” (Pio Canedo)

O exemplo trazido por Pio é o clássico dos clássicos quando se trata de explicar o objeto direto preposicionado, isto é, aquele que complementa um verbo transitivo direto e, mesmo assim, vem precedido por preposição.

Diga-se logo que a preposição “a” nesse caso é facultativa. A construção “Amar Deus sobre todas as coisas” é gramaticalmente irretocável, embora, devido ao peso da tradição religiosa, seja pouco usual.

Tal uso da preposição se dá, segundo Evanildo Bechara, “quando, principalmente nos verbos que exprimem sentimentos ou manifestações de sentimentos, se deseja encarecer a pessoa ou ser personificado a quem a ação verbal se dirige”.

Em outras palavras, a preposição indica respeito ou fervor. Em tese, também pode ser usada numa construção como esta: “Você ama tanto assim ao Chicão?”. Mas reconheça-se que, no português contemporâneo, o objeto direto preposicionado expresso por nome próprio vem caminhando para se tornar uma exclusividade de Deus.

Além do caso acima, a preposição “a” antes do objeto direto é opcional, mas de uso comum, com pronomes indefinidos como “alguém”, “ninguém”, “ambos”, “todos” etc., como lembra Maria Helena de Moura Neves em sua “Gramática de usos do português”. Exemplos: “Não ofenda a ninguém”, “Desprezo a ambos igualmente”. O recurso à preposição também é usual quando o objeto direto vem antes do verbo (“A homem pobre não se rouba”) e absolutamente consagrado em expressões de reciprocidade (“Perdoem-se uns aos outros”).

Se até aqui estamos no campo da opção estilística, há diversos casos em que a preposição é considerada obrigatória: quando o objeto direto é um pronome pessoal tônico (“Só a ti admiro”); quando um dos pronomes indefinidos mencionados no parágrafo anterior tem função pleonástica, de reforço (“Abandonaram-nos a todos”); nos casos em que o objeto direto é a palavra “quem” no papel de pronome relativo, ou seja, fazendo referência a pessoa já mencionada (“Você é a única mulher a quem amo”).

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