Veja Digital - Plano para Democracia: R$ 1,00/mês
Sobre Palavras Por Sérgio Rodrigues Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Do subsolo de Roma para o mundo, uma ascensão grotesca

Gravura grotesca do artista flamengo Cornelis Floris (1556) Numa das acepções para as quais seu sentido acabou por transbordar – de coisa bizarra, ridícula, caricata, repulsiva, monstruosa – a palavra grotesco, substantivo e adjetivo, tem, como se sabe, vasta aplicação na vida contemporânea. Sua origem, porém, é antiga e se situa no campo restrito do […]

Por Sérgio Rodrigues Atualizado em 31 jul 2020, 09h20 - Publicado em 13 mar 2012, 14h30

Gravura grotesca do artista flamengo Cornelis Floris (1556)

Numa das acepções para as quais seu sentido acabou por transbordar – de coisa bizarra, ridícula, caricata, repulsiva, monstruosa – a palavra grotesco, substantivo e adjetivo, tem, como se sabe, vasta aplicação na vida contemporânea. Sua origem, porém, é antiga e se situa no campo restrito do vocabulário das artes: o termo italiano grottesco ou grottesca data do Renascimento, ali por meados do século 15, e a princípio nomeava os murais e afrescos descobertos nas escavações da Roma Antiga ocorridas naquela época. A palavra era derivada do italiano grotta, “galeria escura, subterrâneo, caverna”, que também passaria à nossa língua como grota, de sentido correlato.

As velhas pinturas encontradas no subsolo de Roma acabaram por impulsionar o surgimento de um novo estilo que se espalharia pelo restante da Europa, levando com ele a palavra, que penetrou no francês (na época com a grafia crotesque) em 1526 e, por meio deste, no inglês (grotesque) por volta de 1560. A data para o primeiro registro em português é 1548, segundo o Houaiss. Já então o espírito do grotesco era menos renascentista e mais maneirista, no entendimento da maioria dos modernos historiadores da arte, com sua representação de visões fantásticas em que se misturavam formas humanas e animais em cenários de flora extravagante.

Os sentidos expandidos de grotesco, que levaram o termo para passear fora do terreno da arte, surgiram nos séculos imediatamente posteriores. Para Douglas Harper, o termo só ganharia valor pejorativo em inglês ali por meados do século 18, sendo até então empregado apenas como sinônimo de “fantasioso, imaginativo”. Em francês, porém, é certo que a palavra já fosse usada um século antes disso com o sentido pouco lisonjeiro de “que faz rir pela extravagância”, ou seja, ridículo, segundo o Trésor de la Langue Française.

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Plano para Democracia

- R$ 1 por mês.

- Acesso ao conteúdo digital completo até o fim das eleições.

- Conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e acesso à edição digital da revista no app.

- Válido até 31/10/2022, sem renovação.

3 meses por R$ 3,00
( Pagamento Único )

Digital Completo



Acesso digital ilimitado aos conteúdos dos sites e apps da Veja e de todas publicações Abril: Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Placar, Superinteressante,
Quatro Rodas, Você SA e Você RH.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)