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Por Sérgio Rodrigues
Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.
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‘Brasileiro’, a palavra, já nasceu pegando no pesado

“Brasileiro” é uma palavra de formação curiosa. O sufixo eiro tem empregos numerosos, mas como formador de gentílicos – ou seja, palavras que indicam procedência ou naturalidade – é encontrado em poucos vocábulos: além de brasileiro, temos apenas mineiro, campineiro e outros menos importantes. O fato de não serem os naturais do Brasil conhecidos como […]

Por Sérgio Rodrigues
Atualizado em 31 jul 2020, 06h21 - Publicado em 30 abr 2013, 16h35

“Brasileiro” é uma palavra de formação curiosa. O sufixo eiro tem empregos numerosos, mas como formador de gentílicos – ou seja, palavras que indicam procedência ou naturalidade – é encontrado em poucos vocábulos: além de brasileiro, temos apenas mineiro, campineiro e outros menos importantes.

O fato de não serem os naturais do Brasil conhecidos como brasilianos, brasilenses ou mesmo brasileses – termos formados por sufixos empregados habitualmente em gentílicos – parece se dever ao fato de que a palavra, ao nascer, designava uma profissão e não uma origem.

Com a palavra, o filólogo Silveira Bueno:

No tempo colonial, ‘brasileiro’ era adjetivo que indicava profissão: tirador de pau-brasil. Como tal, sendo esses homens criminosos, banidos para o nosso país por Portugal, o adjetivo tinha significado pejorativo e por isto ninguém queria chamar-se ‘brasileiro’. Foi o franciscano Frei Vicente do Salvador o primeiro que teve a coragem de usar ‘brasileiro’, não já na antiga significação de tirador de pau-brasil, mas na de originário, oriundo, nascido no Brasil. Assim procedeu Frei Vicente do Salvador ao escrever a sua “História da Custódia Franciscana do Brasil”.

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Infelizmente, Bueno não reproduz o trecho em que Vicente do Salvador teria empregado a palavra. O dicionário Houaiss não corrobora sua tese: data o vocábulo de 1706, quando o escreveu o português José Soares da Silva – cerca de sete décadas após a morte do religioso baiano que ficou conhecido como o primeiro historiador brasileiro. Seja como for, Bueno prossegue em veia patriótica:

Daí para cá, passou o adjetivo a pátrio, aureolando-se da glória, do patriotismo de nós todos os que aqui somos nascidos. Concorreu também para esta nova significação o desaparecimento do comércio do pau-brasil que era exportado para a Europa.

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